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Edição nº 767 / 2014

23/04/2014 - 09:47:00

Diógenes Tenório: “Vagabundo comigo não tem vez”

Futuro secretário de Defesa Social diz que parasitas serão extirpados na sua gestão

João Mousinho [email protected]

O homem com 21 anos de magistratura que terá a missão de comandar a Defesa Social por pouco mais de sete meses, promete agir com independência. Com a mesa abarrotada de trabalho, no Tribunal de Justiça do Estado, e prestes a encerrar sua carreira como juiz “com a missão cumprida”, segundo ele, Diógenes Tenório concedeu entrevista exclusiva ao jornal Extra na terça-feira (15), quando informou que não vai tolerar inércia no serviço público. Para ele, fazer justiça com as próprias mãos revela a falência do Estado.Leia a entrevista com o futuro secretário de Defesa Social do Estado de Alagoas:

Extra - Qual o maior objetivo do senhor ao assumir a Pasta?

Diógenes Tenório - Eu só posso definir o principal objetivo depois que eu sentar na cadeira e começar a tomar consciência da nossa realidade. Hoje nosso objetivo é meio serôdio, passa a ser sistemático: de combate à violência em todas as matrizes.Como vou fazer isso? Aí eu só posso dizer quando chegar lá.Em verdade, o mote principal é combater o nível elevado de homicídios, combater o tráfico de drogas e depois partir para as outras políticas mais comuns.

Qual a motivação para aceitar o desafio?

Diógenes - Foi a consciência que eu fui tendo ao longo do tempo no Conselho de Segurança de que as coisas estão precisando de uma participação maior, mais efetiva de alguém que fosse pra lá com o máximo de independência como eu costumo enfrentar os meus problemas.Esse problema é do Estado de Alagoas, é da sociedade alagoana, os reclamos são gerais e a responsabilidade da gente que chega é muito grande.Eu carrego comigo o benefício da dúvida e da expectativa porque a sociedade lhe oferece isso. Uns dizem: “Vá em frente doutor Diógenes, boa sorte!”. Outros me atacam: “Doutor isso é um rabo de foguete e o senhor pode cair numa fria”.Seja como for, eu vou vocacionado para fazer alguma coisa. 

O senhor esteve com Eduardo Tavares nesse processo de transição?

Diógenes -  Só no dia que dei minha confirmação perante o governador de que aceitaria o encargo. Conversei com Eduardo e ele me passou qual foi a sua luta, estratégias, os elementos que passaram a compor a sua equipe.

O senhor vai manter a estrutura montado por Eduardo Tavares?

Diógenes - Depende de como os trabalhos se desenvolvam. Quem se ajustar a um plano de ação imediata que nós devemos traçar permanecerá, quem não se ajustar naturalmente se encarregará de procurar o seu caminho.

A Defesa Social, nesse e em outros governos, serviu de cabide de empregos e troca de favores. Como o senhor vai agir nesse quesito?

Diógenes – Primeiro: eu gosto de trabalho, eu não gosto de emprego; é assim que eu fiz durante toda vida. Eu nunca fui empregado, eu sempre fui trabalhador. Vagabundo comigo não tem vez. A minha prática é de trabalho.Garanto que cabide de emprego na minha gestão não acontecerá. Eles poderão se ajustar melhor em qualquer outro órgão do Estado, menos na Secretaria de Defesa Social; lá ficará quem estiver disposto à luta, quem quiser arregaçar as mangas, quem quiser marchar comigo no sentido de atender os reclamos da sociedade.É tão grande o índice de violência no Estado que é preciso que nós procuremos dar o máximo do nosso esforço em combate a esse mal e não se pode dar isso deixando que alguém fique na Secretaria de Defesa Social tomado pelo marasmo, pela inércia improdutiva.Todo mundo vai ter que produzir: soldado, auxiliares, trabalhadores. Cada um vai dar sua cota em favor da Defesa Social.

O que o senhor quis dizer em relação à unificação das polícias?

Diógenes - Quando eu falo em unificação das polícias, eu falo em fazer um trabalho unido, em ação conjunta. O que eu quero é os braços das polícias Civil e Militar sempre entrosados, em defesa de um interesse comum que é a paz social.Há um projeto macro, de nível nacional, de se criar uma polícia única no País, mas esse não será o caso da unificação em Alagoas. Quando eu falo em unidade, eu penso em trabalhar em união.Quero trabalhar com pensamento unificado de ações que possibilitem o avanço da segurança em proveito social.

O Tribunal de Justiça decidiu recentemente sobre a posse da reserva técnica da Polícia. Como o senhor entende essa questão?

Diógenes - Eu sou originário do Poder Judiciário e creio que decisão judicial deve ser respeitada; cumpre-se.Se o governo do Estado dispuser de algum canal de recurso financeiro para a vinda desses homens para tropa serão bem vindos. O que não pode haver é discussão de uma decisão judicial.Outra coisa que deve ser respeitada são as instâncias recursais enquanto elas existirem.

Atos de jstiça com as próprias mãos estão sendo praticados diariamente em Alagoas. Como o senhor avalia essa situação de barbárie? Bandido bom é bandido morto?

Diógenes - Essa questão é delicadíssima. O Estado tem que exercer seu papel como Estado e não pode nunca, por exemplo, abrir mão do seu dever. Não podemos permitir justiça com as próprias mãos; isso seria a falência completa do Estado como instituição. O que está acontecendo, não apenas em Alagoas e sim no Brasil inteiro, é que a sociedade está perdendo a crença nas autoridades constituídas, pois têm sido poucas as respostas positivas aos resultados que a sociedade espera para as suas angústias, para as suas aflições.Nesse desespero vivido pela sociedade, ela utiliza o método bárbaro de fazer justiça com as próprias mãos. Sou magistrado de origem e não posso admitir que esse seja o caminho.Acho que o Estado deve dar condição para que a sociedade acredite nele, nas instituições que tutelam o Estado.

Como o senhor encara a guerra do tráfico de drogas?

Diógenes - É uma preocupação do Estado e não se pode passar a mão na cabeça de quem quer que seja. Evidente que isso traz um mal social muito grande e o Estado não pode assistir a isso apenas de forma contemplativa.Hoje existe política de prevenção, da chamada profilaxia social, e acreditamos que isso é muito válido. É melhor você trabalhar com a profilaxia do que com a terapêutica – aplicar o remédio porque o mal já surgiu.

O viciado tem como se tratar, mas com traficante tem que se agir com a força da lei e de polícia.As fronteiras do Estado estão abandonadas?

Diógenes - O Brasil é um país imenso e tem as suas costas desprotegidas. Não é brincadeira; toda nossa área de fronteira está sem polícia. Toda hora todo mundo vê isso nos noticiários nacionais de TV.Essa carência nas nossas fronteiras internacionais tem permitido que entre no Brasil um número elevado de armas de grosso calibre, que nem a polícia detém.Com os Estados não é diferente; Alagoas não está a salvo desses problemas. Hoje você atravessa o Nordeste inteiro seja em direção ao sul ou norte e você não encontra barreira em parte alguma cuidando das nossas fronteiras.O bandido vem de Pernambuco para Alagoas; vai de Alagoas para Sergipe, de Sergipe vem para Alagoas e não há um cuidado merecido, digamos assim.Nosso efetivo é pequeno e acredito muito no auxílio da Polícia Rodoviária Federal nessa tarefa. Nós temos a própria Polícia Federal que está irmanada conosco em vários propósitos, mas tudo isso ainda é muito pouco em termos de planejamento para essa área.

O senhor já manteve contato com o MP em relação ao crime organizado?

Diógenes - Eu sempre tive contato com o Ministério Público, com o Gecoc e a Polícia Federal, porque antes eu integrava o monitoramento do plano Brasil Mais Seguro, integrei o Conselho Nacional de Segurança e essas duas experiências me permitiram conviver com todos esses órgãos. Isso me permitiu ter uma visão cuidadosa de como várias coisas acontecem por aí afora.

Em ano de eleição a pasta da segurança é alvo de críticas e até ataques pessoais. Como o senhor vai encarar essa situação?

Diógenes - As críticas construtivas eu vou absorver; elas irão me ajudar a fazer o melhor, mas às críticas improcedentes, que apenas têm com o intuito de rebaixar o nível do nosso trabalho, eu darei a resposta no momento oportuno, naquilo que for conveniente fazer.A gente não se livra nunca dos inúteis de sempre, que só pensam em criticar. Aqueles que queiram ser partícipes em nossas lutas que tragam suas contribuições e nós vamos verificar o que a gente pode melhorar em nosso dia a dia. Estaremos abertos ao diálogo.

Que recado o senhor manda para a população?

Diógenes - Eu aceitei o encargo. Pretendo desenvolver meu trabalho com profunda independência para o bem de Alagoas. A minha preocupação é com a sociedade alagoana.Se eu sentir que serei incapaz de fazer isso, eu serei transparente o necessário para dizer à sociedade até onde vão os meus limites. Se Deus quiser vamos chegar lá com um válido trabalho.

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