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19 de Novembro de 2018

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Edição nº 765 / 2014

09/04/2014 - 09:59:00

Insegurança

Alari Romariz Torres aposentada da ALE

Nós devíamos chamar a vida funcional dos servidores da Assembléia Legislativa de insegura. Nada é certo naquela Casa. Não se pode planejar  pagamentos ,pois  não se sabe quando os salários serão pagos.     

Quando entrei na Assembléia em 1958 a situação era outra: havia calendário de pagamento para o ano inteiro. A data-base era respeitada e a inflação era pequena. A facilidade da casa própria e de empréstimos consignados sem correção monetária era cativante. O Legislativo fornecia apostilhas e podíamos acompanhar nossa vida funcional através dos  documentos publicados no Diário Oficial.   

 Eis que, na Constituição de 1989 apareceu o tal do duodécimo e as Mesas Diretoras começaram a administrar o repasse mensal. Triste sina! A partir daí, a vida do Legislativo deu uma guinada e começaram os problemas.       

Os Deputados passaram a pensar que o dinheiro era deles e nada corria normalmente. A folha de pagamento começou a inchar misteriosamente ( e nunca houve enxertos!!!) e comissionados viravam estáveis. Não havia detalhamento de verbas e a Mesa pagava o que queria e quando queria. Tudo passou a funcionar precariamente, a luz era cortada e os telefones sumiam.       

Ano após ano a situação foi piorando. Hoje, temos uma biblioteca fantasma que recebe verba do orçamento, uma Escola Legislativa inexistente, não há critérios de promoção, não há concurso público e os técnicos e alguns servidores administrativos carregam a Casa nas costas: uns com competência e abnegação, outros bajulando Deputados e fazendo tolices para agradar a Mesa Diretora.     

Atualmente, podemos afirmar com tristeza que o Legislativo alagoano chegou ao fundo do poço. Vive baseado na seguinte teoria séria e digna de respeito: Só por hoje; amanhã será outro dia.     

De quem é a culpa do caos? Das Mesas que vêm administrando a Casa nos últimos vinte anos. Temo ser repetitiva com as informações que forneço aos leitores a respeito da Assembléia Legislativa de Alagoas, mas os escândalos são tantos que o povo alagoano já nem nos respeita mais. Leio absurdos sobre nós, servidores do Legislativo. Rebato algumas notícias, outras não suportam defesas.     

E sempre me questiono: Quem é nomeado ilegalmente tem culpa? Mas, quem nomeia de modo errado não será punido? Foi retirado muito dinheiro dos servidores nos últimos seis anos. Quem retirou vai devolver e será devidamente responsabilizado? Houve larga distribuição de dinheiro entre laranjas em anos de eleição. Os cabos eleitorais vão devolver? E o infeliz que distribuiu altos valores vai ser processado, punido, preso?     

O panorama atual é de que os estáveis têm a culpa, serão ser colocados à disposição do Executivo, vão ser demitidos e mais alguma coisa. Mas, o verdadeiro foco da questão está esquecido: os crimes praticados pela Mesa Diretora já de conhecimento da sociedade alagoana através da imprensa falada, escrita e televisada.   

 Para completar o clima imposto pela atual Mesa há seis anos, no mês de março os Deputados pagaram verba de gabinete a eles próprios, aos ativos e num desrespeito total ao Estatuto do Idoso, não pagaram aos velhinhos. O motivo foi o descaso do Legislativo com a derrubada do veto do Governador ao duodécimo da Casa no orçamento de 2014, que deveria ter sido realizado desde janeiro.     

Brincam com a vida de pessoas, em sua maioria com mais de 60 anos, que trabalharam mais de 30 e pretendem viver tranquilamente o pouco tempo de   vida que terão.     

Daí, digo e afirmo categoricamente: ser servidor ativo ou inativo do Poder Legislativo é viver num total clima de insegurança.

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