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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 774 / 2014

11/06/2014 - 09:50:00

Aposentado por invalidez, Chico Tenório quer reeleição para escapar de crimes

Delegado vai receber R$ 20 mil e tenta segurar imunidade parlamentar para escapar da prisão

Odilon Rios Repórter

Cercado por investigações que vão desde compra de votos a assassinatos, o deputado federal Francisco Tenório (PMN) - que tenta se reeleger para evitar a prisão - foi aposentado esta semana pelo governador Teotonio Vilela Filho (PSDB). Chama a atenção a conclusão da Junta Médica do Estado: aposentadoria por invalidez. Apesar do esforço da Secretaria Estadual de Comunicação e até o fechamento desta edição do EXTRA não foi possível saber as causas alegadas para a aposentadoria de Chico, que continua na função parlamentar (é candidato à reeleição).

Não é a primeira vez que ele tenta se tornar um inválido ou incapacitado - menos para voar sob os céus de Brasília.Acusado de matar o policial militar José Gonçalves da Silva Filho, Chico Tenório tentou alegar que sofria de insanidade mental.

A estratégia veio à tona no ano de 2011. O chamado “incidente processual” foi instaurado em 3 de maio daquele ano. E arquivado no dia 5 - dois dias depois, a pedido do próprio Judiciário.Francisco Tenório estava preso há dois meses neste período - conduzido por agentes da Polícia Federal, 48 horas após perder o mandato de deputado federal. De onde só voltaria dois anos depois, com a vitória de Célia Rocha à Prefeitura de Arapiraca. Chico era suplente de Célia na Câmara Federal.

 Além da morte do cabo Gonçalves, Chico é acusado também de matar Cícero Sales Belém e Alfredo Raposo Tenório - assassinados em novembro de 2005 na avenida Durval de Góes Monteiro, a poucos metros do Aldebaran- onde morava o então parlamentar. Os dois foram mortos como “queima de arquivo”, segundo o Judiciário. 

Lista de crimes

No final de maio, o desembargador eleitoral Luciano Guimarães Mata- antes do final do seu mandato- remeteu ao juízo da 5ª Zona Eleitoral- na cidade de Chã Preta- um pedido da Procuradoria Geral da República: arquivamento de um processo por compra de votos. Nas eleições de 2008, conforme o inquérito policial, Chico oferecia até R$ 1.000 aos eleitores para votar na mulher dele Rita Coimbra.

Os federais descobriram um computador na sede do PT em Chã Preta. Lá, os cadastros dos eleitores. Até um funcionário de Rita - que era prefeita de Chã Preta, disputando a reeleição - era obrigado a pintar de casa com garantia do voto para não perder o emprego. Isso foi em 2008. A PGR pediu o arquivamento e a  decisão foi comunicada ao juízo da 5ª Zona Eleitoral. No mesmo mês de maio, a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), acatou pedido do Ministério Público Federal e desmembrou uma ação penal da Operação Taturana contra Chico. Ele é acusado no desvio de R$ 300 milhões da folha de pagamento da Assembleia Legislativa, através de empréstimos bancários tomados nos bancos Bradesco e Rural. 

Afora seu crime mais famoso: em 9 de maio de 1996, Chico- com um consórcio de deputados- foi acusado de matar o cabo da Polícia Militar José Gonçalves da Silva Filho. Segundo os magistrados da 7ª Vara Criminal da Capital - com base na ação  movida pelo Ministério Público Estadual- o chefe da gangue fardada, o ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante- contou que cabo Gonçalves passou a trabalhar para o deputado João Beltrão “praticando todo tipo de crime”, a mando de Beltrão. Cabo Gonçalves fazia parte da “turma do João Beltrão”, em Coruripe.

Após sofrer um atentado, Gonçalves passou a trabalhar para Francisco Tenório. O que não agradou Cavalcante - era chamado de “desafeto” do ex-tenente-coronel.Manoel Cavalcante passou a contactar com o presidente da Assembleia- na época o deputado Antônio Albuquerque - “com o escopo de solucionar aquele impasse, pois segundo João Beltrão o Cabo Gonçalves estaria vindo para Alagoas para assassiná-lo”.

Na fazenda de Antonio Albuquerque, no município de Limoeiro de Anadia, teria sido articulada a morte de cabo Gonçalves. Um dos réus neste processo - Jaires da Silva Santos- tentou, mas não conseguiu, a rejeição da denúncia em janeiro. O juiz Geraldo Cavalcante Amorim negou o pedido.

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