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20 de Setembro de 2018

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Edição nº 768 / 2014

29/04/2014 - 10:25:00

Traficante de entorpecentes: um homicida social

Geovan Benjoino (*) [email protected]

O traficante de entorpecentes é mesmo um homicida social. Ele consegue ao mesmo tempo não só matar o corpo físico, mas dilacerar, esfacelar e destruir a alma e o espírito de usuários, famílias e sociedades aos milhares.

O traficante, através de seu “comércio” maligno, destrói a autoestima, aliena, prostitui, escraviza, provoca perdas irreparáveis, desajustes familiares e sociais imensuráveis, leva à loucura e reduz a pessoa humana a uma coisa imprestável jogando-a na sarjeta física, moral, emocional e espiritual. 

A redundância é proposital, mas vale a pena ressaltá-la: assim como a ferrugem, o traficante corrói o que há de mais profundo nas entranhas do ser humano criando um “vivo morto”, um ser sem identidade, um número sem valor na matemática assassina.

O traficante é um agente diabólico, uma ave de rapina, um abutre, um mercenário, um mercador do mal que “fisga” o usuário pela boca como peixe em troca de um prazer momentâneo, de um mundo ilusório. A cada dia suas ações deletérias expandem-se no mundo inteiro. 

O entorpecente – “obra-prima” comercializada pelo traficante escraviza exércitos de miseráveis transformando-os em seres coisificados. Esses “seres vivos” que já “morreram” há muito tempo perderam a capacidade de lutar, a vontade de viver, o prazer de sonhar, a alegria de fantasiar e o amor ao próximo e a si próprio.

O traficante adora quando “fisga um peixe humano”, pois ganha dinheiro até a destruição total de sua vítima. Ele tem plena consciência que, enquanto o usuário permanecer reduzido à pele envelhecida e a ossos carcomidos o “escravo” continuará enriquecendo o seu cofre criminoso.Astuto, frio, perverso e implacável em sua vingança, o traficante não respeita ninguém nem tem o mínimo de piedade.

Ele é movido pelo apego ao dinheiro e frieza emocional. Em nome do enriquecimento material, o traficante é capaz de qualquer selvageria. Por isso, ele não perdoa o traidor, quem atrapalha seus negócios e o caloteiro.

Sua “justiça” não faz distinção de sexo, cor, idade ou condição social. A pena capital é o prêmio que recompensa a sua alma pequena e perversa.Não constitui nenhum exagero afirmar que o traficante é um dos maiores depredadores da espécie humana.

É uma plaga materializada no entorpecente. Estatisticamente está provado que nos últimos tempos a maioria absoluta dos homicídios praticados contra o ser humano é provocada pelo tráfico de entorpecentes, cujo comércio criminoso é o mais lucrativo de todos.Não acredito que o traficante quando condenado pela justiça humana pague pelo mal que praticou contra o próximo, por mais rigorosa que seja a pena.

Também não acredito que a morte física repare os malefícios provocados pelo traficante. Seus males são irreparáveis e suas dívidas imensuráveis e impagáveis.

Se o seu espírito fosse picotado, a sua alma esfacelada e seu corpo transformado num trapo, mesmo assim o traficante não pagaria sua dívida social e espiritual à humanidade.

 Entendo que o traficante não deve permanecer livre para continuar se enriquecendo e submetendo suas vítimas a um mundo “encantador e prazeroso” num primeiro momento, mas em seguida terrivelmente devastador em todos os seus aspectos.

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