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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 774 / 2014

11/06/2014 - 10:15:00

Partidos liderados por Biu mantêm mais da metade dos comissionados no Governo

Governador e senador encenam rompimento político enquanto fecham apoio do Governo ao projeto pepista

Odilon Rios especial para o extra

O governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) e o senador Benedito de Lira (PP) inauguraram uma nova forma de oposição: a encardida. É aquela que lava, esfrega e não sai da administração de jeito nenhum. Mesmo assim, os dois  tentam um novo rumo na sobrevivência eleitoral. Um caminho que vai na contramão da pesquisa Ibope, divulgada na semana passada.

Isso porque o apoio de Vilela representa uma enorme pedra amarrada ao pescoço, afundando qualquer candidato postulante ao Palácio República dos Palmares ao fundo do rio da aposentadoria na política. Motivos, aliás, não faltam para o desgaste administrativo nos oito anos e de problemas  apontados como sem solução pelo alagoano como saúde e educação.

Por  isso, no dia 26 de maio, após reunião no gabinete de Vilela, Benedito de Lira e o governador sorriam e se despediam montando uma das encenações mais extraordinárias dos últimos tempos no palco político alagoano: a entrega de cargos indicados por Biu e mais seis partidos - entre eles o PSB, o PPS e o PR.

Mas, na prática, poucos foram demitidos. “Sacrifício” necessário: dar ares dramáticos à nova “oposição encardida” para eleger Biu de Lira com apoio do governador (mesmo discreto) para dar sua vaga ao Senado ao usineiro Givago Tenório, suplente de Biu, e ajudar o sobrinho do governador, Pedro Vilela, a conquistar vaga a deputado federal.

Na lista dos sacrificáveis, Napoleão Casado (Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos), Josicleide Moura (Educação e Esportes), Kátia Born (Mulher, Cidadania e Direitos Humanos) e Celiany Rocha Appelt (Assistência e Desenvolvimento Social).Vilela e Biu contavam com a própria astúcia. Um rompimento político é algo que deixa rachaduras enormes dos dois lados. E não houve nada disso. Os 1.106 cargos da Educação, por exemplo, seguem sob indicação de Biu de Lira, assim como os 44 existentes na Assistência e Desenvolvimento Social.

A Secretaria de Aquicultura e Pesca continua com o PPS. Tem 44 cargos à disposição da legenda. A Secretaria da Mulher, Cidadania e Direitos Humanos tem 78 cargos ocupados por indicados do PSB. A do Meio Ambiente e Recursos Hídricos também tem 85 cargos sob a batuta do PR.Saldo do “sacrifício”: a manutenção de impressionantes 1.357 cargos - contando apenas estas secretarias. Ao todo, o Governo tem 3.266 cargos comissionados e funções gratificadas - os sete partidos tem quase a metade dos cargos. E quem saiu? Foi substituído por integrantes das secretarias, indicados aos cargos pelos partidos.


Tudo mudado para ficar como está Assim, as eleições em Alagoas vão tomando um rumo definido. O Governo decidiu ter um palanque duplo, com o procurador Eduardo Tavares (PSDB) fazendo papel de candidato oficial do governo, com o apoio do PSDB e DEM; e o senador Biu de Lira com seus sete partidos concorrendo, de fato, com o apoio indireto do Palácio dos Martírios.

Pressionando duas pequenas legendas – o PROS e SDD – para ampliar as chances da chapa proporcional, principalmente de seu sobrinho Pedro Vilela, candidato a deputado federal, Téo também acalmaria o vice-governador José Thomaz Nonô (DEM), que continua duvidando da viabilidade de ser postulante ao Senado nesta frente estreita.O próprio Benedito de Lira vê com simpatia o esforço do governador, na medida em que depende do crescimento de Eduardo Tavares para alcançar um segundo turno.

Na oposição, fica consolidada a aliança de três ex-adversários: o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), o senador Fernando Collor (PTB) e o ex-governador Ronaldo  Lessa (PDT). Uma aposta também na administração apagada da atual equipe estadual, mais a divisão permanente de um Governo que nunca teve comando ou um projeto claro, gerando a queda da popularidade de Téo Vilela, que é reprovado por 52% dos alagoanos, segundo o Ibope.


Pesquisa

A segunda pesquisa do Ibope trouxe novidades. Em relação ao primeiro levantamento de março, o posto de governador, sem constar mais o nome do presidente do Senado, estará sendo disputado entre Renan Filho e Biu de Lira, acompanhados, bem distante, por Eduardo Tavares e Mário Agra, do PSOL.

Na primeira pesquisa, Renan Filho e Biu de Lira apareciam empatados com 29 pontos; agora houve um distanciamento pró-Renan Filho de dez pontos. Pelo resultado do Ibope, Renan venceria já no primeiro turno.

Neste momento, essa informação influencia aos que estão em cima do muro e outros políticos ainda sem definição. Com maiores possibilidades, Renan atrairá mais reforços.Biu de Lira é alvo de várias denúncias, como a do doleiro Alberto Youssef, que também atingiram seu filho, o deputado federal Arthur Lira (PP), que passou dias difíceis no cenário nacional e estadual, e é um provável peso no resultado negativo da pesquisa.

Eduardo Tavares, ex-secretário relâmpago da Defesa Social, alcançou os simbólicos 4% de votos, muito pouco para uma pesquisa no mês de maio. O candidato tucano irá, no plano estadual, carregar o fardo dos problemas a serem denunciados na campanha nas áreas de segurança, educação e saúde; e, no plano presidencial, servir de palanque ao senador Aécio Neves (PSDB/MG) que, em Alagoas, não terá o apoio integral nem mesmo do Palácio dos Martírios.

O candidato tucano ao ser questionado sobre seu isolamento respondeu que “prefiro só que mal acompanhado”, numa crítica direta aos ex-secretários que estão com Biu de Lira.Mário Agra ainda não conseguiu sintonizar com os votos de protesto que sempre garantem uma votação próxima a 10% em Alagoas.Para o Senado, a pesquisa aponta a consolidação de Fernando Collor no seu patamar de 38%, o mesmo de março.

A vereadora Heloísa Helena (PSOL), a sua mais próxima adversária, teve uma queda de 6 pontos percentuais, influenciados talvez pela confirmação da entrada de Nonô e Alexandre Toledo na disputa.Com quatro candidaturas dividindo o bolo que não tem segundo turno, Collor será o beneficiado direto, pelo seu alto nível de aceitação numa parte do eleitorado, assim como de rejeição do outro, principalmente em Maceió.

Heloísa Helena deverá crescer, como sempre acontece, com o horário eleitoral.Alexandre Toledo, mesmo mudando de posição, saindo de pré-candidato ao governo para disputar uma vaga de Senado, mostrou um bom resultado (apesar de ocupar a terceira colocação no índice de rejeição, perdendo para Collor e Nonô) e deverá crescer com o apoio de Biu de Lira e da Cooperativa dos Usineiros, interessados na eleição do candidato do PP, que abriria uma vaga para Givago Tenório, suplente de Biu e membro do poderoso Sindicato do Açúcar.Os donos de usinas, aliás, não dormem e já estão preparando seus pimpolhos.

O PSDB estará apresentando dois jovens herdeiros do açúcar. A família Toledo está lançando o jovem Bruno Toledo, filho do presidente da Assembleia Legislativa, Fernando Toledo, e a família Canuto, do Pilar, estará promovendo Renato Canuto, filho da atual secretária de Desenvolvimento Social, Fátima Canuto.As eleições presidenciais deverão influenciar em Alagoas. Os dois mais fortes candidatos disputam o apoio e a imagem de Lula e Dilma em Alagoas pelas obras e pelo vínculo estreito com Brasília.

Biu de Lira se nega a declarar apoio exclusivo ao ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), alegando não ser oposição a Dilma e sim “um defensor de Alagoas”.Neste caso, abriria espaços tanto para Dilma como para Eduardo Campos em seu palanque.Renan  Filho assume com mais força esse apoio e essa identidade. Como Dilma ficou com 52% do apoio no Estado, Campos com 12% e Aécio com apenas 8% é provável que esse resultado beneficie a Renan Filho com mais força.

Os nomes dos vices nas quatro chapas devem ser definidos mais próximo às convenções. Sem muita atratividade, o vice do PSDB deverá ser algum político sem chances eleitorais. O PSOL de Mário Agra deverá apresentar um nome vinculado  aos movimentos sociais e militante de um partido aliado.

No PMDB, Luciano Barbosa confirmou seu interesse em ir para a Câmara dos Deputados e está com apoio forte em sua região, Arapiraca, apesar de ser cotado como o “vice dos sonhos” de Renan Calheiros.Outro nome possível é da ex-prefeita de Santana do Ipanema Renilde Bulhões, do PTB, apoiada por Fernando Collor.

A pressão do PT nacional especialmente do ex-presidente Lula é pelo nome do deputado Judson Cabral que agradaria, pela primeira vez, a todo o PT local e prepararia um nome para disputa de prefeito em 2016. Judson avisou, em carta ao partido, que não quer e vai para a reeleição. Mas, política é como uma nuvem, ora está de um jeito, ora de outro, diria o ex-governador de Minas, José de Magalhães Pinto. E nos dois grupos polarizando a eleição, palanque fechado mesmo só depois das convenções.

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