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Edição nº 771 / 2014

26/05/2014 - 10:07:00

Alagoas deixa de arrecadar R$ 45,69 mi com a falta de saneamento básico

Estudo mostra ainda que Estado deixou de empregar apenas em 2013 quase quatro mil pessoas e criar mais de 16 mil postos de trabalho

Maria Salésia [email protected]

Alagoas é um dos destinos mais procurados por estrangeiros e brasileiros pelas belas praias, clima estável e natureza exuberante. Mas a falta de saneamento básico impediu que o Estado em 2013 arrecadasse com o turismo 45,69 milhões, empregasse 3.896 pessoas e criasse 16.595 postos de trabalho.

Os números fazem parte do estudo divulgado pelo Instituto Trata Brasil e o CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), ‘Benefícios da Expansão do Saneamento Brasileiro’,   que apontou que os nove estados do Nordeste somariam mais 139.836 postos de trabalho com uma geração adicional de renda de R$ 1,3 bilhão, se o saneamento básico fosse eficiente.Os dados para Alagoas não são nada animadores. De acordo com a pesquisa, o índice de desenvolvimento do saneamento em 2011 foi de 0,533; a mortalidade infantil chegou a 28,4;  a esperança de vida ao nascer era de 70,3 e o índice de desenvolvimento chegou a 0,631.

A população com acesso ao saneamento no Estado era de 2.000.645 com acesso a água tratada, ou seja, 61,4% da população total. Com acesso a rede de esgoto era de  452.462, o que equivale a 13,9%Levando em conta todo o Brasil, o estudo prevê a criação de quase 500 mil novos empregos e mais de R$ 7 bilhões de renda adicional somente em turismo. Mas para isso o país precisará universalizar os serviços de saneamento básico.Vale ressaltar que a parcela da população brasileira com acesso à coleta de esgoto passou de 40,6% para 48,7% entre 2009 e 2013.

Nesse período, a população com acesso ao saneamento cresceu de 78,6 milhões de pessoas para 97,9 milhões de beneficiados, (aumento de 24,6%). No entanto, o número de moradias sem acesso ainda é enorme.O estudo aponta ainda que a falta de atendimento de todos os cidadãos brasileiros em água tratada, coleta e tratamento dos esgotos não causa grandes perdas apenas no turismo, mas também em várias outras áreas como saúde, educação, valorização dos imóveis e meio ambiente.

O quadro leva o país a perder a chance de crescer com sustentabilidade, ficando distante dos países mais desenvolvidos social e ambientalmente no mundo.Segundo o presidente executivo do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos, “o Brasil num todo é atingido prejudicialmente pela falta de saneamento; e isso afeta principalmente o turismo, pois em casos de cidades litorâneas, o cidadão não vai levar a sua família para uma praia contaminada com esgoto.”

Para Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), turismo e saneamento estão diretamente relacionados. “As áreas degradadas não apenas afastam os turistas, mas também deixam de fornecer empregos para a população local. Só em 2013 quase 140 mil empregos diretos deixaram de ser criados no Nordeste por falta de saneamento básico.”

OUTROS DADOS

De acordo com o relatório da Trata Brasil, as deficiências podem reduzir a produtividade do trabalhador, impactar o aprendizado de crianças e jovens, e afastar o interesse turístico pelas regiões. O documento destaca também que o problema influencia a posição do país nos principais índices de desenvolvimento. Cerca 14 milhões de moradias não contam com água encanada e outros 35 milhões e meio de residências vivem sem coleta de esgoto. O levantamento estima ainda que o país precisaria aplicar 313 bilhões de reais até 2033 para resolver a questão e ter 100% de água tratada.

No contexto mundial, o Brasil ocupa a 112ª posição num ranking de saneamento que engloba 200 países. A pontuação do Brasil no Índice de Desenvolvimento do Saneamento -- indicador que leva em consideração a cobertura por saneamento atual e sua evolução recente -- foi de 0,581 em 2011, inferior às médias da América do Norte e da Europa. O índice brasileiro também está abaixo do de países latino-americanos como Honduras (0,686) ou Argentina (0,667).Segundo o relatório, alunos sem acesso à coleta de esgoto e água tratada sofrem um atraso escolar maior em comparação com estudantes com as mesmas condições socioeconômicas, mas que moram em locais onde há saneamento.

A pesquisa aponta que a universalização do saneamento reduziria em 6,8% o atraso escolar, com reflexos no ganho de produtividade do trabalho e aumento na remuneração futura.Ainda falta muito para avançar nesta área. De acordo com o Ministério das Cidades, entre 2011 e 2014 foram investidos R$ 45 bilhões para a área de saneamento dentro do Plano de Aceleração do Crescimento 2, o PAC. 

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