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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 772 / 2014

28/05/2014 - 07:29:00

Aliança entre Biu e Téo Vilela ajudará usineiro alagoano a assumir Senado

Givago Tenório - primo de João Tenório - ficaria 4 anos no Senado; setor está à beira da falência

Odilon Rios especial para o EXTRA

Na renhida disputa ao Governo de Alagoas, um personagem pode ganhar a eleição sem precisar de nenhum voto, além de não gastar um único centavo e, se quiser, sentado no sofá da sala acompanhando o desempenho de sua fortuna pela televisão, nos leilões de ovinos. É o empresário Givago Tenório, suplente do senador Benedito de Lira (PP), candidato ao Governo. Virou suplente de Biu a pedido do governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), apesar do governador e o senador ensaiarem que são oposição.

Tudo jogo de cena.Givago é primo de outro senador que assumiu em condições idênticas: João Tenório, que, em 2006, sentou na cadeira do Senado após vitória do cunhado Téo Vilela ao Governo de Alagoas.No Senado, João Tenório passou quatro anos. Na tribuna, falou sobre a miséria alagoana e o pré-sal, mas o forte dele mesmo foi presidir a Subcomissão Permanente de Biocombustíveis da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária.

Usineiro, entre as discussões levantadas por ele: aumentar a produção, por hectare, de cana de açúcar no país. Nas discussões, plantar cana na Amazônia, ideia rechaçada por ele, não pelo desmatamento da floresta, mas porque a cana precisa de um período de seca, o que é improvável no Norte do país por causa da grande quantidade de chuvas.

Givago Tenório e João Tenório vão muito além dos laços familiares. São sócios na usina Triunfo, que até o ano passado travava, na Justiça, uma guerra com a Eletrobrás Alagoas - a Companhia Energética de Alagoas (Ceal) -, por uma dívida de R$ 18,9 milhões em contas de luz. A Triunfo aparece na lista suja da própria Ceal como uma das maiores devedoras em Alagoas. A primeira na lista? A Usina Seresta, do próprio governador, incansável defensor da Lei de Responsabilidade Fiscal e do pagamento das obrigações tributárias do Estado, apesar de não dar o exemplo no quintal de casa.Givago e João também são sócios na TV Pajuçara, junto a outro produtor de cana, o vice-governador José Thomáz Nonô (DEM).

Ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2010, Givago declarou uma fortuna de R$ 13,1 milhões, que certamente aumentou, como em novembro do ano passado, ao faturar, no dia 2 de novembro, R$ 180 mil em um leilão de ovinos.“Isso não me assusta. Se for preciso, vamos fazer no Senado o que fizemos no setor privado. Além disso, sempre nos cercamos de pessoas competentes”, disse Givago, logo após vitória de Biu de Lira, em 2010.Garantiu não ter feito acordo com Biu de Lira para assumir a suplência. “Não fizemos esse tipo de vínculo. Se eu assumir, será uma consequência.

Não foi feito qualquer acordo nesse sentido. Foi um projeto em prol do estado”.O ex-presidente da Associação dos Criadores de Alagoas e da Associação Brasileira de Criadores de Santa Inês disse que não doou recursos para a campanha de Benedito, mas admite que ajudou o colega a conseguir dinheiro. “Modéstia à parte, agregamos bem à campanha. Ajudamos a conseguir contribuições, mas a campanha foi muito em cima das propostas”, garante.


Mundo cansativoO mundo político ao qual Givago Tenório pertence é cansativo e tem uma linguagem cifrada, bem compreendida pelas raposas eleitorais.Governo e oposição definiram seus candidatos que já estão nas inserções de rádio e televisão.No lado do Governo, a escolha de Eduardo Tavares continua sendo uma incógnita.

A decisão tomada de forma surpreendente pelo governador sem consultar o seu partido ou, ao menos, os candidatos a candidato da base aliada – Nonô, Toledo, Firemann e Luiz Otávio –, não conseguiu, até agora, estimular os seus aliados mais próximos.A falta de unidade é tanta que, passado o momento do lançamento do candidato tucano, muitos vereadores e prefeitos do PSDB declararam voto em Renan Filho. O prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB) deixou claro que não quer se envolver diretamente na campanha, liberando seu secretariado.

O vice-prefeito Marcelo Palmeira (PP) está em plena campanha de Biu de Lira. Considerados nomes sem densidade eleitoral, descartados na escolha para governador, Marcos Fireman e Luiz Otávio desembarcaram da nave governista e passaram a se aproximar da candidatura de Biu de Lira.

Passado um mês de lançamento, Eduardo Tavares ainda não conseguiu se descolar da imagem de um personagem tirado da cartola do governador, sem vínculos com o mundo político local. No momento em que dois terços do eleitorado querem mudanças, ele, nos seus primeiros discursos e reuniões públicas com lideranças sociais, prometeu a continuidade do governo Téo.

Para complicar, depois do lançamento, o governador não se mostrou mais interessado em puxar pequenas legendas para a coligação com os tucanos, que foram todas para outras frentes, revelando uma lentidão que parece proposital para facilitar o segundo nome da base do governo, que é Biu de Lira.

Até agora, os caciques do PSDB ainda não assumiram a campanha do candidato do Palácio dos Martírios. A preocupação do círculo palaciano é garantir palanque para o senador Aécio Neves (PSDB/MG) e eleger um deputado federal na coligação com o DEM, e o nome seria Pedro Vilela, sobrinho do governador, filho de outro empresário, Elias Vilela.

A estratégia inicial de ter três candidatos a governador – Tavares, Alexandre Toledo e Biu de Lira – para forçar um segundo turno foi abandonada. A chapa de Toledo foi desmontada e ele passou a ser candidato ao Senado na coligação de Biu de Lira, que conta com o apoio de sete partidos. Com isso, aumenta o tempo de TV e rádio, fortalece a chapa proporcional da frente liderada pelo PP e aumentam as chances de a eleição ser definida já no primeiro turno entre Renan Filho e Biu de Lira.

No Palácio ninguém esconde a tendência majoritária dos secretários em acompanhar Biu de Lira e oito deles já assumiram compromisso com o candidato do PP. Seria uma candidatura governista sem o ônus do apoio de Vilela, que cairia em cima de Eduardo Tavares. Cada semana que passa, Biu vai conquistando mais espaços junto aos membros do Governo e se transforma, de fato, no candidato da situação, apesar de ser tratado como oposição. Descolado do governador e dos índices de rejeição apontados nas pesquisas, Biu terá mais chances de disputar o Governo contra Renan Filho.

Ganhando, Biu ajuda a Cooperativa dos Usineiros, “elegendo” Givago Tenório. O deputado federal Alexandre Toledo (PSB) é apoiado pelo setor ao Senado.

Mas Biu de Lira ainda tem um problema para resolver, o apoio da presidenta Dilma Rousseff, a quem deve as nomeações para vários cargos e os recursos para as obras na sua base de apoio. Se decidir mudar e apoiar Eduardo Campos, como exige o PSB, terá que romper com Brasília, uma decisão que poderá ter consequências junto aos seus aliados.

O palanque de Dilma já está montado com a frente de oposição liderada pelo PMDB. No lado tucano, ficou clara a insatisfação de Aécio Neves e sua assessoria na passagem por Maceió. No seu discurso na Federação das Indústrias, ele elogiou várias vezes a Thomaz Nonô e quase esqueceu de citar o candidato do PSDB, a quem os conhecedores de eleições em Alagoas garantem uma modesta disputa do terceiro lugar com Mário Agra do PSOL.


Inimigos cordiais

A sintonia entre Téo Vilela e Renan Calheiros parece cada vez mais clara. As pontes construídas entre o Palácio dos Martírios e o PMDB foram construídas diretamente por Renan e Téo Vilela e costuradas por vários personagens de prestígio, entre eles Fábio Farias, suplente de Renan Calheiros, e José Wanderley, ex-vice governador de Téo. Nesta disputa cordial, nem o senador critica o governo Téo nem o governador critica Renan Filho.

Nas conversas entre os políticos envolvidos nas articulações deste ano, levanta-se a possibilidade de Téo ser conduzido para o Tribunal de Contas da União ou outro cargo relevante no âmbito federal, assim como a de ele ser o nome ao Senado, nas vagas a serem disputadas em 2018.Na oposição, o herdeiro e sucessor do presidente do Senado, Renan Filho, tem chances, nas pesquisas, de ganhar a eleição. Com 14 partidos e a maioria absoluta dos prefeitos, quer definir a eleição logo no primeiro turno - se Eduardo Tavares não crescer e empurrar Biu de Lira ao segundo turno. Quer ainda a maioria na bancada federal e na Assembleia Legislativa.

A Frente de Oposição, popularmente chamada de “Chapão”, definiu Renan Filho ao Governo e a reeleição do senador Fernando Collor (PTB). E os vices? Rosiane Beltrão (tratada como candidata a deputada estadual); Luciano Barbosa (ainda cogitado a deputado federal) foram cotados, mas é provável que, no final, o escolhido seja o deputado estadual Judson Cabral, do PT, um parlamentar visto como “ético”, numa sinalização para a classe média da capital de que o projeto é renovador.

Para dirigentes do PMDB, a escolha de Judson seria o complemento da estratégia de expurgo do grupo do PRTB/PMN, com integrantes citados em assassinatos e corrupção, como Francisco Tenório, Antônio Albuquerque, João Beltrão e Cícero Ferro, e foi a novidade anunciada pessoalmente por Renan Calheiros-pai no lançamento do Chapão.Uma decisão que levou em conta as pesquisas eleitorais. Renan e sua equipe avaliaram como eleitoralmente negativas as presenças destes dois partidos na coligação. Seriam um problema para Renan Filho.

Essa avaliação casou com os interesses dos candidatos proporcionais de todos os demais partidos dessa frente, assustados com a força eleitoral de Antonio Albuquerque, João Beltrão, Chico Tenório e Cícero Ferro.Sem poder apoiar o candidato Eduardo Tavares, que assumiria o risco de perder o discurso que quer conquistar junro à classe média alagoana, os lideres do PRTB e PMN ficaram entre duas opções, lançar candidatura própria, como o nome de Cícero Almeida para governador, e viabilizar seus deputados, ou abraçar a contragosto a candidatura de Biu de Lira. Nos dois casos, o importante para esses políticos é conquistar um mandato que garanta a imunidade diante de muitos processos.

Tranquilo com o fortalecimento de Biu de Lira e com Eduardo Tavares garantindo o palanque para Aécio Neves, Téo parece ter voltado suas forças para combater Collor que há dois anos, desde que decidiu começar a trabalhar pela reeleição, mudou a estratégia eleitoral, escolhendo o Governo de Alagoas como alvo de suas criticas demolidoras.

O senador ficou fortalecido com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de absolvê-lo das últimas acusações feitas ainda quando da sua passagem pela presidência da República. A divisão dos votos entre quatro candidaturas ao Senado deverá beneficiá-lo pelo fato de ter uma votação cativa de mais de um terço do eleitorado, apesar da rejeição do mesmo tamanho.A disputa polarizada entre Collor e a vereadora Heloísa Helena (PSOL) promete muitos novos movimentos.

A esperança dos tucanos é a de que Alexandre Toledo cresça na campanha com o apoio de Biu de Lira, sendo beneficiado pelo “voto útil” governista na reta final da disputa. Por seu lado, Nonô não se mostra entusiasmado com uma campanha com pouco tempo de TV e sem um candidato a governador competitivo.


Heloísa em busca de votos

Com pouco tempo de TV e rádio, sem recursos para uma campanha no Estado, que impressiona pelo volume de dinheiro movimentado, nem mesmo apoio de uma boa candidatura a presidente da República pelo seu partido, o PSOL lançará Heloísa Helena senadora e o engenheiro agrônomo Mário Agra para governador.

O PSOL também fará alianças e conseguiu o apoio de pequenos agrupamentos de esquerda, como o PSTU e PCR, e de vários movimentos sociais. Para voltar ao Senado da República, Heloísa Helena aposta nas redes sociais e nos voluntários de campanha para captar os votos de protesto do eleitorado independente que sempre marca presença nas majoritárias.

O PCB lançou o historiador Golbery Lessa, que pretende fazer uma campanha mais ligada ao setores da elite cultural do Estado, o que pode beneficiar a candidatura ao Senado de Heloísa Helena. O PCB tentou, mas não conseguiu, uma aliança via PSOL, PSTU e PCR. 

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