Acompanhe nas redes sociais:

19 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 769 / 2014

07/05/2014 - 18:10:00

O Senado de Joelhos

Eduardo Davino Ex-presidente do Sindipetro Al/Se cassado pelo golpe de 1964

Em princípio, a compra de uma refinaria de petróleo nos Estados Unidos não seria uma singularidade absurda. Poderia até ser um bom negócio.  Internacionalização dos investimentos é estratégia comum no mercado de capitais, notadamente no ramo do petróleo e seus derivados.

Absurda é a compra da refinaria de Pasadena, Texas, projetada na década de 1920, sendo a mais obsoleta refinaria de petróleo em território dos Estados Unidos da América, de longa data, indigente em investimentos para se manter competitiva no mercado. A julgar pelo valor das apólices de seguros a refinaria de Pasadena não valeria mais do que seu peso como sucata.Este fato é gravíssimo. Petrobrás e Eletrobrás não são os anéis, são sim, os dedos, as mãos e o pescoço do Brasil.

Aparelhar estatais de tão elevadas envergaduras econômicas para fins eleitorais, ao ponto de comprometer a estrutura energética é ferir de morte a Nação. A Petrobras, antes tivesse sido privatizada do que aparelhada com estribos para ser montada por insaciáveis ladrões.  Ante a essa realidade, o prejuízo bilionário com a operação de Pasadena, por si só, tem todos os elementos materiais necessários para instalar uma CPI.

Sobretudo quando a “tão distraída” presidente da Republica escandaliza a Nação declarando, publicamente, que foi enganada ao autorizar a “tenebrosa transação” sem conhecer duas cláusulas comuns e triviais em operações mercantis.Em tal cenário, as assinaturas de um terço dos senadores requestando a apuração dos fatos notoriamente ilegais completariam formalmente o escopo jurídico para o presidente do Senado Federal convocar os partidos para indicarem os membros de cada bancada na composição da CPI.

Porém, o presidente do Senado Federal, criativa e ardilosamente, alija o princípio da eficiência, subverte a jurisprudência do STF, “derruba e dá coices” no Regimento Interno do Senado e em tudo mais juridicamente conhecido acerca de processos e inquéritos para, em uma única CPI, apurar fatos desconexos. Uma presepada.

Tecnicamente uma suruba. Acaso, um delegado de polícia, em único inquérito, tentasse apurar crimes diversos, em épocas diversas, com vitimas e autores variados, certamente seria afastado das suas funções por não está usando adequadamente as suas faculdades mentais.Mas de doido o presidente do Senado Federal não tem nada.  

O famoso senador alagoano, perfilado no alto comando da facção lulista que assaltou o velho PT, manda e desmanda no Brasil, revela nitidamente a sua “gratidão” ao governo lulista que salvou a sua boiada de ouro e o seu mandato de senador. Claro está que o senador dos bois de ouro é cínico e ambicioso o suficiente para não medir consequências, passar recibo de que é bem capaz até de dar ao governo lulista um Congresso Nacional cheio de vacas de presépio, mansinhas, tolerantes para com os mais baixos instintos de qualquer um presidente ou “presidenta”.  Estas e outras atitudes pusilânimes da ralé depravada que, em maioria, habita o Congresso Nacional não surpreendem mais a ninguém.

A cara do senador de Murici é conhecida. Todo o Brasil sente e vê a sua astúcia para, até mesmo, emendar a Constituição Federal e legalizar o roubo, a expropriação, a tortura, assassinatos como convém a qualquer governo totalitário, fundamentalista e ateu enrustido. A propósito, cabe lembrar que, nos anos de chumbo, o Ato Institucional 05, sob a mira das armas, fechou o Legislativo.

Hoje, vergonhosamente, a covardia fisiológica coloca o Congresso Nacional de joelhos com as portas abertas. Isto é o pior. Não há, neste mundo de tantos canalhas, patifaria mais insultuosa para com os heróis e para com as heroínas torturados e mortos lutando pela redemocratização do Brasil.Ainda merece ser repudiado o obsequioso silêncio ofertado ao governo lulista pelos Sindicatos de Petroleiros, antes combativos, nacionalistas e nunca pelegos.

Felizmente nem todos arriam as calças para servir ao governo lulista. Há esperança. Ainda existe vida descente, honesta, responsável e inteligente em Brasília: a oposição congressista, em minoria, recorre ao Judiciário que, diante das evidências, antecipa a tutela jurisdicional para mandar instalar a CPI da Petrobras; a imprensa cumpre seu dever, relatando com riqueza de detalhes torpes os nomes da alta pilantragem do Brasil.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia