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Edição nº 772 / 2014

27/05/2014 - 16:34:00

JORGE OLIVEIRA

O mico do Eduardo na TV

Brasília - Se realmente as previsões se confirmarem, Eduardo Campos não terá muita chance de se apresentar ao seu eleitor com menos de 3 minutos nos programas eleitorais a partir da segunda quinzena de agosto. Resta-lhe, portanto, fazer uma pré-campanha intensa para ocupar o espaço na mídia até lá, quando a partir de julho todos os candidatos a presidente terão tempos iguais no noticiário da TV.

Volto a repetir aqui o erro primário de Campos: preocupou-se demais em trazer Marina Silva para o seu lado de olho nos 20 milhões de votos dela na última eleição e esqueceu-se das alianças, jogo político pesado que Marina, por amadorismo, não entendeu.Com mais de cinco minutos, Aécio disputa a eleição com chances de segundo turno, mas precisa fazer malabarismo com esse tempo nos dezenove programas da campanha para convencer o eleitor de que é o melhor para o Brasil.

A exemplo de Eduardo Campos,  também não pode dispensar a mídia gratuita até lá e a rede social, por enquanto o mais liberal  e o mais disponível dos espaços.

Dilma, com mais de 15 minutos de programa, terá a obrigação de criar um “Globo Repórter” três dias da semana, nada  difícil para quem tem a máquina do governo e recursos ilimitados para a campanha.Campos cometeu erros primários. O primeiro deles foi sair candidato sem amarrar uma boa aliança para se apresentar na televisão com tempo razoável para mostrar suas propostas.

Enroscou-se demais com o imbróglio de Marina e quando apareceu no programa do seu partido foi um fiasco que lhe deixou mais distante ainda da sucessão. Se micar na campanha ainda corre dois riscos sérios: de ser acusado de laranja do PT, de quem até então ele e Marina foram aliados, e de sair da campanha chamuscado, com menos votos do que a Marina nas eleições de 2010. Ainda existe no mercado pequenos partidos à venda, mas a maioria já negociou com o governo para viver das benesses públicas com altos cargos nos ministérios e em empresas estatais.

Além disso, o PT tem interesse em outras candidaturas presidenciais nanicas para esvaziar mais ainda Eduardo Campos e Aécio na divisão do tempo de televisão para os candidatos. O Aécio enxergou essa engrenagem política das alianças longe e correu atrás - e ainda corre  - de pequenos partidos para aumentar seu tempo na TV e lhe garantir um espaço mais generoso nos comerciais  para enfrentar o bombardeio do PT diariamente. O Paulinho, deputado, da Força Sindical, criou um partido só para ajudá-lo a ser competitivo nos programas eleitorais.É no tempo de TV que o PT está apostando todas as suas fichas.

Com quase 17 minutos,  os marqueteiros da Dilma vão fazer um carnaval antecipado. Correm o risco, porém, de exagerar nas alegorias e levar os programas para o buraco com a repetição de promessas que o eleitor já sabe que não serão cumpridas. No caminho da Dilma ainda existem outras armadilhas: a Copa do Mundo.

Ninguém pode imaginar como seria a Seleção Brasileira derrotada na sua própria casa, tragédia que os brasileiros vão depositar na conta da Dilma e aproveitar para relembrar os gastos nos estádios em detrimento da saúde, da educação e do combate à violência. Se ganhar, aí é outra história...Ah, ia esquecendo: além de atrapalhar, Marina Silva não acrescentou sequer um segundo ao tempo de televisão de Eduardo Campos que não teve paciência para formar uma aliança com mais sustância, como diria os pernambucanos.

Nas ruas

O governo não quis ver as manifestações contra a Copa do Mundo no Brasil e em vários países do mundo. Preferiu subestimar a capacidade do povo de se organizar para cobrar mais saúde e educação em vez do pão e circo que vem oferecendo aos brasileiros nos últimos doze anos. Mas, na verdade, o governo pensa diferente do povo, por isso não consegue enxergar as manifestações que pipocam por todos os  cantos do país por cobrança de promessas feitas pelo PT e  nunca concretizadas. As obras de infraestrutura estão paralisadas, as creches prometidas não saíram do papel, a violência pública se alastra com o crack, a droga que ela prometeu combater nos seus primeiros programas de campanha. E o país está parado com Mantega, o mágico da economia, fazendo malabarismo para impressionar o mundo de que a economia vai bem, obrigado.

 
Os ETs

As manifestações, os saques, a violência que se espalham por todos os cantos do Brasil não sensibilizam a presidente Dilma, que parece habitar outro planeta. Como Brasília é uma cidade mística quem sabe se esse pessoal que ocupa o Palácio do Planalto não é extraterrestre de outra galáxia? A saúde está um caos, a corrupção e os saques nas estatais são tão vorazes que empresas como a Petrobrás e a Eletrobrás, antes símbolos de orgulho dos brasileiros, estão praticamente falidas com a queda de mais de 50%  de suas ações no mercado. 


FIFA corrupta

Se os petistas pensavam em se perpetuar no poder, trazendo para o Brasil a Copa do Mundo e as Olímpiadas em 2016,  quebraram a cara. Descobre-se agora que essas organizações esportivas são mais corruptas do que pareciam quando agiam à distância para selecionar os países sedes dos jogos. A FIFA, que organiza as copas, vive enrascada com acusações de corrupção. João Havelange, ex-presidente de honra da entidade, e seu ex-genro Ricardo Teixeira deixaram o futebol pela porta dos fundos depois das denúncias de que receberam propinas milionárias quando estavam à frente das entidades – FIFA e CBF. O Comitê Olímpico vire e mexe aparece na mídia por desvio de conduta. Não faz muito tempo seus dirigentes no Brasil tiveram que prestar esclarecimentos no Congresso Nacio-nal sobre desvio de dinheiro.

Propinoduto

Essa mistura da corrupção esportiva com a governamental chegou em boa hora no Brasil para concluir o projeto do propinoduto petista. A pretexto de construir a infraestrutura para a Copa e Olímpiadas, o governo decidiu que as obras não seriam licitadas pelo caráter emergencial,  incentivando assim os contratos superfaturados da construção dos estádios e das obras urbanas. Sem licitação e sem auditoria para fiscalizar o dinheiro público, as próprias empreiteiras estipularam os valores dos negócios. 


Filósofa 

Enquanto tudo isso ocorre aos olhos dos mais desavisados brasileiros, a presidente Dilma continua mostrando-se uma estadista, principalmente quando faz discurso de improviso para entusiasmar a plateia, esta mesma que está nas ruas se rebelando contra o desgoverno. Veja aqui mais um pronunciamento da presidente,  uma pérola digna de passar para a história como um discurso de impacto para futuras gerações: “O legado da Copa é nosso porque ninguém que vem aqui assistir a Copa leva consigo, na sua mala, aeroporto, porto, não leva obras de mobilidade urbana, nem tampouco estádios. O que eles podem levar na mala? É a garantia e a certeza de que este é um país alegre e hospitaleiro. Pode levar isso na mala. Agora, os aeroportos ficam para nós, as obras de mobilidade ficam para nós, os estádios ficam para nós”.Da série Coisas do Brasil. 

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