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18 de Setembro de 2018

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Edição nº 774 / 2014

11/06/2014 - 09:24:00

Falta de manutenção em rede de esgoto causa transtornos a moradores e turistas

População critica atuação dos governos e diz que a orla da Pajuçara se transformou em um Salgadinho II

Maria Salésia [email protected]

A beleza da orla de Maceió, com suas jangadas, piscinas naturais,  coqueirais, águas mornas e de cor que varia do verde esmeralda ao azul turquesa se confunde com a falta de saneamento básico. Moradores, comerciantes e turistas reclamam do descaso do poder público com a região e afirmam que o transtorno se arrasta por décadas.

As chamadas línguas negras (manchas de esgoto no encontro com as águas do mar) estão em alguns pontos nas praias de Pajuçara, Ponta Verde e Jatiuca, a área nobre da capital alagoana.

Como se não bastasse, a falta de manutenção da rede de esgoto e desobstrução de galeria e boca de lobo causam mais prejuízos e contribuem para agravar o problema.Na Rua Júlio Plech Filho, na orla de Pajuçara, o constrangimento é constante. A cada período de lua Cheia ou Nova, a maré sobe e a areia fecha a saída da água pluvial.Como a rede não suporta o volume de água, o local se transforma em um rio, misturado com esgoto. Fedentina, mosquitos e sujeiras completam o cenário de degradação.

Na última “invasão”, e cansados de esperar pelos órgãos competentes, moradores e comerciantes utilizaram pá e picaretas para retirar a areia, mas reclamam que “isso é coisa antiga”.As opiniões se dividem. Algumas pessoas atingidas diretamente dizem que o problema é causado pela  Casal que não faz manutenção regularmente e para agravar a situação a “bomba está queimada há mais de 15 dias, o que aumenta o mau cheiro na área.

“A associação dos barraqueiros da orla doou bombas, mas elas sumiram”, lamentou  um comerciante. Ele acrescentou que  há épocas em que os moradores dos prédios vizinhos não conseguem utilizar o elevador porque não funciona devido à invasão das águas. “A Pajuçara se transformou em um Salgadinho II. Nossos governantes deveriam criar vergonha na cara e olhar mais para esse cartão postal que está abandonado e não temos perspectivas de dias melhores”, concluiu.

Outros atribuem o problema à Secretaria Municipal de Infraestrutura e Urbanização (Seminfra)  que não faz manutenção nas redes de drenagem.  “Da última vez, quando a água começou a subir na rua ligamos para a secretaria de Infraestrutura, mas como passava das 16 horas a resposta  foi que só podiam fazer alguma coisa no dia seguinte porque não tinha mais ninguém no órgão disponível para sanar o problema. Daí furamos o cano e a areia saiu”, criticou um morador. 

PROJETO 

O assessor de manutenção de galerias e canais, da Seminfra, Adeilton Ribeiro, disse que dois problemas afetam a região. O de mau cheiro é de responsabilidade da Casal, devido aos problemas de saneamento. Mas como pertence a outro órgão não poderia se manifestar. Explicou, contudo, que o esgoto cai na galeria e causa o problema.

Ribeiro disse ainda que a tamponagem de saída de água para a praia nem sempre acontece por conta da maré, mas pelos ambulantes que fecham o bueiro para que o local pareça bonito aos turistas. “Temos uma equipe constante na  manutenção. Às vezes notificamos os ambulantes, mas quando saímos eles voltam a fechar”, explicou o assessor.Segundo ele, o problema vem de outras gestões e o prefeito Rui Palmeira já conhece a situação. Inclusive, existe um projeto para fazer uma rede de captação de águas, mas  será resolvido por etapas. 

“Não vai ser de uma hora para a outra, pois existe todo um trâmite legal”, frisou.casal dá sua versão  A Casal, através de sua assessoria, disse que  a solução das línguas negras passa por ações da prefeitura, da Casal e, em alguns casos, da Secretaria de Infraestrutura do Estado. E garante que estes órgãos não estão de braços cruzados: eles se reúnem periodicamente para discutir alternativas de solução não apenas para as línguas negras, mas para os problemas de esgotamento sanitário de uma forma geral. “Algumas sugestões, frutos de reuniões, já foram postas em prática, como o esgotamento de pequenas lagoas formadoras de línguas negras.

Outra sugestão que virou projeto e deverá ser executada em médio prazo foi a construção de uma linha expressa de coletor entre a Pajuçara e o emissário submarino, o que desafogaria o fluxo de esgoto que passa pelos coletores da Casal e suprimiria a maior parte das línguas negras existentes ao longo das praias da zona baixa norte de Maceió”, diz nota enviada pela assessoria.

Ainda segundo o órgão, a Casal já vem adotando medidas para eliminar os problemas de esgotamento sanitário dessa região, como limpeza e desobstrução do coletor de esgoto situado entre as praças Lions (Pajuçara) e 13 de Maio (Poço), a desobstrução de redes de esgoto e limpeza de ruas situadas no principal centro gastronômico da cidade.

Outro fator que contribui para o problema é que parte da estrutura de esgotamento sanitário de Maceió ainda é antiga e precisa ser renovada, o que a Casal vem fazendo aos poucos, com recursos próprios.”Renovar toda a estrutura do esgotamento sanitário de Maceió não é uma tarefa que se realize em curto prazo, pois depende de recursos e de obras por toda a cidade. Desde 2007, a Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra) investiu mais de R$ 100 milhões, sendo que R$ 15 milhões desse montante foram aplicados na recuperação de coletores de esgoto danificados, obras como as realizadas na parte baixa de Maceió”. 

BUEIROS

Diz ainda a Casal que os casos de entupimentos de bueiros ocorrem com mais frequência em período chuvoso, quando a água carreia a sujeira das ruas para esses pontos. O excesso de material sólido de todo tipo obstrui esses locais. “Há também casos em que o lixo é jogado diretamente nas redes de esgoto e nas galerias de águas pluviais, causando entupimento e agravando o problema das línguas negras”.

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