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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 770 / 2014

13/05/2014 - 17:51:00

JORGE OLIVEIRA

A imprensa canguru

Portugal, Cascais – Depois da ditadura militar, a imprensa brasileira ainda não encontrou identidade própria, mas alguns jornais felizmente estão procurando novos rumos.

Outros sequer sobreviveram às novas tecnologias que permitem a informação em tempo real. Os jornais,  antes fontes de informações atualizadas, passaram a vender noticias com um dia de atraso. Quem não se reciclou, se atualizou e se modernizou sucumbiu à crise econômica.

E os que ficaram formaram-se em grupos empresariais para resistir aos governos mau humorados que culpam a mídia quando caem em desgraça. Esquecem que a imprensa não governa, fiscaliza. Portanto não pode se acumpliciar com governantes incompetentes e corruptos.

Jornais, antes engajados na ditadura, mudaram de posição tão logo os militares se recolheram aos quarteis. Infelizmente é assim que funciona o mercado, é tudo businesse. Um deles, O Globo, até fez mea-culpa pelo apoio ao regime. Aliás, empresários e alguns notórios jornalistas, hoje vestais do moralismo político, contribuíram como freelances para o golpe de 1964, financiados por conspiradores militares e civis a soldo dos Estados Unidos.

 E assim, aos trancos e barrancos, os jornalistas e os donos de jornais saltam como cangurus e sobrevivem oscilando entre a modernidade tecnológica e as suas posições editoriais. Nos últimos anos, a imprensa fez apostas erradas. Patrocinou o Collor e depois o Lula.

O primeiro derrubou tão rápido quanto criou. Essa mesma imprensa que elevou Lula à categoria de líder, agora também desmonta o mito. E o PT vai junto como o partido mais corrupto deste século. Os jornalistas que ainda defendem os petistas o fazem envergonhados e decepcionados com o lamaçal de corrupção. Mantêm-se na defesa do partido à maneira soviética antiga com radicalismo e cegueira politica.

O ex-presidente Lula, antes o líder carismático, de conduta ética exemplar, vive hoje sob a critica da mídia a quem culpa de distorcer fatos e até de condenar previamente os mensaleiros que agora ele próprio renega. Quando esteve à frente da presidência cooptou os principais colunistas, levando-os para o governo. Muitos deles, carimbados depois de petistas, perderam o rumo, a identidade e a independência e hoje estão fora das redações. 


Subserviência

Para um governante medíocre, a imprensa só é útil quando é servil e o jornalista lambe botas. O PT orgulhava-se de ter o maior contingente de jornalistas engajados. No final da década de 1980, a Folha de S. Paulo, por exemplo, parecia mais um comitê petista do que propriamente a redação de um jornal que não acreditava em ninguém com mais de trinta anos. 

Amadurecimento

Os meninos daquela época cresceram, o Frias envelheceu e o jornal amadureceu. Assim como a Folha, outros como Globo e o Estado de S. Paulo vivem momentos de reciclagem política e de lucidez editorial. Talvez, por isso, o ex-presidente Lula não tenha mais a compreensão do  Brasil de hoje e o que é conviver com a imprensa livre. Ao ser cobrado pelos desmandos petistas, ele partiu para o ataque: quer fazer uma agência de notícias, já tentou criar um conselho para calar jornalistas e mantém blogs chapas-branca com dinheiro das estatais para falar bem do governo e do seu partido. Lula, o Brasil definitivamente não é Cuba. 


Avacalhação

Que o Brasil não anda bem das pernas todo mundo sabe, que os petistas não representam mais o povo também é fato. O que muitos brasileiros não sabem de verdade é a imagem deteriorada que se tem do seu país aqui no exterior.  Os jornais na Europa avacalham toda notícia que chega do Brasil. Guido Mantega, o ministro da Fazenda, o homem que teoricamente teria que cuidar das finanças, perdeu a credibilidade dos órgãos financeiros internacionais; a presidente Dilma é apontada como despreparada para o cargo e, agora, responsável pela péssima imagem da Petrobrás, depois das denúncias de corrupção; a entrevista do Lula à RTP em Lisboa foi um desastre; e o ultimo pronunciamento demagógico da Dilma feriu frontalmente a legislação eleitoral desmoralizando o Brasil de tal forma que ninguém aposta mais nem um tostão furado no êxito do PT nessas eleições.


Esculacho

Quando se abre os sites brasileiros por aqui o que se vê é assustador. É o deputado federal, Paulinho, da Força Sindical, pedindo a prisão da Dilma, responsabilizando-a pelos desmandos na Petrobrás quando esteve à frente do Conselho de Administração; a volta de José Genoíno, o mensaleiro, para a Papuda; e o Aécio, candidato a presidente, esculachando a Dilma antes do início da campanha eleitoral. Ninguém aposta mais nada nesse governo, que derrete como gelo. Pelo menos este é o sentimento de boa parte dos brasileiros que vivem na Europa.Sentimento de frustração e indignação. A estrela do Lula, “O Cara”,segundo o Obama, antes de quinta grandeza, é cadente. De tanto falar bobagem perdeu a imagem que se formava de estadista para a de tagarela, ignorante em assuntos econômicos e política internacional.

Pelegos

Não seria exagero dizer que se vive no Brasil de hoje uma crise institucional semelhante a que levou Getúlio ao suicídio, quando o jornalista Carlos Lacerda não economizava palavras para denunciar os escândalos do governo. O ex-presidente Lula volta ao discurso sindicalista de trinta anos atrás para apontar a elite pelo desgoverno, como se ele não fizesse parte hoje dessa camada social, que estimulou o sistema financeiro brasileiro a ser um dos mais lucrativos do mundo. Nega peremptoriamente que seria candidato novamente a presidente, quando se sabe que incentiva petistas a fazer o coro do “Volta, Lula” para intimidar Dilma a renunciar a candidatura à reeleição e evitar a acusação de golpista.

Cancelamentos

Na Europa pouco se fala do Brasil como uma das maiores potências econômicas. Fala-se muito por aqui de samba, mulheres com bunda de fora, de futebol, de  corrupção e de mensalão. A um mês dos jogos da Copa do Mundo reservas de hotéis e passagens de avião estão sendo canceladas por pessoas que temem pela violência de ruas durante os jogos. Repercutiu, inclusive, a informação de que o Chico Buarque de Holanda preferiu assistir os jogos em Paris, onde tem apartamento, a se arriscar indo aos estádios.


À deriva

É assim que muitos europeus veem o Brasil de hoje, um país à deriva, administrado por sindicalistas irresponsáveis, desqualificados e corruptos.Tanto na Alemanha como em Portugal, ouve-se falar pouco da Copa do Mundo, campeonato organizado pela FIFA , órgão com fama de corrupto, recheado de escândalos. Os brasileiros que circulam pela Europa evitam falar sobre política. Não querem responder a perguntas incômodas como a prisão dos ideólogos petistas e a corrupção generalizada nos órgãos do governo.


Apostas

Quando um sindicalista como Paulinho, da Força, sobe em um palanque no Dia do Trabalhador para pedir a prisão da presidente Dilma é porque o país perdeu o rumo e as autoridades viraram estercos, já que nesse mesmo palanque estavam o Gilberto  Carvalho, secretário-geral da presidência, e o Ministro do Trabalho, Manoel Dias, que ainda ouviram do líder sindical: “Quem tem coragem mostra a cara e quem não tem manda representantes”.É o fim. Faça suas apostas.

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