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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 773 / 2014

04/06/2014 - 11:22:00

Luis Otávio Gomes contratou uma ‘‘refinaria de papel’’ para Alagoas

Unidade seria instalada no pólo de Marechal Deodoro para refino de 5 mil barris/dia de petróleo

Vera Alves [email protected]

No escândalo que envolve o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, um dos principais investigados na Operação Lava Jato da Polícia Federal, Alagoas está no foco dos negócios suspeitos que apontam para um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o doleiro Alberto Youssef.

Alagoas seria um dos  quatro estados onde Paulo Roberto pretendia instalar uma refinaria através de sua empresa, a REF Brasil-Refinaria de Petróleo do Brasil. Os outros três são Ceará, Sergipe e Espírito Santo. O acerto foi feito entre o ex-secretário do Planejamento e de Desenvolvimento Econômico, Luiz Otávio Gomes, conhecido no meio empresarial e político como LOG, em janeiro último, pouco antes de deixar o comando da pasta.

Luiz Otávio é citado textualmente na matéria de capa da edição desta semana da revista IstoÉ, “Refinarias de papel - O golpe de mais de R$ 1 bilhão que o ex-diretor da Petrobras estava preparando”. Foi com o ex-secretário que o diretor financeiro da REF Brasil,Luiz Henrique Correa, se encontrou no dia 24 de janeiro último para acertar os detalhes dos incentivos fiscais a que a empresa teria direito para instalação do empreendimento.

Durante o encontro, realizado na sede da Seplande, LOG comemorou a vinda da refinaria, já batizada de Refinaria Alagoana Ltda. e com área de instalação também já definida: o Polo Multifabril José Aprígio Vilela, localizado em Marechal Deodoro. Os registros do encontro são da própria assessoria de Imprensa da pasta (http://www.seplande.al.gov.br/sala-de-imprensa/noticias/2013/empresa-garante-instalacao-de-refinaria-em-alagoas).

LOG deixou o comando da Seplande, que assumiu ainda no primeiro mandato do governador Teotonio Vilela (2007), no dia 6 de fevereiro último, 13 dias após ter firmado a parceria com a empresa de Paulo Roberto Costa. Diferentemente de outros assessores de primeiro escalão, a saída dele não se deu com vistas às eleições, mas para se dedicar a seus negócios na iniciativa privada.

O imbróglio remonta ao final de agosto de 2012, quando, recém-saído da Diretoria de Abastecimento e Refino da Petrobras e após 35 anos e três meses trabalhando na estatal, da qual é funcionário aposentado, Paulo Roberto criou a Costa Global, uma empresa de consultoria e através da qual deu início aos primeiros contatos para implantação das pequenas refinarias de petróleo, as chamadas minirrefinarias.

Em meados de junho de 2013, o site da própria consultoria anunciava a criação, por ele, da holding REF Brasil(http://www.costaglobal.com.br/ex-diretor-da-petrobras-cria-holding-de-minirrefinarias-privadas-no-brasil-18062013-2/). E o detalhe: resultado de uma sociedade entre a Energio, uma empresa especializada em projetos eólicos, e a Costa Global, ela já nascia com quatro subsidiárias, batizadas de Refinaria Capixaba (ES), Sergipana (SE), Cearense (CE) e a Alagoana (AL).

Todas tinham em comum o investimento de R$ 120 milhões, criação de 250 empregos diretos e indiretos e o refino de 5 mil barris/dia de petróleo para produção de gasolina,diesel e óleo combustível.

No caso de Alagoas, a minirrefinaria seria instalada numa área de 100 mil metros quadrados no pólo de Marechal Deodoro contando, para isto, com incentivos fiscais, creditícios e locacionais concedidos através do Programa do Desenvolvimento Integrado de Alagoas (Prodesin).

As negociações para o empreendimento, contudo, datam de um ano atrás. A 22 de maio do ano passado, o jornalista Edivaldo Junior já anunciava, em seu blog, que o estado seria contemplado com uma minirrefinaria.

O detalhe: Paulo Roberto Costa, na época, foi citado como diretor da Bmipar, empresa que estaria interessada em investir R$ 70 milhões em Alagoas para consecução do projeto.

No texto - cuja íntegra pode ser conferida no endereço eletrônico http://blogsdagazetaweb.com.br/edivaldojunior/politica/na-feira-al-pode-ganhar-minirefinaria-de-petroleo-de-r-70-mi - , ao falar sobre os resultados da participação de Alagoas na Feira Internacional de Plásticos (Feiplastic), realizada em São Paulo (SP), o jornalista creditou a informação a André Pafer, superintendente de Indústria, Comércio e Serviços da Seplande e que ainda hoje permanece na pasta no cargo de secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico.

Estranhamente, o EXTRA não conseguiu obter informações sobre a Bmipar. Os escassos registros encontrados dão conta de que a mesma se enquadra na atividade econômica de holdings de instituições não-financeiras e teria sido fundada em outubro de 2008 com o nome fantasia de Bmi Participações S/A e sede em Copacabana, no Rio de Janeiro, não por acaso a cidade em que Costa reside e onde fica a sede da REF Brasil.


LOG NÃO RESPONDEO

EXTRA tentou ouvir o ex-secretário Luiz Otávio Gomes. Em viagem a Nova York (EUA), com previsão de retorno para ontem à tarde, de acordo com sua assessoria, ele foi contactado através de dois e-mails que, a despeito de terem sido lidos, não tiveram resposta até o fechamento desta edição.

A LOG foram pedidos esclarecimentos acerca das negociações com Paulo Roberto Costa e o fato de o governo ter imputado a duas empresas distintas a consecução do projeto em negociações engendradas pela e com a mesma pessoa.De acordo com a reportagem da IstoÉ, com base nos documentos que apreendeu na casa de Costa, incluindo os contratos sociais das quatro refinarias, a Polícia Federal suspeita que o negócio não passaria de teatro e que o objetivo de Costa era criar um ativo de papel para ser revendido a empresas parceiras e negociá-lo também no mercado financeiro, captando recursos públicos e privados que seriam enviados a empresas offshores com sede em paraísos fiscais.

A suspeita foi reforçada pela participação no projeto da Energio Energias Renováveis, que tem por sócios Francisco José Machado de Sant’Anna e Rubens Andrade, este último sócio do doleiro Alberto Youssef na CSA Finance Project e com um agravante: a empresa captou R$ 433 milhões em empréstimo no Banco do Nordeste (BNB) mais um financiamento de R$ 525 milhões junto à Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) para construção de 40 usinas de energia eólica que nunca saíram do papel.

ENTENDA O CASOO ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa foi preso acusado de envolvimento no esquema de lavagem de dinheiro desbaratado pela Polícia Federal na Operação Lava Jato. Deflagrada no dia 17 de março último com o objetivo de desarticular organizações criminosas que atuavam no mercado clandestino de câmbio no Brasil, a operação resultou em quatro inquéritos e o indiciamento de 46 pessoas pelos crimes de formação de organização criminosa, crimes contra o sistema financeiro nacional (operar instituições de câmbio sem autorização, falsa identidade em contrato de câmbio e evasão de divisas), falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. O esquema, segundo a PF, teria movimentado R$ 10 bilhões.

No último dia 19, por determinação do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), Paulo Roberto Costa deixou a carceragem da PF em Curitiba (PR) onde estava preso. Ele foi, aliás, o único a ser solto após uma trapalhada do ministro que anteriormente havia determinado a liberação de todos os 11 presos da Operação Lava Jato e se viu obrigado a retroceder por conta de um alerta do juiz federal responsável pelo caso, Sérgio Moro, que pediu esclarecimentos ao STF sobre a abrangência da decisão. O magistrado advertiu que os doleiros que estão presos mantêm contas no exterior, com valores milionários e que havia risco de fuga. Tido como cabeça da quadrilha, Youssef permanece sob custódia da PF.

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