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22 de Setembro de 2018

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Edição nº 776 / 2014

25/06/2014 - 08:22:00

JORGE OLIVEIRA

Lula inflama o PT

Rio – Senhoras e senhores, cuidado, muito cuidado! As falas de Lula em defesa do seu partido e da Dilma estão recheadas de ódio, revanchismo e vingança. Ele não suporta a idéia de perder o poder. E, como os generais da ditadura, não quer vestir o pijama da aposentadoria.  

No discurso que fez no lançamento da candidatura de Alexandre Padilha a governador de São Paulo, o ex-presidente voltou mais uma vez a acusar as elites e os “brasileiros que não têm calos nas mãos” pelas vaias à Dilma no Itaquerão. Acha que ainda vivemos na idade da pedra ou em um país selvagem, pré-industrial, onde as mãos calosas – e não a tecnologia -  eram símbolos de trabalho e do desenvolvimento.

Lula, porém, não pode mostrar as mãos calosas que cobra dos brasileiros: não sabe o que é trabalho há pelo menos 40 anos, desde que, num descuido, perdeu um dedo numa máquina que trabalhava.

Critica a “elite” como se dela não fizesse parte desde que entrou para o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, um dos mais ricos de São Paulo, onde deixou de ser operário para fazer carreira sindical e política. Preso pelos militares por alguns dias, tirou partido deles, como muitos outros gigolôs da ditadura, e hoje recebe uma bela aposentadoria de mais de dez salários mínimos.

Aposentado também como presidente da república, embolsa outra bolada dos cofres públicos e ainda tem direito a carros, combustíveis e segurança 24 horas por dia. Aboletado no Instituto que fundou, administra suas palestras pelo país e no exterior a peso de ouro, amealhando uma fortuna com as suas conferências.

O ex-operário hoje é um homem rico, mas continua disfarçando a fortuna ao atacar as elites, da qual faz parte, mas resiste a integrá-la por puro complexo de inferioridade.Lula subiu o tom do discurso em São Paulo. Voltou a atacar a imprensa, que, segundo ele, passou a ter ódio do seu partido.

Questionou várias vezes o por quê dessa perseguição da mídia ao PT. Posso, se me permite, responder a Vossa Excelência. Primeiro: os jovens jornalistas que infestavam às redações há trinta anos atrás hoje são senhores grisalhos, responsáveis pais de famílias e menos sonhadores. Antes, militantes petistas , frustraram-se com o descaminho do Partido dos Trabalhadores e agora preferem a neutralidade. Os mais novos , contudo, só conhecem o partido pela prática da corrupção.  

Assim, o PT perdeu seus adeptos na imprensa e não conquistou outros novos que chegaram aos jornais.A segunda resposta ao questionamento do ex-presidente é mais simples: o povo brasileiro repudia a corrupção e os atos perniciosos dos petistas. Veem a incompetência materializada na presidente. Responsabiliza a Dilma pelo caos na economia e pela perda do poder aquisitivo.

Incentivados a consumir, os trabalhadores estão endividados e sufocados pelos juros altos. Começam a perder os bens que compraram e se esforçam para manter pelo menos o básico na mesa.

Além disso, não suportam saber que o país foi aparelhado e que milhares de petistas desclassificados ocupam as repartições públicos com altos salários para ocupar espaços e patrulhar os servidores independentes que não rezam na cartilha deles. 

Vingança

Em suma, Excelência, é isso o que está ocorrendo. Mas perder faz parte do jogo, coisa que o ex-presidente não quer admitir. Com seus discursos inflamados pelo país afora, Lula não está medindo as consequência dos seus atos que podem levar o país a uma crise política imprevisível se o PT perder as eleições este ano. Se isso de fato ocorrer, não se engane, os petistas, liderados por Lula, vão culpar as elites pela derrota e insuflar o povo contra o novo governo gerando uma crise institucional sem precedentes.  Certamente, não é esse comportamento que o povo brasileira espera de um líder (?). 


Xingamentos

Equivocam-se aqueles que condenam as vaias e os xingamentos à Dilma no Itaquerão. Os protestos visavam mais à candidata com 61% de rejeição em São Paulo do que a figura institucional da presidente da república. Os puristas consideram que os torcedores exageraram quando mandaram a Dilma tomar no cu. Mas esquecem que em campo torcedores xingam até 1 minuto de silêncio e a Dilma não iria passar impune aos protestos pelo governo medíocre que faz. Até a organização da Copa tentou silenciar a torcida. Do total de 62.600 torcedores, apenas 26.636 compraram ingressos. Os outros foram distribuídos para convidados da FIFA e do governo, entre eles milhares de petistas. Mesmo assim, ao aparecer no telão do estádio comemorando o primeiro gol do Brasil, Dilma percebeu como anda sua popularidade no maior colégio eleitoral do Brasil.


Em casa

Lula, prudente, depois das vaias na abertura do PanAmericano em 2007, fez bem. Assistiu ao jogo em casa, longe das manifestações dos torcedores contra o seu partido. Mas, como um boquirroto, não deixou de dar a sua opinião sobre as vaias à Dilma, numa agressão aos torcedores brasileiros: “Foi um ato de cretinice. Nossa vitória será a nossa vingança”. É assim, com essa sutileza paquidermiana, que Lula  encara a campanha à reeleição da Dilma. Espera-se, portanto, que o eleitor não revide a tanta raiva e tanto ódio do líder petista e vá também para o tudo ou nada na campanha.

Idiotices

Os sociólogos de plantão já saíram da toca para se manifestar a respeito das vaias e dos xingamentos a Dilma.  Alguns chegam ao delírio de dizer que se o presidente fosse um homem não teria sido xingado, esquecendo das vaias ao Lula no PanAmericano. Ana Thurler, socióloga, do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), saiu-se com essa: “Temos uma elite despreparada para ter uma presidenta mulher. Humilharam a mulher brasileira na pessoa da Dilma”.  Ela acha que o Fernando Henrique Cardoso não seria vaiado como “presidente homem”. Bobagem de quem torce pelo PT mas não assume para não se queimar diante da impopularidade do partido no país.


Disfarce

Thurler nao percebe que é descabida esta discussão de gênero diante do fracasso do governo da Dilma.  É a ineficiência e a incompetência da presidenta que estão em cheque e não a capacidade, a inteligência e o profissionalismo da mulher brasileira.  A Dilma mostrou-se fraca ao aceitar o  comando do Lula que lhe impôs uma administração de antigos aliados. Se formos analisar pelos estudos sociológicos da senhora Thurler, isto sim, é  comportamento de submissão e  de inferioridade da Dilma. Ao deixar que o ex-presidente dominasse o seu governo, Dilma subjugou-se as ordens do macho Lula. Concorda, senhora Thurler?


Teorias

À parte essas teorias idiotas, o que se viu, na verdade, no Itaquerão foi uma manifestação de brasileiros contra a corrupção do governo do PT. Protestos contra as obras superfaturadas dos estádios,  a falta de transporte público eficiente e as críticas a economia que corrói o salário do trabalhador. É democrático e saudável que as pessoas gritem e esperneiem contra um governo corrupto e manipulado por um partido, cuja cúpula assistiu a estreia do Brasil dentro do presidio da Papuda. 


Os russos

A organização da Copa preparou tudo para a Dilma não ser vaiada. Dias antes, a presidente fez na televisão o discurso da abertura dos jogos , distribuíram milhares de ingresso para os petistas e esconderam a presidenta no camarote, longe dos torcedores. Só esqueceram de falar para um modesto técnico de TV que a Dilma não poderia aparecer comemorando o gol do Brasil. Aí, deu no que deu. Não combinaram com os russos.

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