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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 769 / 2014

07/05/2014 - 18:06:00

Tem quem não concorde

JORGE MORAIS jornalista

Você não imagina a satisfação que me dá ouvir dizer: no confronto com a polícia morreram dois, três ou mais bandidos. Ou, que ao reagir, o que não é recomendável, vítima matou bandido que tentava praticar assalto. Ficaria triste se morresse o policial no cumprimento do seu dever ou o homem de bem, trabalhador, pai de família surpreendido por quem só vive para fazer o mal.Sei que nesse momento, tem muita gente criticando o meu ponto de vista, mas não tenho como pensar diferente diante de tantos casos que acontecem por segundo no Brasil.

Muitos vão dizer que a culpa não é de quem está praticando os assaltos, mas dos governos que não oferecem educação para esses jovens e adultos de hoje que se transformaram em bandidos.Vão dizer, também, que essa gente vive em favelas, sem emprego, e que a saída é roubar e matar. Como ser pobre ou viver em favelas seja sinônimo de bandido, assaltante ou assassino. Pergunto: E os que nasceram e vivem em berços esplêndidos, mas que também são bandidos. E não são poucos nessa situação, nas classes média e  alta da sociedade.Prender bandido não resolve nem devolve a vida de ninguém.

Não sou favorável a que se tenha a pena de morte, mas, muito sinceramente, não vou ficar triste se tiver um bandido a menos circulando por aí. Não estou, aqui, incentivando que a policia ou as pessoas saiam matando o bandido que encontrar pela frente. Estou escrevendo e dizendo que: antes ele do que eu.

Hoje em dia, ninguém tem segurança em lugar nenhum. Dentro de casa, é assaltado; Se vai a um restaurante, é assaltado; Se vai passear de carro ou a pé, é assaltado; Se anda de ônibus, é assaltado; Se vai a praia, vem o arrastão e é assaltado. Enfim, em qualquer lugar que você esteja, é assaltado ou vive com o risco iminente de que algo ruim possa acontecer.Na semana passada, ouvi o desabafo de um delegado de polícia, em Cuiabá, no Mato Grosso.

Em depoimento as redes Record e SBT, o delegado Sérgio Ribeiro, com muito equilíbrio, disse que estava decepcionado e revoltado com a função que exerce com dignidade, competência e amor, porque a polícia faz à sua parte, prende, e a justiça solta. O delegado chegou a pedir para ser transferido para uma cidade onde só tenha preso adulto, e que a população quando quiser denunciar menores, procure diretamente à justiça que manda soltar.

O seu desabafo veio no momento em que comandava uma ação policial e, ao prender cinco pessoas, dois adultos e três menores de 16 e 17 anos, com arma, munição e drogas, descobriu que dois dos menores tinham sido presos por ele dias antes, pelos mesmos motivos, e que estavam soltos porque uma juíza achou que não tinha motivos para que eles permanecessem presos ou internados numa casa de recuperação para menores.

Em um dos artigos do Extra, escrevi que prender por prender não é solução, até porque, não temos delegacias e penitenciárias suficientes, nem condições de, pelo menos, melhorar essa gente.

Se o poder público não tem como garantir uma mudança de vida, nem o país se preparou para educar os adultos de ontem, nem os jovens de hoje, fazer o que então? Escrevi também que em 1970 – há 44 anos – o Brasil tinha 90 milhões de brasileiros. Pelo menos, era o que dizia a letra da música, feita para a Copa do Mundo daquele ano.Em 2014, o país da Copa do Mundo tem 200 milhões de habitantes.

Ou melhor: 200 milhões de problemas. Milhões de pessoas sem escolas, sem atendimento médico, sem emprego, se drogando; envolvidos no tráfico de drogas; em roubos; em assassinatos.

Um país onde centenas de pessoas estão envolvidas com escândalos, desvios de verbas; com obras superfaturadas, como essas agora dos estádios de futebol, dos aeroportos; verbas para infra-estrutura; verbas da Petrobras; e das dezenas de escândalos nos últimos 10 anos.Você pode até não concordar, mas esse é o País que temos e, lamentavelmente, vivemos.

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