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13 de Novembro de 2018

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Edição nº 771 / 2014

26/05/2014 - 08:50:00

Palmeira dos Índios consome carne bovina de procedência duvidosa

Ossos e restos de carne putrefatos atraem urubus num espetáculo deprimente

Geovan Benjoino Jornalista, escritor e acadêmico de Direito [email protected]

A população de Palmeira dos Índios está consumindo carne bovina de procedência duvidosa abatida no matadouro do município. Provoca indignação as carnes e vísceras expostas no piso ao lado de lixo infestado de moscas, mosquitos e outros agentes patológicos atraindo urubus num espetáculo deprimente e flagrante e total desrespeito às normas de saúde pública.

O risco é iminente e não precisa ser especialista para descobri-lo.Essa realidade criminosa registrada há anos, acontece todas as semanas no matadouro do município, cujo local está mais para um amontoado de carnes do que para um lugar adequado onde é abatido gado para consumo humano.

O manuseio e a falta de cuidados no trato com o gado abatido não resiste a uma simples inspeção sanitária, além de agredir o meio-ambiente e violar o Código de Defesa do Consumidor (CDC), uma vez que o comércio de carne constitui-se numa relação de consumo, cujos princípios preventivosestabelecem precauções para evitar danos à saúde do consumidor.

O poço a céu aberto que armazena o sangue e o líquido procedente da lavagem do gado abatido localiza-se muito próximo (quase colado) ao trabalho realizado pelos funcionários do matadouro tornando o material decomposto em ameaça à saúde da população, inclusive dos próprios servidores municipais, além do mau cheiro provocado.

A maioria absoluta dos funcionários não usa luvas nem roupa adequada. A falta de higiene é visível e gritante. As vísceras são escaldadas em tachos ao lado de dejetos. Também o transporte do gado abatido é inadequado. O caminhão baú que leva as carnes e as vísceras ao açougue e supermercados não tem câmara frigorífica para armazená-las de forma correta.


Interdição

“O matadouro já deveria ter sido interditado, pois o descumprimento das normas de saúde públicas é incontestável”, enfatiza a dona de casa Joana Filinto Soares. “Infelizmente nós palmeirenses estamos consumindo carne bovina com saúde desconhecida”, concluiu.

Para o estudante Amilton Santos Saldanha o Ministério Público deve visitar o matadouro de Palmeira dos Índios para verificar in loco as péssimas condições de higiene e, como fiscal da lei e guardião dos interesses da coletividade, solicitar as providências necessárias visando o cumprimento de todas as normas estabelecidas pela saúde pública.

“Afinal de contas o que está em jogo é a nossa saúde. A população não deve continuar consumindo carne cujo tratamento fere todos os princípios da Organização Mundial da Saúde”, ressaltou Amilton concluindo: “Já que a vigilância sanitária parece não enxergar esse fato lamentável, então é fundamental a intervenção do Ministério Público e da Justiça”.O vendedor Antonio Raimundo Ferreira Araújo visitou o matadouro e ficou intrigado, segundo revelou, com a omissão da vigilância sanitária diante da gravidade constatada no manuseio e tratamento do gado abatido.

“Eu não entendo porque a vigilância sanitária não toma uma atitude para impedir os absurdos cometidos no matadouro de Palmeira dos Índios.

Por que? Será preciso algum consumidor importante morrer para que as providências sejam tomadas? Será necessário alguma bactéria provocar uma epidemia para que as autoridades sanitárias e da Justiça interditem o matadouro?”, indaga inconformado Antonio Raimundo.A carne é comercializada nas feiras livres durante as quartas-feiras e sábados no açougue municipal e supermercados de Palmeira dos Índios.

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