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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 775 / 2014

17/06/2014 - 09:25:00

Vilela procura em Arapiraca um vice para Biu de Lira

Acordão entre governador e senador chega ao 2º maior colégio eleitoral do Estado

Odilon Rios especial para o extra

A aliança do senador Benedito de Lira (PP) e o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) traz uma surpresa no início da Copa do Mundo: a indicação do vice de Biu, na cidade de Arapiraca. Um gol de placa no acordo eleitoral entre os dois caciques, sem direito a impedimentos e colocando o nome do procurador Eduardo Tavares (PSDB) no banco de reservas das eleições 2014, sem chance de convocação ao segundo turno.

Seria a “cereja do bolo” do acordão entre Vilela e Biu: a manutenção de todos os cargos dos sete partidos no Governo; a aproximação do vice-governador José Thomáz Nonô (DEM) do palanque lirista; a assunção ao Senado do usineiro Givago Tenório (PSDB, hoje suplente de Biu); e o segundo turno, que ainda não é previsto, mas deverá acontecer com a engorda eleitoral de Eduardo Tavares, que vai empurrar Biu de Lira contra o deputado federal Renan Filho (PMDB).

Ele só precisaria alcançar entre 8% e 10% das intenções de votos. E Biu não pode despencar nas pesquisas. Daí garante-se o segundo turno. Vice de ArapiracaAnimados, os palacistas do entorno do governador dão como certa a indicação do empresário Ricardo Barreto, hoje no PSB, para a vaga de vice do senador Biu ao Governo. Ex-PP, Barreto foi vice de Rogério Teófilo (PSDB) na disputa pela Prefeitura de Arapiraca em 2010, vencida por Célia Rocha (PTB). Lembrando que Rogério tem, sim, o aval de Vilela para ser vice de Tavares.

Se não aceitar, o substituto deve ser o empresário Marcelino Alexandre, que era cotado ano passado para ser o candidato do círculo de Teófilo/Vilela contra o possível nome do ex-prefeito Luciano Barbosa (PMDB), aliado de Célia Rocha.Só que Luciano fica como vice de Renan Filho, um acordo costurado com o aval do senador Fernando Collor (PTB). Para evitar o desgaste de uma possível disputa com Renan-pai, Collor aceitou a chapa puro sangue. Ele enfrenta, nas urnas, a vereadora Heloísa Helena (PSOL). O engenheiro agrônomo Mário Agra (PSOL) será o candidato ao Governo pela legenda; o historiador Golbery Lessa sai pelo PCB, mirando o Palácio República dos Palmares.


Conforto

De volta a Biu e Vilela: na semana que passou, o governador incluiu um ingrediente a mais na confortável disputa ao Governo: a “solidão” do poder. “Defendo que Eduardo Tavares seja candidato ao governo do Estado de Alagoas, nem que seja apenas com o PSDB. Em 28 anos de mandatos, eu nunca me senti politicamente tão solitário quanto agora. Mas também nunca estive tão convicto do acerto dessa minha posição”, disse Vilela, pelo Facebook.Quem não chora não mama e o governador está às voltas com uma decisão mais importante: a “neutralidade” eleitoral do prefeito Rui Palmeira (PSDB).

O prefeito não vai votar em Eduardo Tavares. Terá uma escolha dura pela frente: votar em Renan Filho (de quem foi e é aliado) ou seguir com Benedito de Lira, por orientação do seu vice, Marcelo Palmeira (PP).Hábil articulador, Marcelo deve levar parte do secretariado para o palanque do senador. Rui ainda está à espera de uma “decisão oficial”.

A neutralidade do prefeito foi adiantada há três semanas pelo EXTRA.Alguns secretários entram neste pacote de dúvidas: Adriana Toledo (secretária Executiva do Gabinete do Prefeito) é do PSDB, assim Marcello de Oliveira Bentes (Municipal de Governo) e Juliana Vergetti (Assistência Social). Estes tucanos migram para onde?


Encenação

Vilela e Biu têm se esforçado para mostrarem que estão em lados contrários. Vilela, por exemplo, indicou os secretários para substituírem os aliados que ocupavam as secretarias de quatro dos sete partidos do entorno de Biu de Lira. Vilela pôs gente na “cabeça” das secretarias, sempre, pessoas em caráter “interino”. Para deixar as portas fechadas, com as chaves do lado de fora.Biu de Lira- que não é bobo- sabe das chaves e observa, no ninho tucano, a insatisfação do vice Nonô. Que não é de mentirinha.Nonô sabe que Vilela tem dois objetivos: apoiar o sobrinho, Pedro, a federal.

E garantir o sobrinho do cunhado do governador, João Tenório, o também usineiro Givago Tenório, a vaga de Biu de Lira no Senado.Quatro anos pela frente para um mandato com uma preocupação quase exclusiva: salvar as usinas de Alagoas da crise.Nonô também sabe que Biu tem dois objetivos: eleger o filho, Arthur Lira (PP), que corre o risco de ser preso pela meia dúzia de ações na Justiça (lavagem de dinheiro, lei Maria da Penha, condenação na Taturana); e dar de presente a vaga para Givago Tenório.

Nonô, João e Givago são sócios na TV Pajuçara- afiliada da rede Record. Givago chegou a Biu pelas mãos de Téo Vilela.Estão juntos nos negócios. E na política.

Por isso, o vice de Vilela tenta salvar o próprio partido. Não de qualquer jeito. Não é um náufrago à deriva.Nonô sabe que Eduardo Tavares serve apenas para garantir Biu de Lira no segundo turno, disputando com Renan Filho.E os candidatos a federal e estadual pelo DEM? Como ficam? Um grupo sem uma liderança com chances eleitorais desmantela.

Nonô é político profissional. E pescador na vida real.Gosta dos peixes grandes e dos mares revoltos.O DEM não pode virar uma legenda nanica em Alagoas.Por isso, Nonô sobe no único barco que lhe cabe: o do aliado do Palácio República dos Palmares, Benedito de Lira.Mostrando as ótimas relações entre os dois lados, no Diário Oficial de segunda-feira (9), Vilela oferece um “mimo” à Secretaria de Agricultura: R$ 1,9 milhão em crédito suplementar.

Daí que esta secretaria pertence a indicados de Nonô e Alexandre Toledo.Alexandre é do PSB, mas cria do PSDB. Candidato ao Senado do lado de Biu de Lira, aliado do governador, do qual todos precisam mostrar- em nome das pesquisas- desapego aos palacistas.

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