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Edição nº 774 / 2014

11/06/2014 - 08:52:00

Cadeia foi feita para pobres

Alari Romariz Torres Aposentada da Assembleia Legislativa

Os jornais da semana passada trazem a notícia da condenação de um deputado federal, filho de um senador. Possivelmente, não poderá ser candidato. Nada certo; alguns recursos poderão surgir.

Quando era presidente do Sindicato da Assembleia, o moço era primeiro-secretário do Legislativo e tinha no seu computador a folha de pagamento e quem se arriscasse a mexer no documento, levava um ¨belo pito¨.Certa vez, um diretor implantou novos salários dos ex-deputados, resultado de uma ação judicial e quase perde o emprego. Era uma verdadeira ditadura!Fez absurdos como 1º secretário até que foi indiciado pela Polícia Federal e virou ¨taturana¨.

Mesmo assim, elegeu-se deputado federal e continua no poder até hoje. Ele atrapalha o pai e não será impedido de ser candidato.     Nesse processo dos ¨taturanas¨ entraram vários companheiros. Foram indiciados por terem acreditado nos parlamentares. Estão ameaçados de perderem o emprego e terem que devolver o dinheiro recebido.

Como não possuem imunidade parlamentar, podem ser condenados antes de os verdadeiros culpados serem punidos.Tempos depois vieram os Taturanas II. Mais uma vez companheiros se deixaram levar pelo bom papo dos dirigentes. Alguns foram afastados do cargo de direção e outros se arriscaram  escondendo informações, levando computadores para casa, tentando escon

der erros praticados pelos membros da Mesa Diretora.Observo políticos que vão ser candidatos em 2014 e muitos são indiciados em processos; alguns conseguirão. Ainda não vi, ou vi muito pouco, pessoas que foram impedidas de concorrer às eleições. Lembro-me de poucos casos!!!Um amigo que foi preso pela Polícia Federal na Operação Taturana disse-me o seguinte: ¨Não fui visitado por um só deputado¨. Mas, continua em cargo de confiança, fazendo tudo o que a Mesa manda.

Acho que gostou da experiência de aparecer na TV sendo preso.Os Taturanas I já vão para 10 anos e ninguém foi preso. A maioria se reelege e continua como deputado estadual, federal e prefeito. Os processos são longos, os juízes ameaçados, as pressões muito fortes e por aí vai...No caso dos mensaleiros, nota-se que  as pessoas mais simples,  sem mandato, se expõem menos, não pedem para trabalhar, para ter direito à prisão domiciliar ¨adoecem¨menos. As estrelas, tipo Genoíno e Dirceu, continuam na mídia e cheias de regalias. Recebem visitas fora de hora, refeições vindas de fora.

Como sempre, a tal imunidade parlamentar funciona até na cadeia.Em Alagoas é engraçado: toda Mesa Diretora da ALE foi afastada pela Justiça, está sendo investigada pelo Ministério Público Estadual e um diretor foi afastado. Mas, os parlamentares que dirigem o Legislativo são candidatos à reeleição e devem sair vitoriosos.   

 Existem Taturanas I e II. Até agora, só um está antevendo a possibilidade de não poder sair candidato por ter a ¨ficha suja¨. Não existe ainda a certeza.Recentemente um grupo político rechaçou outro porque era envolvido em processos criminais. Ficamos assustados: são poucos os políticos em Alagoas  que não estão envolvidos em processos, uns tiveram que se afastar dos cargos para não serem cassados e renegam algumas figuras que podem atrapalhar as eleições de outras menos negativas.    

 Enquanto os políticos riem da população pois cometem crimes e não são punidos, pobres coitados que roubam galinhas, assaltam, matam, estão presos. Não defendo ladrões, assaltantes, criminosos. Acho apenas que o crime do colarinho branco tem um julgamento muito lento e os culpados, em sua grande maioria, ficam soltos e exercem cargos elevados e representativos.É uma grande tristeza ver políticos na TV, nos jornais e saber que eles roubaram, mataram e estão soltos, zombando da opinião pública.

Enquanto isso na cadeia mofam pequenos criminosos que, as vezes quando são julgados, as penas já foram cumpridas. Ou, em alguns casos,  são inocentes, foram presos por engano.Chegamos à triste conclusão: só os pobres vão para a cadeia. Rico fica em casa, esperando julgamento.

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