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Edição nº 773 / 2014

04/06/2014 - 10:52:00

Cinismo

JORGE MORAIS Jornalista

Eu já vi muito governo cínico, mas igual a esse da presidenta Dilma Rousseff, ainda não consegui encontrar. Depois das inúmeras denúncias de superfaturamento e enriquecimento fácil com as obras de aeroportos e estádios de futebol, a falta de infraestrutura nas cidades da Copa do Mundo, o rombo da Petrobras e da Eletrobrás, o governo está garantindo que os torcedores brasileiros e estrangeiros não terão problema algum com atendimento nos hospitais.Ou esse povo do governo enlouqueceu de vez, ou estamos vivendo num outro país. Na mesma semana em que eles deram essa declaração, o Fantástico, programa da Rede Globo de Televisão, trouxe uma matéria especial, exatamente sobre esse caos que é a saúde no Brasil.

A reportagem mostrou hospitais sem leitos, sem médicos, sem equipamentos, sem remédios e com os pacientes espalhados pelo chão e corredores. No momento da elaboração desse texto, a imprensa de Maceió divulga que uma adolescente prestes a ter um bebê perambula de hospital em hospital sem conseguir um leito.

O Brasil tem uma saúde sucateada na sua estrutura física e deficiente em seu atendimento. No entanto, o governo da dona Dilma Rousseff espalha uma mentira dessa e, depois, vai reclamar das manifestações populares. Como é que nós vamos garantir hospitais para essa gente durante a Copa? Se, hoje, nós não temos nada, como vamos ter essa garantia daqui a 12 dias?

O problema é que essa gente mente demais, principalmente em época de eleição. Enquanto o governo diz que essa será a melhor Copa do Mundo de todos os tempos, os líderes dos movimentos de rua garantem que não teremos Copa. E agora? Em quem devemos acreditar: no governo que mente ou na declaração dos líderes?  O que sei é que nada disso estaria acontecendo se o país tivesse educação, saúde, segurança e trabalho, pelo menos, com o padrão FIFA.

Como não temos nada disso, vamos ter que conviver com uma Copa sendo realizada num país com regiões quase franciscanas, cidades onde convivem a riqueza e a pobreza, favelas que se alastram por todos os lugares, a taxa de desemprego que aumenta, e não vale falar que tem camelô ganhando dinheiro agora, porque o problema é depois em relação ao que eles vão fazer, etc., etc. e etc.Outra certeza que tenho é que a bagunça no país tem hora para voltar e começar.

Acredito até que, dessa vez, muito mais violenta, e o mundo estará repleto de péssimas informações. As grandes emissoras de televisão estarão preparadas com várias equipes de reportagens. Algumas na cobertura dos jogos da Copa, e outras nos acontecimentos extra-Copa, mas tudo ligado ao evento e que chamará a mesma atenção para os noticiários internacionais.

Recentemente, representantes da rede hoteleira no Brasil reclamaram que os motivos para o baixo número das reservas para a Copa do Mundo são: a crise econômica, que atingiu principalmente a Europa; a imagem internacional do Brasil, prejudicada pelos protestos; a demora para seleções que tradicionalmente levam muitos turistas ao torneio de se classificarem, como ocorreu com o México; e a falta de investimentos do governo na divulgação de roteiros turísticos do Brasil, no exterior, e que não estão ligados ao futebol.

Acho que eles se esqueceram de mencionar um motivo tão importante ou maior do que todos esses já lamentados: os absurdos valores cobrados pela hospedagem. Um verdadeiro assalto a mão armada. Para se ter uma ideia, um apartamento no Rio de Janeiro de porte igual na cidade de Paris, está custando quatro ou cinco vezes maior do que o valor cobrado agora na Copa.

Então reclamar de quê? Eles estão pagando pelo preço da ganância.Para finalizar, os custos com a Copa do Mundo equivalem a um mês de gastos com a Educação, no Brasil. Os gastos e empréstimos do governo federal, dos Estados e das prefeituras para o mundial somam R$ 25,8 bilhões, segundo os números oficiais. O valor equivale a, por exemplo, 9% das despesas públicas anuais em educação, de R$ 280 bilhões. Nesse jogo das cifras, quem vale mais?

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