Acompanhe nas redes sociais:

18 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 766 / 2014

15/04/2014 - 10:22:00

Motivo de reflexão

JORGE MORAIS jornalista

Na semana passada, tive a oportunidade de ouvir uma das mais interessantes e esclarecedoras entrevistas numa emissora de rádio. O programa era comandado pelo radialista Oscar de Mello, na Rádio Difusora, e o entrevistado o advogado Everaldo Patriota. Sem fugir a nenhuma das perguntas, por sinal, muito bem colocadas pelo apresentador, o tema principal não poderia ser outro: a violência no Estado de Alagoas.Vários aspectos sobre violência foram abordados e, alguns, me chamaram a atenção, como os ligados aos Direitos Humanos; a violência de rua; e a redução da maior idade para aplicação da lei em relação aos crimes cometidos pelos chamados menores de 18 anos.

Sempre achei que esses “menores”, alguns com poucos dias para atingir a maior idade, não merecem o perdão, não merecem nem o julgamento da sociedade.Mesmo assim, eu que sou um defensor intransigente quanto a essa redução da idade, mas tive a oportunidade de ouvir uma resposta que me deixou com uma pulga atrás da orelha. Eu que sempre pensei no cumprimento de penalidades mais duras para esses jovens delinqüentes de rua, os que matam para roubar, e os que matam por matar, comecei a pensar no argumento do Dr. Everaldo Patriota: condenar esses jovens e colocá-los aonde.

Como primeira explicação, chegamos, então, a conclusão, de que o Estado precisa primeiro se organizar, para que os legisladores possam modificar as leis e de que forma aplicá-las. Everaldo Patriota faz algumas indagações: Reduzindo a idade para aplicação do código penal atual, teremos penitenciárias suficientes para receber esses jovens apenados? O Poder Público terá condições de, no sistema penitenciário de hoje, recuperar esses jovens infratores? Colocando o jovem delinqüente na penitenciária, vamos conseguir acabar com esses crimes, paralelamente a tantos outros?Claro, que a violência urbana é impressionantemente desumana. Centenas de pessoas, só em Alagoas nos últimos anos, foram vítimas dessa violência de menores.

Muitas famílias foram destruídas pelas perdas de parentes, de amigos próximos, até de pessoas desconhecidas, mas que chocam a sociedade em todas as suas formas. Na verdade, penso que estamos perdendo espaço para a violência, desde o momento em que não oferecemos educação para todos nas comunidades; ocupação em tempo integral para crianças e jovens; e condições dignas para adultos, com trabalho e renda.

Acredito que não é dando o peixe que vamos consertar a humanidade. Precisamos ensinar as pessoas a pescar, mas o governo prefere garantir o voto distribuindo os “vales tudo”, do que propor ações práticas e soluções rápidas para aqueles que são iludidos pela conversa eleitoreira, a cada dois anos. Sai governo e entra governo, e a conversa é a mesma de sempre.Voltando aos temas da entrevista, chamou atenção a fala sobre a atuação dos Direitos Humanos, em Alagoas.

Sempre ouvi dizer, principalmente por parte da mídia e das pessoas atingidas pela violência, que o órgão só defende bandido. Que homem de bem não recebe a solidariedade dos Direitos Humanos.

Que policiais são assassinados e pouco se ouve falar em apoio às famílias. Mas os bandidos, esses são protegidos pela entidade, inclusive seus familiares, em caso de morte.O que ficou entendido é que, para a imprensa, uma ação em defesa do bandido ou de seus familiares, vende mais jornal, repercute mais no rádio e na televisão.

E quando essa solidariedade é para familiares de policiais, não repercute ou não provoca o discurso, ou melhor, nesse caso, não vende. Na entrevista, vários exemplos foram dados nesse sentido e que ninguém soube das visitas feitas pelos representantes dos Direitos Humanos, porque ninguém se interessou em divulgar.   

A entrevista foi muito interessante, porque o que foi perguntado foi respondido, até como forma de debate. Só acho que o programa deveria ser reprisado mais vezes na emissora, ou no mínimo, diluído em sua programação. Parabéns ao Oscar de Melo, a quem já fiz pessoalmente, ao Dr. Everaldo Patriota, e a quem produziu a pauta.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia