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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 770 / 2014

14/05/2014 - 10:39:00

Fernando Collor e a História

Maurício Moreira

Mais do que nunca, a história mostra claramente, que o atual senador Fernando Collor foi vítima de uma conspiração diabólica, cujos principais algozes foram sem duvidas, o alto tucanato da Avenida Paulista, bem como os do Estado de Alagoas. O senador Fernando Collor no alto da sua indignação perguntou: “Quem vai devolver o que perdi?” Este grito justo de revolta e indignação, foi o grito de todos os brasileiros que não têm justiça e quando a tem, é tardia. Eu mesmo como cidadão alagoano e brasileiro, sinto-me altamente injustiçado. Pois tenho um processo que ganhei contra a Petrobras depois de 15 anos de luta. Mesmo  julgado e ganhando no Superior Tribunal de Justiça e a empresa considerada revel, o processo ainda não foi concluído.

Com certeza, bravo senador Fernando Collor, o seu grito de revolta e indignação será respondido com a sua recondução merecida ao Senado da República. E quem sabe, a providência divina o levará de volta nos braços do povo em 2018 ao lugar de onde brutalmente o foi usurpado. O povo que o elegeu na época saberá dar a resposta a todas às injustiças e assim confirmar que realmente o tempo é o senhor da razão.O senador Renan Calheiros juntamente com o filho, o candidato ao Governo do Estado do PMDB e da oposição Renan Filho, teve um acerto histórico ao anunciar o apoio do PMDB para a reeleição do senador Collor.

Com esta decisão, ganha o Estado de Alagoas e o Brasil. Com certeza esta  união levará a oposição a uma grande vitória, libertando o Estado da garra daquele que entrou para a história como o pior Governo que Alagoas já teve.Segundo Hegel, “A coruja de Minerva só levanta voo com o cair do crepúsculo”.

Ou seja, a sabedoria de que a Filosofia só pode interpretar a realidade após a ocorrência dos fatos, pois não pode prescrever como o mundo deveria ser. Diante disso, ensejamos que a emblemática ave de Hegel já tenha efetuado seu voo, para que as reflexões que farei aqui sejam profícuas e positivas na leitura da nossa realidade, como também na posição ocupada por Fernando Collor de Mello no âmbito da História.

Fernando Collor foi eleito presidente da República através de voto direto, fato que não acontecia no Brasil desde 1960. Foi escolhido de acordo com as regras da Constituição de 1988, no contexto de uma plena liberdade partidária, numa eleição efetuada em dois turnos. Apesar do curto espaço de governo, deixou ganhos significativos para a Nação.

João Mellão Neto, do jornal Estado de São Paulo, evidencia um lado muito positivo do Governo Collor, que foi a abertura comercial para o mundo e a consequente modernização do parque produtivo do País. Segundo o jornalista, “com o fim do protecionismo, os empresários brasileiros, premidos pela concorrência das mercadorias importadas, foram obrigados a tornar mais eficientes as suas fábricas e a oferecer produtos melhores a preços menores”. Passado tudo isso, quase 20 anos depois, votei nele para senador da República, junto com meu primo, então deputado federal, Carlos Alberto Canuto,  hoje prefeito de Pilar. Focando no momento atual, o apoiamos novamente a reeleição ao Senado Federal.

A nossa atitude deve-se ao fato de termos encontrado no Collor de hoje um homem amadurecido e preparado, pois, só quem superou a adversidade, como ele o fez, consegue tornar-se maior que ela. “O tempo é senhor da razão”, ficando bem claro, no momento atual, que os motivos que culminaram com o impeachment foram insignificantes, diante do espetáculo de corrupção, e da crise de ética que a Nação tem testemunhado, estarrecida.

No entanto, sabe-se que a História - ou a Filosofia? - é implacável com os tiranos de todas as espécies, pois, cedo ou tarde, mesmo convenientemente encobertos, são sempre desmistificados. Na sua primeira fala no Senado Federal - o discurso de posse - Fernando Collor impressionou o Estado de Alagoas e o Brasil, mostrando toda a sua experiência, amadurecimento e grandeza de alma, quando fez uma autocrítica corajosa, com a humildade própria dos grandes.

No seu mea-culpa teve a coragem de assumir seus erros, e de reconhecer que aprendeu com eles. Revela, também, as marcas indeléveis que lhe ficaram do impeachment: “O tempo é o único recurso inadministrável da política. [...] Restaram a mutilação de meu mandato e o ostracismo político que me foi imposto. Não tive ainda reparados os danos causados à minha honra, à minha dignidade, e ao meu decoro pessoal e político”.           

No Senado, como presidente da Comissão do Meio Ambiente, já evidenciou um valioso trabalho, que teve respaldo na experiência adquirida na ECO 92 - a maior que o mundo já assistiu -, quando foi, pessoalmente, o anfitrião desse acontecimento internacional. Além desse último aspecto do seu mandato de senador - luta em defesa da ecologia -, ele tem defendido em seus discursos, o sistema parlamentar, por acreditar que esse regime político é o mais indicado para levar o Brasil a caminhos democráticos mais seguros.

Acredito que só quem sofre o batismo da adversidade, na sua dimensão mais pesada, e a supera, consegue sobreviver, tornando-se maior do que o próprio sofrimento. Apesar de termos consciência de que é o mais preparado dos alagoanos, o próprio Fernando Collor afirma, na sua autocrítica, que terá, ainda, “muito que aprender, para, efetivamente, estar com um instrumental necessário para colaborar com a discussão e o debate dos temas que interessam à vida nacional”.Fernando Collor foi absolvido pela justiça dos homens quando a mais alta corte do país o inocentou, devolvendo-lhe as prerrogativas de ex-presidente, tomadas no momento do impeachment.

Hoje, ele já sabe separar o joio do trigo, escolhendo, cuidadosamente, os seus companheiros de caminhada. Partindo dessa premissa, numa prova de sabedoria e amadurecimento, ele quer os falsos amigos bem longe. Por outro lado, tem buscado a companhia de quem sempre lhe foi sempre honesto e sincero.Acredito, firmemente, que, só quem pula a ‘fogueira das vaidades’ e tem a grandeza de crescer com os próprios erros, não voltará a cometê-los.

Deste modo, esta é a oportunidade dos seus inimigos reconhecerem o grande poder que o ser humano possui de refletir e aperfeiçoar os rumos do seu pensamento e da sua ação. É, pois, a hora dos seus algozes lhe pedirem perdão, especialmente diante do espetáculo degradante da atual carência de valores éticos nos meios políticos, fenômeno este que vem estarrecendo a sociedade.

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