Acompanhe nas redes sociais:

25 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 766 / 2014

15/04/2014 - 10:36:00

Maceió dos meus sonhos

Sebastião Palmeira. Advogado, Procurador do Estado e Diretor-Geral da SEUNE

O Centro de Maceió, que nas noites de outrora serviu para o enlevo de casais enamorados e apaixonados, com suas vitrines enfeitadas, suas praças iluminadas e bem cuidadas, encontra-se tétrico e lúgubre.

O belo cenário da minha adolescência, cujas praças floridas e com caixas de som no alto de suas árvores frondosas, onde ouvíamos lindas melodias, não mais existe! Perguntar-me-iam os mais jovens, isso realmente existiu? E eu lhes responderia de pronto: Sim, existiu! Houve um prefeito em Maceió chamado Sandoval Caju que realmente amou esta cidade. Recuperou as praças e os jardins, colocando em todas elas um serviço de som que saía das caixas colocadas no alto das árvores e a todos embevecia. Além de outras obras, Sandoval Caju reconstruiu a Praça do Centenário, dotando-a de uma belíssima “fonte sonora e luminosa,” tendo ao lado, em concreto, o Mapa de Alagoas.

Era poeta e dotado de grande inteligência. Não fugia do povo, antes, porém, misturava-se a ele. Falava muito, mas gostava de ouvir, principalmente, os jovens e os estudantes. Acompanhava as obras pessoalmente e era costume vê-lo sempre ao lado dos operários. Foi cassado pela Revolução de 1964 sem concluir sua bela administração.

Esse cenário deu lugar a uma cidade triste e fúnebre. Ao invés das belezas do passado, vê-se uma Maceió velha, feia e tenebrosa. Proliferam as “casas funerárias”, com seus esquifes expostos e competitivos. Elas estão presentes em toda parte, principalmente nas proximidades dos hospitais. Parece um agouro! Deveria ser proibido, por lei, tais exibições.

Cheguei a conversar e sugerir a uma vereadora a elaboração de um projeto de lei para coibir tais abusos. Prontifiquei-me, até, a fazer uma exposição de motivos para sua fundamentação, pois Maceió é uma cidade turística, conhecida nacionalmente por suas belezas naturais, visitada por muita gente, tendo sido motivo de inspiração da música “Saudades de Maceió”, cantada pelo inesquecível Luiz Gonzaga.A minha geração chegou ao poder! Muito esperava dela, porém, resta-me uma grande e profunda frustração.

Muitos foram sacrificados em nome de um ideal e de sonhos não concretizados. Os que chegaram ao poder frustraram-nos as esperanças. Os nossos mártires, se vivos fossem, estariam morrendo de vergonha.

Afinal serviram apenas como “boi de piranha”! Mas, deixemos as lamentações e partamos para a realidade. O que deve ser feito, mudado, aperfeiçoado, melhorado, construído, eis que, temos um prefeito jovem e honesto à frente da administração municipal, no qual o povo de Maceió depositou e deposita as suas últimas esperanças.Sonho com uma Maceió dotada de grandes viadutos, novas avenidas, largas e bonitas, circundando toda a orla marítima da nossa capital.

Penso na interligação da praia da Avenida da Paz com a praia da Pajuçara. O depósito da Atlantic seria deslocado para as proximidades do Porto de Jaraguá, passando por lá uma grande, larga e bela avenida litorânea. Desapropriada a Atlantic, surgiriam novos edifícios à beira-mar e, a cidade, além da desobstrução do trânsito, teria um novo visual. Completando, estenderia a avenida que margeia a praia de Cruz das Almas, até a praia de Jacarecica e, posteriormente, até a praia da Sereia

. Trocaria o nome de Cruz das Almas por outro mais bonito, pois, Cruz das Almas é uma péssima denominação para uma praia turística.E os recursos? A própria iniciativa privada teria interesse em ajudar a pavimentar e construir as futuras avenidas, afinal, seriam as construtoras e os donos dos terrenos os mais beneficiados, pois, o sonho de toda  pessoa é morar à beira-mar.

O poder público pode desapropriar. Basta querer! Portanto, vamos pensar forte e grande e deixarmos essa idéia de pequenez e de atraso para o passado. Se empregarmos os recursos oriundos do povo e que são destinados por força de lei; senão houver corrupção e enriquecimento ilícito de muitos, sobrará dinheiro. Basta adotar-se a trilogia: honestidade, trabalho e competência.

Dinheiro público é para ser aplicado, jamais roubado!Assim, vislumbro a imensa avenida litorânea, iluminada, com novos e belos mirantes em toda sua extensão. Circundada por edifícios residenciais, restaurantes, postos de gasolina, fazendo surgir, assim, uma nova e próspera Maceió.Esse projeto arrojado serve de complementação para outro grande projeto, que é a rodovia sobre o Vale do Reginaldo, com um grande viaduto projetado sobre o Riacho Salgadinho, sendo plantadas as margens do mesmo riacho, árvores de eucalipto, um despoluente natural e belo.

 Obras essas que se realizadas, projetarão Maceió para os próximos cem anos.Governar não é tão somente tapar buracos ou desviar recursos. Vez que, administrar é postar-se além do seu tempo, é antever, criar, sonhar, idealizar. Se assim não fosse, Juscelino Kubtschek, o maior Presidente da História do Brasil, não teria construído Brasília, a capital da esperança, em apenas quatro anos.Dedico este artigo ao prefeito Rui Palmeira, na esperança de que o mesmo encampe as minhas idéias e os meus sonhos.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia