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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 769 / 2014

07/05/2014 - 14:25:00

JORGE OLIVEIRA

Lula propôs salvar Europa

Portugal, Cascais – Repercute mais no Brasil do que aqui a entrevista do ex-presidente Lula, que passou por Lisboa como um furacão, à RTP. Os portugueses não deram muita bola às declarações de Lula que tentou ensinar aos países da Europa como sair da crise econômica e a reconquistar a autoestima.  

Quando questionado sobre a insatisfação dos brasileiros com a administração petista, sacou de memória um monte de números que certamente não podem ser checados. Mas uma revelação do seu governo foi forte demais mesmo para os padrões Lula: construiu mais escolas técnicas no Brasil do que todos os outros governos nos últimos cem anos. 

O ex-presidente começou a responder às perguntas da repórter com muita paciência. Parecia que iria se manter calmo durante todo tempo até ter que falar sobre a construção superfaturada dos estádios de futebol, a prisão dos mensaleiros, a queda de popularidade da Dilma e as manifestações dos brasileiros contra o governo. Negou, como Judas, ter intimidade com os ideólogos do PT, hoje enjaulados na Papuda, e também que o mensalão existiu. “Um dia”, segundo ele, “tudo será esclarecido e a verdade virá à tona”.

Entre outras bobagens, o ex-presidente falou que “a Copa é o encontro das civilizações”, e que durante muito tempo aconselhou José Sócrates (ex-primeiro ministro de Portugal) e Zapatero (José Luiz Rodriguez Zapatero (ex-primeiro ministro da Espanha) sobre como sairem da crise econômica. Mas ao ser questionado sobre o governo desastroso da presidente Dilma isentou-a de culpa. “A Dilma”, segundo ele, “pegou os momentos mais duros da crise econômica lá fora”.

Para quem dizia que tudo não passava de uma marola, não deixa de ser um mea-culpa a revelação de que o tsunami chegou ao Brasil.Se esperava colher de chá da repórter da RTP – o sistema de comunicação estatal de Portugal – Lula foi surpreendido com as perguntas diretas e objetivas da entrevistadora.

Em alguns momentos irritou-se quando questionado, por exemplo, sobre as manifestações dos brasileiros contra os gastos com a Copa do Mundo em detrimento dos parcos investimentos na educação e na saúde. Para se livrar do incômodo, desviou-se da pergunta e  conclamou  demagogicamente o povo brasileiro a exigir padrão Fifa em todas as áreas sociais carentes do país.Antes da entrevista à RTP, o ex-presidente já tinha deixado um rastro de leviandade histórica numa palestra que fez sobre o 25 de abril que comemora a Revolução dos Cravos.

Disse, para agradar os portugueses, que a música Fado Tropical, de Chico Buarque,incitou os brasileiros à luta contra a ditadura. Esqueceu-se de que a queda do regime foi uma concessão entre os militares e a sociedade civil. Durante a entrevista à RTP, o ex-presidente também sacou um número que ele acha excepcional para mostrar o crescimento do Brasil no governo petista. O crescimento – quase três vezes – do número de carros nas cidades. Quando questionado que o país não tem estrutura urbana para receber tanto automóvel não conseguiu se explicar. 

Desilusão

Portugal comemorou 40 anos da Revolução dos Cravos no dia 25 de abril com muita gente nas ruas de Lisboa. Milhares de pessoas fizeram passeatas pelas principais avenidas da cidade, muitas carregando cravos vermelhos, símbolo da queda da ditadura fascista do país em 1974. Ao contrário dos latinos, que saíram das ditaduras por força da sociedade organizada que empurrou os militares de volta para os quartéis, aqui o golpe que trouxe de volta a democracia foi dos próprios militares com conspiradores civis. 


Protestos

O aniversário foi aproveitado por manifestantes e sindicalistas para protestos contra o governo que vive sob as rédeas da Comunidade Econômica Europeia e a do Fundo Monetário Internacional a quem deve prestar contas, duas vezes por ano, até 2038. Entra governo e sai governo, independente da cor ideológica, Portugal não sai da crise econômica e nem sabe ainda como pagar os bilhões emprestados pela CEE e  o FMI para modernizar o país, dinheiro que saiu pelo ralo. Não é de se estranhar, portanto, o movimento que prega a abstenção nas próximas eleições. 


Abstenção

Intitulado de “Movimento democracia direta – que se lixe votar”,  milhares de panfletos foram espalhados durante as passeatas pela Avenida da Liberdade e no Chiado, bairro que tem, entre outras belas atrações, Fernando Pessoa em frente a um restaurante. Diz o texto do manifesto: “O problema não está nas ideologias, está no sistema, ganhe aquele que ganhar continua tudo igual, o sistema protege quem rouba, que é desonesto, a mentira, o embuste...” Continua em outro trecho: “Não legitime o sistema que alberga e protege gatunos”.


Saudosistas

No Brasil -  que viveu vinte anos sob a ditadura - já se nota sinais de insatisfações semelhantes às de Portugal. Artigos nas rede sociais e pronunciamentos de parlamentares no Congresso Nacional enaltecem o regime de exceção como um dos mais prósperos quando o comparam com o governo atual. Além disso, alguns saudosistas do regime batem no peito para dizer que não havia corrupção na ditadura. Omitem, por conveniência, a censura à imprensa, o fechamento do Parlamento, a tortura e os atos institucionais que deram aos militares poder absoluto e soberano para conduzir o país com mão de ferro. FrustraçãoÉ preciso, porém, estar atento a esses movimentos que se proliferam pelo mundo. No nosso país, por exemplo, a insatisfação é generalizada com o governo. Espera-se um recorde em abstenção e votos nulos nas próximas eleições presidenciais. O que há, na verdade, é uma imensa frustração dos brasileiros com esse grupo que se dizia de esquerda, mas se alimenta da direita, com quem fez um pacto financeiro; adaptou-se rapidamente às elites que tanto combatia; quer se perpetuar no poder; e vive atolado na lama da corrupção.  


A esquerda

É o sentimento de desilusão que move os brasileiros assim como os portugueses que também foram às ruas e assistem hoje decepcionados suas esperanças de um país melhor dilaceradas por administradores vis, anárquicos e submissos. As bandas da esquerda que chegaram ao poder na Europa pela social democracia e a outra,do Brasil, pela influência castrista, autoritária e arbitrária, mostraram-se incompetentes. A Europa atravessa uma das piores crises econômicas com altos índices de desemprego e a disseminação cada vez maior da pobreza. E o Brasil vive algumas crises crônicas: a moral, a principal delas, e a da corrupção petista com seus principais ideólogos presos no presídio da Papuda em Brasília.


Enjaulados

Quem diria, hein!? A esquerda brasileira que se orgulhava das prisões políticas e da luta de classe vive agora enjaulada por roubar dinheiro do povo. É por causa disso que os brasileiros, assim como seus patrícios europeus, acham que a abstenção e o voto nulo também são atos políticos: não querem legitimar o assalto aos cofres públicos. 


Uma coisa Lula deixou claro, o Brasil  de 500 anos atrás não é o mesmo depois dos seus 10 anos de governo. Quanta arrogância, meu Deus! Ah, ia esquecendo: voltou a dizer ser filho de país analfabetos e que mostrou à elite ter sido o melhor presidente do Brasil dos últimos cem anos. 

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