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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 773 / 2014

04/06/2014 - 11:18:00

Baú de doleiro sacode meio político em Alagoas

Efeito na campanha eleitoral das denúncias é imprevisível; Arthur Lira é o único que permanece calado

Odilon Rios Especial para o Extra

Em meio ao tiroteio da campanha eleitoral, a abertura do baú do doleiro Alberto Youssef promete sacudir o palanque alagoano com a citação de personagens da política local. Os senadores Fernando Collor (PTB) e Benedito de Lira (PP) aparecem em matéria da revista Veja, que circulou na semana passada.

O deputado federal Arthur Lira (PP) - assíduo frequentador das páginas policiais - e filho de Biu, ilustra sua foto na visita ao escritório de Youssef, chamado pela Veja de “versão recente da então discreta agência brasiliense do Banco Rural”- banco considerado peça-chave do núcleo financeiro do mensalão e  punido na semana passada pelo Banco Central por má prática bancária. O banco fechou as portas.Collor e Benedito de Lira reagiram. Negaram a ligação com o doleiro.

Collor não é investigado, segundo informa o próprio juiz Sergio Fernando Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba, ao falar dos comprovantes de depósitos bancários endereçados a Collor e que estavam no escritório do doleiro no momento da busca e apreensão da Operação Lava Jato. São oito depósitos bancários fracionados, em espécie, de R$ 1,5 mil; R$ 9 mil; R$ 1,5 mil; R$ 9 mil; R$ 8 mil; R$ 9 mil; R$ 8 mil e R$ 4 mil. Collor não revelou a origem dos depósitos. Veja publicou a documentação com o nome do senador.Ao mesmo tempo, é conhecida a briga entre Collor e a Veja. Revista de maior circulação nacional, ela foi condenada a pagar R$ 1 milhão, por ofensas morais, a maior da história da imprensa e dos crimes por calúnia e difamação. Isso foi em abril. 

O senador qualificou as notícias veiculadas como “mais uma desmesurada tentativa de criminalização de quem não cometeu crime algum”. E referindo-se à revista Veja, disse que toda essa “rasteira manobra midiática”, tem como pano de fundo “o inconformismo, a revolta e a sordidez de um veículo de comunicação, que se diz responsável, mas que não se conforma em ouvir a verdade, em aceitar a realidade de uma história que tem que ser reescrita e, menos ainda, em perder processos na justiça”, diz nota de Collor, distribuída à imprensa.

Segundo o senador, as informações sobre os depósitos foram manipuladas, usando “a velha tática de transformar o fato isolado em principal, e o principal, de maior relevância, em mero detalhe”, e disse que desde a primeira reportagem sobre o assunto – publicada em abril, com informações que ele questiona se foram adquiridas dentro de critérios legais – já ficou clara a intenção da tentativa de vincular seu nome à chamada operação Lava Jato da Polícia Federal. “Como sempre, levantaram suspeitas, camuflaram informações, emitiram insinuações e, pior, fizeram acusações”, diz a nota. 


CBTU
Já Biu de Lira aparece na Veja como tendo indicado o presidente da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), sob influência do doleiro. Francisco Colombo morreu esta semana. “Neste fim de semana, fui alvo de um ataque sórdido com informações inteiramente falsas.O colunista Lauro Jardim, publicou uma suposição de que e teria feito a indicação do presidente da CBTU, supostamente ligado a doleiros. Isso é inteiramente falso, pois sempre pautei as indicações para cargos administrativos por critérios técnicos e o compromisso de realizar o bem.

A informação falsa foi repetida e distorcida em outras publicações, tentando claramente atingir a minha pré-candidatura ao Governo do Estado”, disse Biu de Lira.“Aqueles que se utilizaram dessa suposição nefasta para tentarem me atingir, estando a serviço dos adversários políticos e responderão na Justiça pelas inverdades publicadas.

Em 52 anos de vida política, desde vereador até o Senado Federal nunca fui processado. Este é o meu patrimônio e legado pessoal e político. Nunca tive, nem tenho, nenhum comprometimento com o malfeito” explicou o senador.Já o filho de Biu, Arthur Lira, entregou-se ao silêncio. Estratégia marota, afinal Arthur tem muitas satisfações a dar para a Justiça. E nenhuma aos eleitores.

Semana passada, foi reintegrado pelo juiz da 17ª Vara Cível da Capital, Alberto Jorge Correia de Barros Lima,  e está apto a disputar as eleições à Câmara Federal. E Arthur usa uma estratégia conhecida. Eleito, vai trabalhar para garantir que os processos contra ele, em Brasília, possam dormir nos braços de Morfeu. Ou da impunidade.

Mas Arthur carrega a mancha do desvio de R$ 300 milhões da folha de pagamento da Assembleia Legislativa. E não só ela.Em 6 de dezembro do ano passado,o STF decidiu abrir um processo criminal contra o deputado para apurar indícios de que ele teria agredido a ex-mulher com tapas e chutes meses após a separação do casal.

Por 6 votos a 3, os ministros do STF concluíram que existem indícios suficientes para a instauração de uma ação penal. Entre esses indícios estão um primeiro depoimento da vítima e de uma testemunha relatando as agressões e um laudo do Instituto Médico Legal (IML) constatando hematomas no corpo da mulher.Relator do inquérito no Supremo, o ministro Luiz Fux votou contra a abertura do processo. Ele disse que os elementos existentes no inquérito não corroboram depoimentos segundo os quais a ex-mulher teria sido agredida.

O ministro também destacou que, apesar de a suposta vítima ter dito inicialmente que as agressões demoraram cerca de 40 minutos, o exame do IML encontrou apenas lesões leves, como hematomas nos braços e nas pernas. “Não conheço murro de mão fechada que não deixa marca, principalmente se é seguido de agressão de 40 minutos”, afirmou Fux.Além disso, no ano passado, Arthur Lira passou a ser investigado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Segundo as investigações, que estão no gabinete do ministro Marco Aurélio Mello, também do Supremo Tribunal Federal, o servidor da Câmara dos Deputados, Jaymerson José Gomes de Amorim, tentou embarcar no aeroporto de Congonhas (São Paulo), com destino a Brasília, levando uma quantia em dinheiro considerada suspeita. As passagens foram pagas pelo deputado federal. O caso foi em fevereiro de 2012.Seja como for, o tabuleiro eleitoral alagoano está agitado.

Assessores do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), distribuíam e-mails no final de semana com fotos da matéria da Veja sobre as relações dos doleiro em Alagoas. No alvo, Biu de Lira e Arthur. Muitas águas ainda correrão por debaixo desta ponte.

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