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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 769 / 2014

07/05/2014 - 18:18:00

Filho de Angela Garrote senta no banco dos réus

Mãe do universitário morto há sete anos crê na condenação de Toninho Garrote, ‘Paulinho do Cartório’ e de Juliano Balbino

Vera Alves [email protected]

Sete anos depois de começar uma dura batalha por justiça, a mãe de Diego Florêncio, o jovem que foi assassinado com 12 tiros de pistola em Palmeira dos Îndios em junho de 2007, vai se encontrar frente a frente com os acusados de terem tirado a vida de seu primogênito.

O julgamento acontece no próximo dia 13, na 9ª Vara da Capital e vai colocar no banco dos réus o filho de uma das mais influentes famílias do agreste alagoano, Antônio Garrote da Silva Filho (Toninho Garrote), e dois amigos dele, Paulo José Leite Teixeira (Paulinho do Cartório) e Juliano Ribeiro Balbino.

Diego tinha 23 anos quando foi assassinado na noite de 23 de junho de 2007 com 12 tiros de pistola e às vésperas de se formar como analista de Sistemas. No momento em que foi morto, caminhava na companhia de um amigo de infância e em cuja casa iria dormir. Leoneide Ricardo de Santana Florêncio, a mãe, conta que estava despreocupada pois sabia com quem o filho estava.

De madrugada, foi acordada com a notícia de que o filho tinha sido baleado e o esposo, Ricardo, que é médico, passara mal;  e não podia ser diferente: ele estava de plantão no hospital para onde o filho foi levado e se deparou com seu corpo crivado de balas.

No ano passado, o Tribunal de Justiça de Alagoas reconheceu o risco de ingerência caso o julgamento fosse realizado em Palmeira dos Índios, a cuja comarca pertence Estrela de Alagoas, e acatou o pedido de desaforamento para Maceió feito pela família de Diego. As razões são simples e evidentes: além de ser filho da ex-prefeita de Estrela, Toninho Garrote é irmão do atual prefeito do município, Arlindo Garrote da Silva Neto.

Juliano é secretário municipal de Assistência Social na cidade e Paulo Teixeira é dono dos dois cartórios de Palmeira dos Índios, de onde lhe advém o codinome “Paulinho do Cartório”. 

DO CRIME

“Motivo fútil”, foi este o entendimento do Ministério Público Estadual (MPE) ao pedir a denúncia dos três acusados de matar Diego Florêncio, corroborada pela Justiça ao decidir pela pronúncia de todos. Andando pela rua, desarmado, o universitário não teve a menor chance de defesa, o que foi reafirmado pela testemunha ocular do crime, o amigo Thiago com quem ele havia ido comer um passaporte depois de sair do Bar Gota d’Água, em Palmeira dos Índios, e passar por aqueles que são apontados como os autores do crime.

Em ocasiões distintas, Diego havia discutido com Paulo e com Juliano, atritos que, segundo Leoneide, jamais justificariam tamanha crueldade para com o jovem que sequer sabia – afirma ela – que eles nutriam tamanho rancor para com ele a ponto de deflagrarem mais de uma dezena de tiros a queima-roupa.

Marcados pela morosidade da justiça, graças aos recursos e agravos utilizados pelos acusados na tentativa de evitarem o Tribunal do Júri, os últimos sete anos não têm sido fácil para esta professora aposentada que em 2012 lançou um livro – Amor Incondicional – para contar a tragédia que abalou sua família e o pequeno município de pouco mais de 18 mil habitantes.

Nele ela revela o que poucos sabiam, Diego não era seu filho biológico; lhe foi entregue quando ele tinha poucos dias de vida e num momento em que ela e o esposo, depois de cinco anos de casamento, já tinham perdido as esperanças de gerarem um filho.Surprendentemente, pouco tempo após a chegada de Diego ela engravidou e deu à luz um menino, Lucas, e, em uma nova gestação a família foi acrescida de uma menina, que recebeu o nome de Luana. Somente após o universitário ter sido assassinado Leoneide conheceu a mãe biológica do jovem e esta contou que somente anos depois de ter dado à luz soubera que, ao contrário do tinham lhe dito, seu filho não havia morrido ao nascer. 

ESTRELA E OS GARROTE

Um dos mais jovens municípios de Alagoas, Estrela de Alagoas tem uma relação de amor e ódio com a família Garrote, sempre envolvida em denúncias mas sempre eleita para os cargos que disputa. Criada em 5 de outubro de 1989, a cidade só seria emancipada em 5 de outubro de 1992, tendo como primeiro prefeito Adalberon Alves Duarte.

Em janeiro de 1996 assume Antônio Garrote da Silva, falecido em 2005, que permaneceu no cargo até 31 de dezembro de 2003 e passou o comando da prefeitura para a mulher, Ângela Garrote. Acusada de ter forjado a separação do marido para poder se candidatar, ela chegou a ter o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

 Em 2013, a família Garrote voltou a ocupar as manchetes locais, quando Ângela, já ex-prefeita, foi  presa a pedido do Gecoc (Grupo Especial de Combate às Organizações Criminosas), do MPE, sob a acusação de integrar um esquema que desviou quase R$ 1 milhão dos cofres da prefeitura. No esquema também estariam envolvidos cinco ex-secretários, dentre eles o filho prefeito, Arlindo, e que à época dos fatos investigados pelo MPE acumulava os cargos de secretário-geral de Governo e secretário de Administração e Finanças.

Nas eleições de 2012, aliás, Toninho e Arlindo – então candidato a prefeito – chegaram a ser presos em flagrante no dia da votação por crime eleitoral.

Em dezembro do ano passado ele teve o diploma de prefeito cassado mas reassumiu o mandato uma semana depois por força de uma liminar. No começo deste mês, o caso foi levado ao Pleno do TRE que rejeitou as acusações e decidiu que ele deve cumprir todo o mandato, ou seja, até o final de 2016.

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