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Edição nº 775 / 2014

17/06/2014 - 09:10:00

Livro resgata ancestralidade alagoana de Mané Garrincha

DA REDAÇÃO

O livro Mané Garrincha A Flecha Fulniô das Alagoas – Mestiçagem, Futebol-arte e Crônicas Pioneiras, do jornalista alagoano Mário Lima, que será lançado na próxima quarta-feira, 18, no Museu da Imagem e do Som (Misa), em Jaraguá, traz à tona uma história adormecida - a ancestralidade alagoana do maior gênio da bola, em plena Copa do Mundo no Brasil.

Manoel dos Santos, o Mané Garrincha (1933-1983), um dos maiores jogadores do futebol mundial de todos os tempos, bicampeão do mundo pela Seleção Brasileira na Suécia (1958) e no Chile (1962), tem suas raízes plantadas em Alagoas. Seu pai, Amaro Francisco dos Santos, é alagoano de Quebrangulo, que como o avô do jogador, Manoel Francisco, vivia como índio nômade, fugindo do julgo da escravidão imposta pelo colonialismo, até a chamada diáspora fulniô, quando parte da tribo fugiu de Águas Belas, em Pernambuco, para terras alagoanas.

 “A vida de Mané Garrincha é uma história de tirar o fôlego. O livro tenta mostrar os vínculos do inventor do futebol-arte com sua terra-mãe, onde chegou a jogar e a vestir o manto sagrado do Centro Sportivo Alagoano (CSA) e do gigante alvinegro ASA de Arapiraca.

O trabalho traz depoimentos de jogadores alagoanos, também campeões do mundo, como Dida e Zagalo, que jogaram com Mané nas Copas, e toda a trajetória do craque, da glória ao ocaso”, assinala o autor.Nelson Rodrigues, um dos cronistas esportivos mais importantes da história do futebol brasileiro, visionário e fã número um de Garrincha, já previa como o Brasil trataria seu herói. “Somos um povo de tão pouco amor, e com tal destino suicida, que na primeira esquina tratamos de esquecer o herói que nos restava.

De 1966 para cá, Garrincha foi mais irrelevante, mais secundário, mais apagado do que um cachorro atropelado.”A obra também resgata a importância da mestiçagem – a entrada em campo dos jogadores negros, mulatos e índios – na evolução e popularização do futebol nacional, bem como a propagação deste momento da história do futebol pela crônica esportiva pioneira.

“Queremos lembrar aos conterrâneos e aos brasileiros que a gênese de um dos maiores jogadores de futebol do mundo foi aqui em Alagoas, em terras agrestinas e sertanejas. Foi aqui que o pai e o avô de Garrincha plantaram suas raízes de índio fulniô, para fugir do jugo da escravidão, e depois da pobreza, quando migraram para o Rio de Janeiro, onde nasceu Garrincha, a alegria do povo, a flecha fulniô que partiu das Alagoas”, diz Mário Lima.

O livro é tributo ao gênio da bola, que deu ao País os dois primeiros títulos mundiais, exatamente quando o Brasil recebe a Copa do Mundo, em junho. Uma leitura contemporânea para a juventude e para quem não viu Garrincha jogar e possa saber e entender sua história de glória e ocaso, de sua importância para que o Brasil seja hoje o “País do Futebol”, hegemônico no planeta, em busca do hexacampeonato.

 “Para nós, alagoanos, o livro traz um viés muito especial e que nos enche de orgulho e admiração: as raízes de Mané Garrincha estão plantadas em Alagoas, em terras do Agreste e do Sertão, onde nasceram e viveram seus pais e avós, como índios indomáveis, driblando a escravidão e a pobreza”, assinala o jornalista Márcio Canuto, na orelha do livro, que tem a apresentação do jornalista Lauthenay Perdigão e o prefácio do antropólogo Sávio de Almeida.

O livro faz uma releitura ampliada da primeira parte do livro do maior biógrafo de Garrincha, Ruy Castro – Estrela Solitária um Brasileiro chamado Garrincha – escrito há dez anos, em 1994 - onde ele abre sua narrativa exatamente com a saga dos pais de Garrincha por terras pernambucanas e alagoanas.

Foi de Castro a descoberta da ancestralidade indígena de Garrincha. “Um fato curioso que narro no livro, foi uma entrevista que fiz com o cacique dos fulniô, Francisco Manoel dos Santos, no final de 2013, então com 87 anos, na aldeia de Águas Belas, onde hoje se concentra o maior contingente da tribo.

Ele me disse que só soube que Garrincha era índio fulniô, depois da publicação do livro de Ruy Castro, mas que hoje sentia orgulho de ter um bicampeão oriundo de seu povo. Outro livro, um clássico do jornalismo esportivo – O Negro no Futebol Brasileiro, do pioneiro do jornalismo esportivo Mário Filho, também fala sobre a mestiçagem de Garrincha. As crônicas da época também relatam, e até tornam líricos o lado de selvagem indomável de Garrincha”, finaliza o jornalista Mário Lima.

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