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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 767 / 2014

23/04/2014 - 07:49:00

JORGE OLIVEIRA

Vargas, o falastrão

Alemanha, Hamburgo - Eu não sei se você compartilha da mesma opinião, mas acho que o país atravessa uma das suas maiores crises morais. A corrupção está tão impregnada no dia a dia do brasileiro que o noticiário dos escândalos, na verdade, já não escandaliza ninguém. As empresas estatais foram tomadas de assalto por sindicalistas petistas; símbolos até então de resistência no mundo, como o braço erguido e os punhos fechados, viraram a marca dos mensaleiros presos na Papuda; e  o maior orgulho dos brasileiros, a Petrobrás, é hoje uma casa de tolerância, o maior foco de corrupção do país. 

A presidente Dilma assiste a tudo isso como uma múmia, sem reação, paralisada. Teme demitir seus auxiliares com medo de melindrar o ex-presidente Lula, responsável pelo lixo que se transformou o Brasil. A Graciosa, coitada!, uma burocrata de carreira da Petrobrás, só abre a boca pra dizer besteira.

É outra que tem medo de confrontar os sindicalistas incompetentes e medíocres que se apoderaram da empresa para fazer negócios escusos com diretores e ex-diretores envolvidos com doleiros e com criminosos de colarinho branco.Nunca a música de Bezerra da Silva “se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão…” esteve tão atualizada. Essa geração de jovens que vai às ruas protestar só conhece o PT dos escândalos, da prisão dos mensaleiros e do desleixo com o país.

É difícil explicar a esses rebeldes que o PT que comanda o país outrora também foi às ruas com seus militantes para protestar contra o abuso de poder, a corrupção, a inflação, o FMI. Como explicar também que o líder maior, Luis Inácio Lula da Silva, ofendeu a Câmara dos Deputados que abrigava, segundo ele, mais de 500 picaretas. 

Não se passaram dez anos e o que se vê no Brasil hoje é uma quadrilha extorquindo empresários, roubando as empresas estatais e deteriorando a economia com falsos números e maquiagem nas contas públicas. Não se passa um dia sem que a Polícia Federal realize uma blitz para prender servidores públicos. No Ministério do Trabalho, por exemplo, onde o rombo foi de mais de 200 milhões de reais, a PF só não prendeu o porteiro. 


No escândalo da Petrobrás, meu Deus!, o descaramento é tanto que o ex-presidente José Sergio Gabrielli teve a cara de pau de ir ao Congresso Nacional defender o imbróglio como um bom negócio para a estatal. Em um país sério, a Papuda já teria um puxadinho novo para guardar tanto petista ladrão. O ultimo deles, André Vargas, licenciado da Câmara, que responde a processo na Comissão de Ética, justificou as suas viagens no avião do doleiro, de quem é sócio, como um “equívoco”.

Acha que nós, os brasileiros, somos idiotas. Aliás, é o que o PT tem feito ao longo dos últimos 12 anos: tratar os brasileiros como dementes, babacas e incapazes de reagir a esse assalto às empresas públicas. Não à toa, a última pesquisa divulgada no Distrito Federal mostra que caiu de 87% para 78% os que se orgulham de ser brasileiros; que 63% acham que a situação está cada vez pior; e que 64,8% desaprovam a presidente Dilma, número próximo dos que pedem mudança.

Defesa

O ex-presidente Lula inovou na maneira de falar à imprensa. Ele agora convoca os blogueiros oficiais – aqueles patrocinados pelas estatais – para falar à nação sobre os últimos escândalos do seu partido. Lula não queria ser importunado com perguntas inconvenientes sobre os últimos acontecimentos do PT que coloca na berlinda o deputado André Vargas, defensor radical do “Volta Lula”, envolvido numa sociedade rasteira e repugnante para um homem público com o doleiro Alberto Youssef em operações de lavagem de dinheiro.


Mordaça

Para quem quis amordaçar a liberdade de imprensa com um tal de conselho que restringiria a atuação livre da mídia, Lula até que foi coerente ao chamar os aliados chapas-brancas para uma coletiva. Evitou assim perguntas incômodas como a de que André Vargas foi muito bondoso com seus companheiros nas eleições de 2010. Além de arrecadar para a própria campanha, ele dividiu o precioso bolo das doações de 1 milhão de reais (é o que está registrado no TRE) com vários candidatos. Mas na divisão da grana já mostrava à época que não nutria muita simpatia com a candidata Dilma. Mandou-lhe apenas parcos 45 mil reais para a sua campanha.


Comitiva

Na entrevista, se questionado, Lula não teria explicações para esse ato fraternal de Vargas. Não teria também como explicar porque o doleiro  Alberto Youssef, preso na operação Lava-Jato, teria sido um dos convidados da comitiva oficial numa das viagens presidenciais à Cuba. Ora, se a atividade de Youssef é negociar dólar no paralelo não é difícil imaginar que a sua intenção seria a de vender a moeda no mercado negro no país dos Castro.  Pode-se deduzir também que os financiamentos do BNDES à Cuba, que têm cláusulas sigilosas, poderiam voltar ao Brasil em forma de ajuda de campanha. Aliás, essas denúncias foram feitas – e não investigadas - nas duas campanhas de Lula.

Generosidade

Não conheço político tão generoso com dinheiro como André Vargas. É inédito em campanha o que o deputado fez para ajudar companheiros do partido. Pelo que declarou à Justiça Eleitoral, Vargas contribuiu para a campanha de 32 candidatos. Imagine, sacou do seu bolsão de doações 900 mil reais e distribuiu aos amigos através do seu comitê de campanha. Desse total, doze candidatos eram do PT. Receberam 876 mil reais. Nesse “bolão”, a presidente Dilma recebeu apenas 45 mil.


Chantagem

Diante dessas revelações, agora dá para entender porque o deputado soltou a palavra de ordem, comum  a todos os petistas flagrados em associação com o crime: “Não cairei sozinho”. Vargas tentou chantagear a própria presidente, a quem ajudou na campanha, e seus parceiros de parlamento, lembrando-os do envolvimento com seu dinheiro de origem criminosa, como apurou a Polícia Federal.


Modelo

Na entrevista aos blogueiros, Lula - que vestia uma guayabera dos revolucionários cubanos – não queria passar pelo constrangimento de responder que o dinheiro do doleiro chegou ao gabinete da presidente Dilma. Era esse modelo de entrevista que Lula imaginou quando atentou contra a liberdade de imprensa: jornalistas adestrados, perguntas previamente formuladas e jornais submissos às notícias oficiais. Dessa forma, os brasileiros jamais saberiam o que os petistas estão fazendo com o dinheiro público e porque quebraram a Petrobrás, que, mesmo diante das provas contundentes de corrupção, o ex-presidente teima em afirmar que tudo isso é coisa da oposição em época pré-eleitoral. O Brasil tem saudades daquele PT que durante muito tempo mostrou-se ético...até chegar ao poder.

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