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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 771 / 2014

26/05/2014 - 10:18:00

Presidente da Câmara de Maribondo é acusado de cobrar taxa irregular

Acusado também de pedofilia, José Izidio (PPS) foi denunciado na rádio local e na Câmara Municipal

Carlos Victor Costa [email protected]

O presidente da Câmara Municipal de Vereadores da cidade de Maribondo, zona da Mata de Alagoas, José Izidio da Silva (PPS), conhecido como Zezinho da Mata Verde está numa verdadeira sinuca de bico com a Justiça. Isso porque o Ministério Público Federal abriu procedimento para investigar a denúncia de que ele estaria atuando em um esquema de venda de inscrição de unidades do programa Minha Casa, Minha Vida. O caso está com a procuradora Roberta Bonfim. 

Há denúncias graves feitas por moradores que se sentiram enganados por Izidio e que podem levar à instalação de uma comissão processante, o que o afastaria de imediato do comando da Casa  e - em caso de comprovação das irregularidades - acabaria resultando em cassação de mandato.Segundo as denúncias, o vereador cobrava uma taxa variável de R$ 110 a R$ 150. Izidio foi denunciado após os moradores saberem que o programa, que integra o PNHR, é do governo federal e não existe qualquer cobrança de taxa.

O Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR) usa recursos do Orçamento Geral da União (OGU) para financiar a aquisição de material de construção para a construção ou conclusão/reforma/ampliação de unidade habitacional em área rural.

Esse programa oferece subsídios para pessoa física, trabalhador rural ou agricultor familiar, com renda familiar bruta anual de até R$ 15.000,00, que estejam estabelecidos de forma coletiva, por uma Entidade Organizadora.

A reportagem esteve na cidade, onde conversou com o vereador Severino Lucena (PSC), que confirmou que a denúncia foi feita na rádio do município, e que diante disso, como representante da população, levou o caso para Câmara de Vereadores. “Na própria tribuna da Câmara, ele anunciou que tinha conseguido 50 casas para Maribondo, mas não sabíamos que seria dessa forma absurda. Com o passar do tempo descobrimos o que havia por trás desse anúncio”. 

Lucena criticou o colega e a forma “suja como ele age para barganhar votos no município. “Quando descobrimos os rolos do vereador, ele já havia feito um cadastramento na região, mas para nossa surpresa, os próprios moradores que se sentiram enganados o denunciaram. Izidio utiliza de uma política suja, um jogo de interesses absurdo”. Antes de ser vereador, Zezinho da Mata Verde foi secretário Municipal de Habitação, o que pode ter facilitado o acesso dele aos moradores através do programa.

Em função do escândalo, outros vereadores se mobilizam para afastá-lo da presidência da Câmara (Casa Legislativa Zenóbio de Holanda Cavalcante).

Na última sessão, segundo Severino Lucena, Izidio preparou um discurso o acusando de diversas coisas. “Ele mesmo está se contradizendo, usou a tribuna para me atacar, mas a denúncia não foi minha, apenas levei o caso para conhecimento da Câmara. Ele mesmo pediu uma CPI para apurar as denúncias, está cavando a própria cova, pois está registrada em ata a confissão dele de ter feito esses cadastros irregulares”. De acordo com Lucena, está tudo registrado nas atas dos dias 7 e 28 do mês de abril.

“Na sessão do dia 7 e do dia 8 do mês passado, ele confessou, admitindo que fez as cobranças indevidas, com a desculpa de que precisaria custear seus deslocamentos para as regiões rurais do município. O vereador anda com uma pasta e nela tem o nome de todas as pessoas cadastradas”. Lucena confirmou ainda que, no último dia 28, fez o pedido de afastamento de José Izidio da presidência da Câmara. “Pedi que ele fosse afastado para que ele não atrapalhe as investigações.

Pois como presidente ele poderia ter o poder de indicar os membros da CEI, a Comissão Especial de Investigação, mas como ele está sendo investigado, isso não pode ocorrer.  Se tudo for provado pela justiça, ele tem que ter seu mandato cassado pela honra da Câmara e dos que fazem parte dela”. 


VEREADOR NEGA

 O Extra entrou em contato com o vereador Zezinho da Mata Verde, que negou as acusações e atacou seu colega Severino Lucena. “O vereador Severino Lucena ainda não digeriu as duas derrotas que sofreu na Câmara, na eleição da Mesa Diretora.  O que aconteceu  na verdade é que sempre fiz parte de um instituto  que está responsável pela construção dessas casas.

 Estou apenas dando uma força ao pessoal; por exemplo, para participar desse projeto  a pessoa precisa provar que é agricultor e, para provar, tem que ter a carteira assinada ou ser aposentado como agricultor. Mas o problema é que em Maribondo não tem pessoas aptas a emitir esses dados, daí nós procuramos um técnico de Tanque d’Arca, só que ele trabalha de segunda a sexta em seu município, aí marcamos com ele para os finais de semana”.Demonstrando nervosismo, o vereador começou a se contradizer, disse que o técnico vinha de Mar Vermelho para fazer o trabalho em Maribondo, mas anteriormente ele havia dito que o técnico era de Tanque d’Arca.

Zezinho alega que  o técnico não poderia vim sem receber  nada. “Ele tem os gastos de combustível, essas coisas, e ele estava trabalhando sábado e domingo, que não são dias dele, a gente em reunião decidiu que quem pudesse colaborar com alguma quantia, colaborasse, essa senhora que fez a denúncia disse que podia colaborar, passei para o pessoal, depois ela não pôde mais colaborar, eu fui e disse que ela não precisava mais ajudar e que a família dela continuaria no programa, mas de repente a mulher foi para a rádio fazer reclamação”.  O vereador criticou a postura da rádio e disse que a mulher tinha sido “comprada” pelos seus oposicionistas para acusá-lo.  


CASO ESQUECIDO

Outro fato que envolve o nome de Zezinho da Mata Verde é o de que ele faria parte de uma suposta rede de pedofilia, na cidade de Maribondo. Em 2009 a Polícia Civil de Alagoas prendeu 11 pessoas, entre elas o vereador. Na época ele era o presidente do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente. Segundo as acusações, uma casa era alugada na periferia de Maribondo. Nela, haveria encontros com meninos e meninas de áreas pobres, com idades entre 10 e 17 anos. Em um relatório do conselho tutelar são detalhadas até a quantidade de pessoas que os meninos e as meninas faziam sexo durante uma noite. Após cinco anos da prisão, o caso está esquecido e José Izidio está livre e atuando como vereador da cidade.

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