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Edição nº 768 / 2014

29/04/2014 - 11:31:00

Opção por Tavares surpreendeu a todos

DA REDAÇÃO

Na sucessão 2014, Téo Vilela surpreendeu duas vezes. Primeiro ao anunciar que não era mais candidato este ano. Um anúncio estranho para um forte postulante ao Senado, deixando a porta aberta para a disputa apenas entre Collor e Heloísa.

O segundo anúncio foi o lançamento de Eduardo Tavares. O ex-procurador-geral de Justiça foi chamado para o governo de Alagoas numa situação de desespero para substituir o coronel Dario César na Secretaria de Defesa Social. Com uma breve passagem pelo cargo e sem apresentar melhores resultados, foi lançado candidato a governador como um nome “novo” capaz de angariar a simpatia da classe média, viabilizar um segundo turno, garantindo, de quebra, o palanque para Aécio Neves.Para o grupo palaciano, os dois ex-secretários, assim como Biu e Alexandre Toledo, não representam o novo esperado pelo eleitorado.

Por isso, antes da escolha final, o prefeito da capital, Rui Palmeira, também foi convidado para cumprir esse papel, mas não aceitou sair candidato diante das incertezas da campanha. O anúncio do nome de Tavares foi tão surpreendente que deixou irritados os outros três postulantes que buscavam apoio no governador. A insatisfação é tão grande ao ponto de, alguns deles admitirem que esse passo teria sido negociado, por cima, com Renan Calheiros.

E para complicar o quadro dos candidatos da base governista estadual, Téo Vilela, até agora, não definiu nem apoia nenhum candidato ao Senado. Convidado, Nonô não aceitou ir para o sacrifício de ter que disputar o Senado numa briga de foice, polarizada entre Collor e Heloísa, na qual ele faria o papel de simples coadjuvante. Uma disputa tão forte que nem mesmo Téo Vilela aceitou.

Os nomes mais cotados são os dos deputados João Caldas (SDD) e Joãozinho Pereira (PSDB), mas essa definição e outras no campo majoritário passam pelo grupo palaciano, comandando pelo secretário Álvaro Machado, um dos homens fortes na administração tucana. Os mais próximos dizem que o governador tem revelado mais interesse em conversar sobre a candidatura de seu sobrinho, Pedro Vilela, à Câmara dos Deputados, que discutir os nomes majoritários. 

Renan, Lessa e Collor dão as cartas

Na oposição, articulados em torno dos interesses dos senadores Renan Calheiros e Fernando Collor e do ex-governador Ronaldo Lessa, dezesseis partidos resolveram formar uma coligação que, pela força eleitoral e pelo tempo de rádio e TV, poderá definir a disputa ainda no primeiro turno. Nesta frente, o papel político central é do senador Renan Calheiros, mas o principal operador da coligação é Ronaldo Lessa, candidato a deputado federal pelo PDT.

Na reunião de Penedo, para a apresentação do programa de governo, as presenças de 81 prefeitos, vários deputados e, principalmente, de lideranças como Givaldo Carimbão, Rosinha da Adefal, ex-prefeito Cícero Almeida, Paulão do PT, a prefeita Célia Rocha e até um ministro – Vinícius Nobre Lages, do Turismo–, deram uma demonstração de força que lembrou a articulação para eleger Divaldo Suruagy em 1994. Essa era a opinião do ex-governador Moacir Andrade, também presente no encontro de Penedo.

A presença de vários prefeitos e vereadores do PSDB e de um deputado estadual tucano no encontro do PMDB sinalizou para onde está indo os que querem sobreviver eleitoralmente, com um pé na oposição e outro no governo. Mesmo assim, Téo Vilela tem feito constantes elogios a Renan Calheiros, com quem se encontra constantemente.

Bem diferente do tratamento dedicado a Fernando Collor, prometendo uma campanha  contra o oposicionista que desgastou sua gestão, com fortes denúncias no jornal de sua propriedade, e que ajudaram a desmontar seu principal programa, o “Alagoas tem pressa”.

Para se demarcar dessa briga, o senador Renan Calheiros colocou, em seu discurso de Penedo, que esta eleição será marcada “não pelo embate, mas pelo debate”, reforçando ainda mais a tese de um grande acordo entre ele e o atual governador.Todas as pesquisas apontam o favoritismo do senador Renan Calheiros, que confirmará ou não seu nome até o começo de maio, a depender da conjuntura nacional.

 Muda o quadro com o lançamento de seu herdeiro político e deputado federal Renan Filho, situação que aumentará as chances de Biu de Lira para um segundo turno, caso cresçam as outras três candidaturas. Para o Senado tudo caminha para o confronto entre a ex-senadora Heloísa Helena e Fernando Collor.

As duas últimas pesquisas apontam o favoritismo de Collor, cada vez mais presente no interior do Estado, mas Heloísa surpreende nas pesquisas com um terço dos votos e aposta numa possível rejeição de Collor na capital.

Setores do PMDB tentaram lançar um nome próprio, o médico José Wanderley ou Luciano Barbosa, ex-prefeito de Arapiraca, mas que foram desestimulados pelo senador Renan Calheiros, mais interessado no Palácio dos Martírios, seu grande objetivo.

Até junho, o mês das convenções, é tempo das arrumações e articulações, principalmente nas chapas proporcionais, que parecem já bem adiantadas. Se, até lá, não houver nada de inesperado, os resultados das eleições em Alagoas deverão apresentar o esperado e, em outubro, vencerão os mais articulados.

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