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Edição nº 775 / 2014

17/06/2014 - 09:48:00

SMTT muda trânsito para atender interesse eleitoreiro da vereadora Simone Andrade

Alteração causa três pontos de engarrafamento, além de duplicar trajeto dos coletivos

Redação

A proibição de circulação de ônibus coletivos e caminhões na Rua João Omena de Andrada, no Bairro do Poço, em Maceió, tem causado transtorno a motoristas e usuários do transporte coletivo da capital alagoana. A mudança feita pela Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito de Maceió (SMTT) começou a vigorar no sábado, 7 de junho, e o argumento oficial é que a alteração aconteceu após audiência pública realizada no ano passado para atender reivindicação dos moradores que reclamam de danos causados nos imóveis por causa do tráfego de veículos pesados.

Mas as informações dão conta de que o órgão fez a modificação para atender a interesse eleitoreiro da vereadora Simone Andrade, antiga moradora da região.A reclamação é que para beneficiar uma rua, a SMTT prejudicou a milhares de passageiros, pois o tempo e percurso aumentaram, além de causar três pontos de engarrafamento.

O trajeto praticamente duplicou e o caos começa desde a curva do Sesc com congestionamento de ônibus, carros e caminhões. O problema é repetido na Avenida Maceió e estendido a Avenida Aspirante Alberto Melo da Costa (antiga Av. Humberto Mendes),  às margens do riacho Salgadinho.Na verdade, a mudança não agradou a maioria da população. Na quarta-feira, 11, nas proximidades do Sesc, motoristas e agentes de trânsito não se entendiam.

Questionado por um condutor de ônibus que faz a linha Iguatemi por ter que fazer o percurso duas vezes na Avenida Maceió, o agente não soube explicar e se limitou a dizer que ainda estava em adaptação.Indignada, dona Zezé, 72 anos, que estava no coletivo, riu da situação e disse que tinha todo o tempo do mundo para chegar em casa.

Irônica, afirmou que no estado as decisões são tomadas de qualquer jeito. “Em Alagoas se anda como caranguejo, pra trás. É um absurdo atender a  meia dúzia de gente para prejudicar milhares”, comparou ao acrescentar que a reivindicação dos moradores do trecho com casas danificadas é justa, mas deveria haver bom senso por parte da SMTT.Quem costuma usar a Avenida Humberto Mendes também se diz prejudicado com a medida e argumenta que a política da SMTT deve ser voltada para a comunidade e não para uma questão localizada.

Com o engarrafamento no local, o condutor de veículo é obrigado a permanecer mais tempo na via e apreciar o cenário degradante do Salgadinho, além da fedentina. Com o novo percurso, ao invés de seguir pela João Omena de Andrade (sentido ladeira Geraldo Melo), os ônibus fazem agora o seguinte itinerário: Praça 13 de Maio, entra na Rua Esmeraldino Marinho S. Sobrinho e segue pela Rua Pedro Paulino, Avenida Maceió e Avenida Aspirante Alberto Melo da Costa (antiga Av. Humberto Mendes). Para ter acesso à ladeira Geraldo Melo, o condutor deve ficar atento ao semáforo colocado próximo ao Posto Tiradentes.


REDE SOCIAL

No dia da alteração, a vereadora Simone Andrade postou em uma rede social que sua assessoria acompanhou os trabalhos e agradeceu a iniciativa.  “Hoje pela manhã minha assessoria esteve acompanhando a 1ª etapa da mudança de trânsito no bairro do Poço junto com a SMTT.

Desde já, quero agradecer ao Prefeito Rui Palmeira, ao Superintendente da SMTT Dr. Tácio Mello e aos Moradores”, disse ao acrescentar que “os moradores da Rua João Omena de Andrade estão mais otimistas com as melhoras, e aguardando a 2º etapa para ser concluída o processo de mudança.”Na tentativa de ouvir a vereadora, o EXTRA deixou recado na sua página do Facebook, já que ela e sua assessoria postam mensagens com frequência, o que poe ser constatado por qualquer pessoa, mas até o fechamento dessa edição não houve resposta.

Órgão sabia do transtorno, mas nega ter havido ingerência política

O assessor especial de trânsito da SMTT, Roberto Barreiros, disse que a equipe técnica sabia do transtorno que a mudança iria causar e que os usuários do transporte coletivo iriam ser penalizados. No entanto, garantiu que a medida foi discutida em audiência pública com os moradores da região sobre qual seria a melhor forma de fazer com que o trânsito não tivesse tanta alteração e que o problema fosse resolvido. Inclusive, afirmou que na ocasião a proposta da SMTT foi de que apenas caminhões fossem proibidos de trafegar na rua, mas os moradores não aceitaram alegando que alguns até colocaram a casa à venda devido a rachadura nos asfaltos e até tubulações de água quebradas com o tráfego de veículos pesados.

Barreiros garantiu que o órgão nunca esteve a serviço da vereadora Simone Andrade, apenas atendeu a decisão tomada pelo coletivo. Ele afirmou que quando o trânsito foi transferido para a rua em questão, os moradores se sentiram prejudicados e entraram com ação contra a prefeitura. Na ocasião, eles argumentam que a rua é estreita, praticamente de residências, com calçadas impróprias e que não tinha estrutura para ser corredor de ônibus. “Estamos em fase de adaptação. Sabemos que solucionamos um problema e surgiu outro.  Agora, os próprios moradores vão sentir o efeito.

Vamos aguardar,” ponderou. Mas os problemas não param por aí. Pedestres que utilizam o trecho próximo ao Ministério Público Estadual reclamam que com o aumento do fluxo de veículos naquele local, alguns motoristas passaram a utilizar a calçada do órgão como estacionamento. A infração de trânsito obriga as pessoas a se aventurarem e a arriscar a vida entre os veículos.

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