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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 772 / 2014

28/05/2014 - 06:57:00

O otimista urubu canibal

Eduardo Davino Ex-presidente do Sindipetro Al/Se, cassado pelo golpe de 1964.

Desde o desembarque de Pedro Alvares Cabral apenas a paisagem mudou. No mais, os colonizadores e seus proxenetas são os mesmos no sentir e no agir continuam espoliando o ouro, diamantes, esmeraldas, o subsolo, o ar,  a terra, o trabalho e o corpo dos nativos a troco de bugigangas.

Os nativos muito pouco mudaram, a rigor apenas adquiriram superbactérias. O silvícola urbano de 2014, homo brasilianus modernus, fenótipo puro com zero de mestiçagem, é, “antes de tudo”, apaixonado por bugigangas e cordato com a corrupção na política.

 Em seu modus vivendi, não se cansa deadmirar a própria taba entupida com xinglings: computador para ostentar a sua “alegria escandalosa” no facebook; celular que tira retrato, filma, mas, nem sempre telefona; pelo menos ostenta duas televisões com um metro de largura; viaja, se vai conseguir voltar não sabe, mas, vai empoleirado em avião e outras coisinhas luxentas.

Bem, até aí nada seria tão mal se o estúpido pelo menos olhasse da sua porta para fora e percebesse que a água e a energia escasseiam; o saneamento nunca existiu; as hordas de viciados em crack; que não há escola para educar os que ainda vão nascer e as crianças já nascidas;

que não há cadeia nem lei para punir os criminosos graduados e pós-graduados no crime, mas, há sim, legiões de jovens analfabetos de pais, mães e vizinhos; roubos, estupros, assassinatos monstruosos e impunidade geral; traquitanas financiadas não saem de casa porque o engarrafamento não deixa; gasolina e eletricidade caras e ainda vão aumentar;

doentes apodrecendo sem assistência médica mesmo que paguem planos de saúde; aposentados com proventos desvinculados dos valores de contribuição; rombos e roubos nas contas públicas somam centenas de bilhões; o governo aparelhando o estado para roubar mais ainda e, no entanto, o abestado homo brasilianus modernusfaz uma selfie, mostra a cara ridícula no facebook, se acha a “famosidade”, acha o país desenvolvido, preconceituoso não crê no voto popular;

não quer nem saber se o RDC vai  sepultar os precários controles das compras governamentais; acha todo governo bom e todo político ladrão, mas, quem no lugar deles não roubaria também? Apolítico, o galeroso homo brasilianus modernusprotesta, incinera sofás, pneus e ônibus, interrompe o tráfego, acusa a polícia, brada por justiça e também lincha a serviço do narcotráfico;

usa e abusa dos programas sociais, cachaça e crack; sonha com a Gleisi Hoffmann; admira Ceveró e,  para completar sua sina de lulista, vota no fulaninho, filho do fulanão, político esperto, fazedor de favor e apertador de mãos, merece consideração, pode até, dizem, ser ladrão.

O homo brasilianus modernusansioso aguarda a Copa começar e, quando outubro chegar, interesseiro, anuncia: - “voto até em candidato rufião”. Lamentavelmente, a tragédia, enfim, sobra para ohomo sapiens brasilianus, em minoria, solidário com os conterrâneos, crítico, leitor deste Extra, sofre por não ter contraído o apetite de urubu canibal e outras alagoanagens, repudia os velhacos e mata no peito a própria dor.

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