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26 de Setembro de 2018

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Edição nº 776 / 2014

25/06/2014 - 09:05:00

E lá se vão os Joaquins...

Alari Romariz Torres Aposentada da Assembleia Legislativa.

A notícia bombástica das últimas semanas é a aposentadoria precoce do Presidente do Supremo Tribunal Federal: Ministro Joaquim Barbosa.     Li vários comentários e entrevistas narrando os fatos que levaram o moço a solicitar a inatividade onze anos antes da data fatal: a compulsória aos 70.     Sentiu-se isolado entre os pares, recebendo ameaças de morte e entendeu que a sua luta seria inglória, isto é, ¨uma andorinha só não faz verão¨.     

 

Lembro-me de que quando Heloísa Helena foi Deputada Estadual, eu era Presidente do Sindicato da Assembleia e ela era praticamente, a única da oposição. Assisti, várias vezes, às manobras feitas pelos governistas para tirá-la de tempo. A jovem Deputada pedia vistas dos processos, tentava evitar votações absurdas, mas perdia sempre. A maioria era esmagadora e obedecia fielmente ao Governador.     

 

Certa vez, havia um projeto de interesse da maioria e os Deputados ¨arranjaram¨ uma viagem para Heloísa. Quando ela voltou, percebeu a manobra, falou, gritou, mas era tarde demais.     

 

O idealismo no Brasil acabou, os políticos mudam de partido por puro interesse e quando aparece um Davi para lutar contra  tantos Golias, percebe-se que é impossível.     

 

A luta do Ministro Joaquim como relator do processo dos mensaleiros e depois como Presidente do Supremo foi muito grande. Assisti a todas ou quase todas reuniões do STF no caso famoso dos políticos que se apropriaram do dinheiro público, formaram quadrilhas e outras coisas mais. Dava até dó ver alguns Ministros querendo reduzir penas, retirar acusações e ele lutando valorosamente para punir os culpados. O resultado não foi dos melhores, mas o Brasil nunca tinha visto políticos tão famosos irem parar na cadeia.          

 

Em Alagoas há casos semelhantes: o dos Taturanas I e dentro em breve os Taturanas II. Até agora ninguém foi punido ou impedido de se candidatar.   

 

 Os Deputados acusados do desvio do dinheiro público, receber altos valores de laranjas e comissionados, continuam soltos, inventando punições para ativos e inativos, tentando esconder o verdadeiro foco da questão.     

 

As eleições se aproximam e, até aqui, ninguém ouve falar que tais homens não vão poder se candidatar. Existe um que quer ser Conselheiro do Tribunal de Contas, onde irá fiscalizar as finanças do Estado e dos Municípios. Bela contradição: ¨quem já viu raposa tomar conta de galinheiro?¨     

 

Em todos esses anos que convivemos com políticos, vimos fatos absurdos: pessoas que se candidatam e são pobres. Anos depois são ricos, donos de fazendas, frequentam restaurantes caríssimos, viajam para o estrangeiro sempre, levam a boa vida que o dinheiro oferece.   

 

 Dizem que para se eleger Deputado Estadual, o candidato vai ter que gastar 3 milhões de reais. De onde virá tanto dinheiro? Quem vai fiscalizar a origem da ¨grana¨? O TRE verifica o que lhe é apresentado, mas nem sempre isso corresponde à verdade.     

 

No meio de tanta confusão, surge um maluco que recebeu dinheiro dos mensaleiros e resolve denunciar tudo: Roberto Jefferson ganhou um câncer e uma boa prisão.     

 

O STF tomou para si o caso dos mensaleiros (semelhante ao dos Taturanas) e Joaquim virou relator do processo. Lutou, gritou, esperneou e conseguiu condenar os culpados. Ainda mexeram, remexeram o caso, mas Barbosa venceu.   

 

 Resultado: foi ameaçado de morte, perseguido por seus pares, por pessoas que tiveram seus interesses contrariados e não resistiu. Pediu para sair. Que pena!    

 

 Já passei por tudo isto: fui rebaixada de cargo, tive meu salário cortado, recebi recadinhos para ficar quieta, mas enquanto puder, irei em frente.   

 

 O Brasil só precisa de uma coisa: pessoas corajosas que queiram trilhar o caminho do bem. Fácil, não?

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