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20 de Setembro de 2018

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Edição nº 768 / 2014

29/04/2014 - 10:11:00

O foco da questão

Alari Romariz Torres aposentada da ALE

Tiro o meu chapéu para o ex-Procurador do Legislativo: ele conseguiu fazer o povo alagoano acreditar que os Deputados Estaduais são criaturas inocentes e que os grandes culpados da situação em que se encontra a Assembleia Legislativa são  os servidores ativos e inativos da Casa.   

 Elaborou pareceres longos e agressivos nos processos administrativos em que os funcionários reclamavam da violação de seus direitos. Foi cada cacetada de dar dó!!!     

Todas as resoluções aprovadas pelos Deputados nos últimos vinte anos nada valiam, segundo o douto Procurador. Diante disso, voltaríamos a 1986, perdendo o pouco amealhado em duas ou três décadas.   

 Aí, veio um terremoto: primeiro os médicos, depois os servidores antigos. Se o moço inteligente demorasse mais, só ficariam ele e os parlamentares.     

Tornamo-nos párias da sociedade. Ninguém se arriscava, em qualquer ambiente, a dizer que era funcionário do Legislativo. As redes sociais diziam horrores sobre nós, funcionários do Poder Legislativo.   

 A bagaceira culminou com uma lista de 300 servidores ¨ociosos¨ colocados à disposição da Secretaria de Defesa Social. Na tal lista havia aposentados, mortos e na grande maioria, pessoas prontas para se aposentarem. Foi um caos: gente hospitalizada, outros com pressão alta e um desespero total. Entretanto, não posso afirmar que o Judas era o ex-Procurador. Entendo a existência de vários responsáveis pela seleção dos ¨ociosos¨; mas, o lindo olhar do sábio advogado passou por lá, não tenho dúvida.     

Aí, o Ministério Público ¨despertou para Jesus¨ e resolveu solicitar ao TJ autorização para abrir o sigilo bancário e fiscal de 105 pessoas que receberam altas quantias dos senhores Deputados em 2012, ano da eleição para Prefeito.   

 É importante frisar que não são ¨servidores¨ da ALE. Quem recebeu o dinheiro foram comissionados, laranjas, agiotas e pouquíssimos efetivos.   

 O dinheiro foi fruto do convênio firmado entre a Caixa Econômica e o Legislativo alagoano para continuar depositando o duodécimo na Caixa. E a pressa era tanta que anteciparam a assinatura do convênio e tiveram que pagar uma multa.     

O MP conseguiu, através do TJ, receber o duodécimo sem cortes. A redução dos valores do MP foi fruto da vingança por parte da Assembleia em virtude das denúncias chegadas à Procuradoria Geral de Justiça.      

Foi aí então, que o foco da questão voltou à tona e o povo vai entender que não foi por nossa culpa que a ALE faliu. O desvio de dinheiro público é o verdadeiro motivo da crise vivida pelos Deputados alagoanos, mais precisamente pela Mesa Diretora.   

 Existem quase 900 comissionados com bons salários. É voz corrente nos corredores do Legislativo que os salários por eles recebidos são divididos com os Deputados. Daí porque os estáveis são perseguidos: eles não dividem o que recebem com os ¨patrões¨.     

Voltando à lista do Toledo: constavam da relação estáveis antigos, chefes de Departamentos, aposentados e mortos que iam parar nas delegacias de polícia, trabalhar em algo que nunca viram, provocando assim, desvio de função.   

 Uma pergunta que não me deixa dormir: só quem vai devolver o dinheiro  são as 105 vítimas? E os Deputados que pagaram e receberam os valores  de volta não vão ser punidos?   

 Graças a Deus e ao MP, o povo de Alagoas vai entender melhor o foco da questão: o desvio de mais de 4 milhões de reais dos cofres públicos.

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