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13 de Novembro de 2018

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Edição nº 766 / 2014

15/04/2014 - 10:40:00

PEDRO OLIVEIRA

No rastro da corrupção

ROMA - Desde quarta-feira aqui na belíssima e caótica Roma ao começar a redigir a coluna vou direto ao tema que me persegue a provoca: corrupção. Nos últimos trinta anos, diversos prefeitos, governadores regionais, deputados e senadores foram eleitos com o voto dos currais eleitorais dos clãs mafiosos que, em seguida, se infiltraram na administração pública, costurando importantes relações com setores do Estado. Foi nesse âmbito que, a partir de 1990, as “Eco-Máfias” – responsáveis por danos ambientais incalculáveis com o desastrado manuseio do lixo – consolidaram seu poder em inteiras regiões do Sul e do Centro da Itália.

A corrupção na Administração Pública por aqui se parece muito com a brasileira. No ano passado o Tribunal de Contas da União Europeia denunciou que apenas na reconstrução da cidade de L’Aquila, destruída por tremores de terra em 2009 o uso de um financiamento de 494 milhões de euros foi desviado por políticos e administradores desonestos. Segundo peritos “ cada apartamento reconstruído custou 158% a mais que a média italiana.

A Comissão da União Europeia para a Luta contra a Corrupção apresentou no Conselho e no Parlamento Europeu o relatório de 2013, com um específico alegado sobre as atividades dos grupos mafiosos italianos, enfatizando as infiltrações realizadas na administração pública, nos partidos políticos e nos setores financeiros.

Na introdução de suas denúncias, o alegado da Comissão cita o Tribunal de Contas italiano, segundo o qual “os custos diretos e totais da corrupção, em 2013, se elevam em 60 bilhões de euros, isto é, cerca de 4% do PIB, determinando assim um impacto negativo na evolução da economia italiana”.

Com o quadro acima percebo que a corrupção é mesmo universal, com o aumento ou diminuição dependendo do caráter repressivo de cada país e também da tolerância da própria sociedade com o crime. Parece-me que no Brasil somos os mais indiferentes ao grave problema da corrupção. Junte-se a isto a impunidade e a “proteção” oficial aos corruptos e corruptores, principalmente se for detentor de um mandato ai ninguém ganha da gente.Na próxima semana visito a cidade de Praga, na República Checa ( ou Tcheca) onde há também um elevado índice de corrupção .

Lá os escândalos são tantos que agencias de turismo resolveram criar com sucesso o “tour da corrupção” , para mostrar aos turistas os prédios emblemáticos e as residências de alguns famosos corruptos. Pretendo fazer o desagradável passeio e aproveitar para conhecer uma das mais belas cidades do Mundo.Com essas constatações chega-se a conclusão que a corrupção não é coisa só nossa, mas com certeza venceremos qualquer campeonato na modalidade.

Haverá opção pelo novo?

Nos últimos seis meses tive acesso a pelo menos quatro pesquisas encomendadas e não divulgadas com um panorama amplo da opinião do eleitorado alagoano ( capital e interior)avaliando os principais nomes de nossa política , os resultados positivos e negativos da administração estadual e também gestões municipais. Confesso que me surpreendi com os índices de rejeição da maioria dos políticos com mandato e veteranos “campeões de votos” em eleições passadas.

É muito evidente a revolta da maioria da população com o comportamento daqueles que receberam seus votos e não os honraram. Há uma nítida e acentuada vontade de mudar e também sei que esses dados assustaram e assustam alguns caciques que representam a política antiga. Não pretendo fazer previsões, até porque o quadro de candidaturas ainda não está posto e muitas mudanças deverão ocorrer nos próximos episódios da eleição .

Mas não posso deixar de arriscar um palpite: E se as pesquisas atestarem o real e o eleitor resolver apostar na mudança para o novo? Sei que é pouco provável , pois o perfil de nossa “ cultura eleitoral” é outro: no final cada um compra sua eleição com o dinheiro sujo da corrupção e o eleitor que se dane depois.

Por outro lado não podemos desprezar o “fenômeno da mudança radical e da opção pelo novo” consagrado nos estudos das Ciências Políticas. Alguns exemplos como a primeira eleição de Tasso Jereissati ( um empresário que nunca tinha disputado qualquer cargo) para o governo do Ceará, derrotando toda a oligarquia e os caciques que controlavam as eleições há décadas .Um outro mais recente foi a vitória do atual prefeito de Recife, Geraldo Júlio, que também nunca disputou cargo eletivo e correspondendo a expectativa do eleitorado faz uma administração muito bem avaliada, confirmando que o novo deu certo.

O governo acaba de lançar o nome do procurador Eduardo Tavares como candidato. Nunca disputou uma eleição, tem conduta ilibada, fez no Ministerio Público uma gestão empreendedora e inovadora, tem uma história de vida exemplar e leva uma larga vantagem diante das pesquisas que tive acesso: É O NOVO.

Se a oposição tiver juízo vai procurar um nome que possa competir à altura e não pode ser um “falso novo”. As intenções de votos mostradas nas avaliações indicam que o “novo” em questão não pode ter ligação ou ser o apêndice do velho, pois ai seria a mesma coisa. Terão que buscar um nome com algumas características : vida limpa, perfil empreendedor e não precisa ter pouca idade, mas tem que ser necessariamente NOVO. Foi isto que vi e vou conferir.

Governo quer CPI a seu modo

A oposição impetrou esta semana mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir a instalação de uma CPI que investigue exclusivamente denúncias envolvendo a Petrobras. Segundo o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), a ação movida por PSDB, DEM e PSB tem apoio de parlamentares independentes, como Pedro Taques (PDT-MT) e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE).Aloysio afirmou que a decisão do presidente Renan Calheiros de dar seguimento a uma CPI mais ampla, requerida por senadores ligados ao governo, tem como único objetivo inviabilizar as investigações relacionadas à Petrobras.

O senador destacou que todos os requisitos para a instalação de uma CPI exclusiva da Petrobras já foram cumpridos e que, portanto, não existem barreiras para que a comissão seja instalada.– A Constituição defende o direito de minorias parlamentares investigarem objetos que estejam delimitados, que esse requerimento tenha o número de assinaturas exigido e tenha um tempo para essa investigação.

Com esses três requisitos cumpridos, há inúmeras decisões do Supremo que afirmam que as CPIs devem ser instaladas – explicou.A decisão de Renan, no entanto, ainda depende de exame da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), que pode confirmar ou rejeitar o entendimento anunciado na semana passada. O relator da matéria na CCJ é o senador Romero Jucá (PMDB-RR).

Para Aloysio, a CCJ não tem que deliberar sobre o assunto, já que é um direito constitucional da oposição propor uma CPI.– Se o meu direito constitucional de propor uma CPI estivesse sujeito a um órgão onde o governo tem maioria, eu não teria mais esse direito. Se a CCJ pudesse obstar a criação da CPI da Petrobras, não haveria possibilidade de instalar mais qualquer CPI que não contasse com o beneplácito do governo.

Compromisso  com a palavra

O prefeito Rui Palmeira disse em campanha e repetiu após eleito que tinha o compromisso de concluir integralmente o mandato para o qual foi eleito. De repente o seu nome se transforma em potencial candidato a governador pelo PSDB. As abordagens não foram poucas na tentativa de fazê-lo largar a Prefeitura para enfrentar uma candidatura com reais chances e vitória.

Do presidenciável Aécio Neves ao governador Teotonio Vilela, passando por influentes lideranças políticas locais e nacionais o cercaram buscando que ele liberasse seu nome para a disputa. Rui foi taxativo desde a primeira abordagem: jamais faltaria com o seu compromisso com o povo de Maceió que o elegeu. Quer tocar projetos importantes e consolidar sua administração. No futuro pensará depois de seu mandato. Se todos pensassem e agissem assim a política seria diferente.


Hoje é dia do Chapão

A cidade de Penedo vai sediar durante toda esta sexta-feira as maiores e menores lideranças dos diversos partidos que formam a oposição ao governo com uma pauta que busca a unidade e o fortalecimento e aparar divergências que têm aflorado com maior intensidade nos últimos dias.Haverá sem dúvida um movimentado desfile de egos , além de estratégias entre personagens que se odeiam, mas são capazes de se juntar quando o objetivo e derrotar o inimigo.

 O senador Renan Calheiros, a grande estrela da festa, busca uma unidade em torno de um nome para disputar o governo, mas ainda não será agora que revelará o “ungido” , que pode ser ele mesmo, seu filho deputado federal ou algo de novo para contrapor ao nome anunciado pelo governo. Existem aqueles que se oferecem para o “sacrifício” a exemplo do ex-governador Ronaldo Lessa, mas cujo nome tem profunda rejeição mesmo entre os partidos e os caciques seus “aliados”. Na verdade mesmo a reunião de hoje é para ouvir o que tem a dizer Renan Calheiros, mas ainda não será agora que ele vai dizer. O senador sabe que não tem muito tempo, mas também sabe que a pressa não é conveniente no momento. Ele fará sua hora acontecer, mas apenas ele sabe qual será essa hora e qual será esse nome. 

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