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Edição nº 768 / 2014

29/04/2014 - 10:09:00

Este era Luciano do Vale

JORGE MORAIS jornalista

Quando uma pessoa famosa morre, a gente costuma dizer: era uma pessoa muito boa. No caso do locutor Luciano do Valle, ele era muito mais do que gente boa. Excelente figura humana, um grande narrador esportivo, amigo, dedicado, sempre motivado, um incentivador da carreira dos mais jovens, um cara responsável, e referência para os iniciantes e antigos profissionais do rádio e da televisão.Mesmo a distância, eu posso falar de Luciano do Valle.

Tive a oportunidade de conviver com ele em algumas copas do Mundo e Copa América. Em todos os momentos, esse humilde comentarista esportivo, de uma pequena cidade do nordeste brasileiro, sempre foi tratado com muita elegância. Antes de receber um cumprimento, Luciano era quem chegava primeiro e fazia essa referência.

Atendia todo mundo com igualdade, fosse famoso ou não. Tirava fotos e dava entrevista para qualquer repórter na cobertura dos eventos onde ele estivesse presente. Atendia o desejo dos torcedores em cumprimentar, bater um papo, tirar uma foto de recordação, como poucos faziam. Nunca o vi de cara fechada.

Era um homem elegante em suas ações. Chegava cedo aos estádios, e parecia adivinhar que seria bastante assediado e precisava ter tempo para todo mundo, antes de iniciar o seu trabalho.Na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, e na da França, em 1998, tive o prazer de conviver no mesmo ambiente com Luciano do Valle. Como todo mundo, tirei fotos, falei de Alagoas, e ele me disse: adoro o Nordeste. Concluiu dizendo: “Minhas ligações são fortes com o Estado de Pernambuco. Tenho casa em Porto de Galinha e, quando me aposentar, quero ficar na região”.

Esse depoimento ficou marcado na minha memória, feito num lugar tão distante, em Paris.Luciano do Valle era diferente de todo mundo. Era diferente no jeito de transmitir jogos, de passar emoção, no grito de gol, no elogio as pessoas, e na forma de se emocionar. Como iniciou sua carreira pelo rádio, a maneira de fazer televisão foi assimilada pela emoção e rapidez em dizer as coisas. Não gritava, levava emoção a quem estava assistindo.

Mandava abraços, mas não era chato na maneira como fazia.Depois de começar aos 16 anos de idade no rádio, em Campinas, se transferiu para a televisão, trabalhando na Rede Globo, depois na Record, e por muito tempo na Rede Bandeirantes, em duas oportunidades. Nesse último tempo, Luciano do Valle preocupado com o desemprego no rádio do Recife, e com o fechamento do departamento de esportes da Rádio Clube, resolveu montar uma equipe de trabalho na emissora e narrou jogos do Campeonato Pernambucano, emprestando o seu nome e o seu talento aquela emissora.

Ouvi uma frase assim: “Um domingo sem Luciano, não Valle”. Realmente, essa é uma afirmação verdadeira, objetiva e difícil para a gente aceitar e se conformar. O Brasil perdeu, na minha opinião, o melhor locutor esportivo da televisão brasileira em todos os tempos. No Governo Ronaldo Lessa, eu era diretor da Rádio Difusora, e participei da vinda de Luciano do Valle ao Projeto “Um Dedo de Prosa”, do Instituto Zumbi dos Palmares. Essa foi à última vez que, pessoalmente, estive com Luciano do Valle.

Muitas homenagens foram prestadas a ele. Muitos depoimentos foram dados por pessoas que conviveram muito de perto com ele. Na frente de uma televisão, não interessava qual o jogo que ele estaria narrando, na maioria das vezes jogos dos times paulistas, eu estava lá acompanhando as suas narrações e aprendendo com o seu trabalho.Se correto for o sentimento de inveja, este eu carrego comigo, de ter visto tantos profissionais trabalhando ao lado de um homem como Luciano do Valle. Que ele esteja feliz ao lado de Deus.

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