Acompanhe nas redes sociais:

18 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 770 / 2014

14/05/2014 - 09:34:00

O livro fatal

Alari Romariz Torres aposentada da ALE

Depois de muito pensar, resolvi escrever um livro sobre os meus 43 anos de serviços prestados à Assembleia Legislativa de Alagoas.Quando acabei de completar 19 anos comecei a trabalhar no Legislativo. Menina sonhadora, cheia de ideais, pensando que os parlamentares eram pessoas diferenciadas, escolhidas pelo povo para melhorarem a vida do Estado.Conheci pessoas maravilhosas que me ensinaram a trabalhar, participava da elaboração do orçamento do Estado, ficávamos até altas horas da noite, sem computador, apenas com velhas máquinas de calcular e dávamos conta do recado. 

Éramos 92 funcionários e poucos deputados. Tudo corria normalmente, havia concurso público, a figura do interino e nossas pastas funcionais continham anotações rigorosas. Sabíamos onde estávamos, recebíamos apostilhas e o calendário anual de pagamento. Nem me lembro se existiam comissionados, mas tenho certeza de que desempenhávamos nossas funções com coerência, responsabilidade e tínhamos certeza que éramos respeitados.Quando foi votado o afastamento de Muniz Falcão ainda não trabalhava;era aluna do Instituto de Educação e ouvia de meu pai velhas histórias da política alagoana.

Fui vizinha de Carlos Gomes de Barros quando recebeu um tiro na garganta e acompanhei, de perto, o sofrimento da família, pois ele era um homem de bem e sua mulher, Da. Laura, uma pessoa fina, gentil e muito querida.Convivi com vários Presidentes da Assembleia, mas um me marcou profundamente: Dr. Mário Guimarães, homem de poucas palavras, mas de uma integridade ímpar. Se o procurávamos para resolver qualquer problema, ele nos atendia calmamente, sem mentiras ou promessas enganosas.

Os anos foram passando e nossa vida funcional continuava sendo respeitada. De repente, tudo foi mudando, as reclassificações começaram a ser elaboradas por amigos de deputados, famílias inteiras foram sendo introduzidas nas folhas de pagamento.Começou então uma nova modalidade de entrar no serviço público: pessoas eram nomeadas como comissionadas e no ano seguinte entravam na folha de pagamento. Aí foi o início do tal do enxerto.Com a Constituição de 1989 tudo foi desandando.

Aprovado o  duodécimo, os deputados passaram a administrar a verba do Legislativo. Amigos, nossa tranquilidade teve fim! As Mesas Diretoras pensavam que tudo podiam!!! Chegamos a 5.000 servidores e uma verba mensal superior a 7,5 milhões de reais.O descontrole foi total, ninguém sabia de nada, entrava e saía gente da folha de pagamento de acordo com o humor dos dirigentes.Foi fundado o Sindicato dos Trabalhadores para horror dos deputados. Começamos a ter vez e voz e até ameaças de morte recebemos.

Negociar com os inatingíveis era dificílimo. Enquanto nos recebiam, enfiavam gente, até de menor idade, na folha de pagamento.Os companheiros amedrontados não queriam entrar na Justiça .

O primeiro processo que impetramos só 35 pessoas assinaram. O pavor era grande, A Mesa Diretora ameaçava os colegas, impedindo-os de assinarem qualquer documento. Se a Justiça nos dava ganho de causa, os dirigentes estendiam o direito para parentes e amigos. Hoje, 2014, o Legislativo perdeu totalmente o controle! O entra e sai na folha de pagamento é um verdadeiro carnaval.

Se você não reza na cartilha dos deputados é logo castigado: o salário é cortado, alguns saem da lista de pagamento e outros vão para uma lista negra. Só sobrevivem os bajuladores e cumpridores de ordens...absurdas. Meus amigos, isto é um pequeno resumo de meu livro. Nele darei nomes aos bois. Falarei da boa época vivida e da atual.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia