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18 de Novembro de 2018

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Edição nº 765 / 2014

09/04/2014 - 09:17:00

Jorge Oliveira

A oposição no armário

Brasília - Se a oposição ficar no palanque, mesmo com a Dilma descendo ladeira abaixo, vai levar outro ferro do PT. Até agora o que se viu dos dois candidatos a presidente é uma conversa mole, arrastada e intelectualoide. Ambos, Aécio Neves e Eduardo Campos, querem transformar o palanque eletrônico – rede social e televisão – nas principais ferramentas de campanha. Eduardo se despersonaliza quando precisa da muleta da Marina Silva para se apresentar ao eleitor, e Aécio ainda não saiu do armário.

No bom sentido, claro. Em todas as aparições na televisão, o candidato parece assustado, com cara de quem acabou de sair da sauna, preocupado em esfriar o corpo para falar com a imprensa. E quando fala burocratiza o discurso com palavras incompreensíveis e inalcançáveis ao eleitor comum, de compreensão mediana.

Com essa estratégia de confete e serpentina, os dois certamente vão dar com os burros n’água.Ao analisar a queda da Dilma de 43% para 36%, Aécio fez um comentário mirando o eleitor de classe média, cuja tendência é votar contra os petistas.

O eleitor cabeça feita não precisa que o candidato o oriente. Ele acompanha o noticiário, acessa a rede social e faz a sua a própria avaliação, insatisfeito com os rumos da economia e indignado com a corrupção no país. É isso que tanto Eduardo quanto Aécio ainda não entenderam na condição de oposição.

Veja que linguagem rebuscada de Aécio ao falar da queda de popularidade da Dilma: “Esses indicadores que mostram queda na popularidade da presidente é resultado do conjunto da obra. (...) Os resultados começam a apontar para um governo que vive os seus estertores”.

Essa linguagem artificial, vazia e insegura do candidato de oposição não alcança os “estertores” nordestinos, onde milhões de miseráveis vivem à soldo dos 100 reais da Bolsa Família, que criou uma castra de parasitas e alienados eleitores do governo.A oposição precisa, isso sim, entender que os petistas manipulam quase 30 milhões de pessoas com o Bolsa Família, programa criado pelos tucanos e ampliado por eles.

Os candidatos temem mexer nesse vespeiro, mas em compensação não demonstram ter estratégia para dividir esses votos, principalmente no Nordeste onde a fome e a miséria paralisam a racionalidade do eleitor. Não existe, pelo que se sabe, quartéis-generais dos candidatos de oposição na região para dividir esses votos que tendem seguir em massa para o candidato que lhe assegura o dinheirinho da feira. E não é com discurso confuso, indeciso e dúbio que a oposição vai conquistar esses contingente eleitoral.

O paizão

A campanha da oposição é festiva, decorativa, inócua, sem identidade. O Eduardo Campos ainda sofre do complexo de Édipo. A síndrome de quem ainda se curva, nesse caso, ao “paizão” Lula, o que dificulta seus movimentos oposicionistas. E Aécio, sempre que vai para a televisão, se apresenta com uma cara assustado, de quem está esperando de uma hora para outra a divulgação de algum dossiê que pode comprometer a sua candidatura. 


A campanha

Não é fazendo política entre quatro paredes que a oposição vai enfrentar os militantes petistas e a máquina azeitada do governo Os programas de televisão são penas 19. A campanha na TV e no rádio de 45 dias. Se os candidatos não se movimentarem pelo país ocupando a mídia local com as suas propostas, dificilmente o eleitor vai absorver a mensagem da oposição. Não à toa, a Dilma já percorreu 14 mil quilômetros no avião presidencial fazendo campanha, entregando tratores e inaugurando obras de vereador sob a complacência da Justiça Eleitoral. 


Curral

O reduto petista está concentrado no Nordeste. Se a oposição não quebrar esse curral eleitoral, corre o risco de os petistas saírem da região com uma montanha de votos e nadar de braçada nas eleições deste ano, mesmo com a popularidade da Dilma em baixa. A oposição precisa sair do armário.


BR Corrupção

A presidente da Petrobrás, Maria das Graças Foster, a quem a Dilma apelidou de “Graciosa” ao dar-lhe posse numa solenidade do Palácio do Planalto, parece enfezada com os quadrilheiros que se apossaram da estatal há 12 anos. Numa entrevista aos repórteres Ramona Ordoñez e Bruno Rosa, do Globo, ela joga para plateia ao dizer que “não fica pedra sobre pedra” a apuração que mandou fazer sobre a compra do ferro velho de Pasadena, no Texas, que ajudou o dono do negócio a ser um dos mais ricos da Bélgica.


Não, não é ET

Parece até que Graciosa é um ET, desceu de uma nave espacial na sede da empresa na Avenida Chile, no Rio. A julgar pelas suas declarações ao jornal carioca, quem sabe se não veio de uma galáxia distante.  Há 37 anos lá dentro, onde começou como estagiária aos 24, desconhece tudo que passa em sua volta. Recebeu a empresa de presente da Dilma para administrar em janeiro de 2012 . E ali manteve durante esses dois anos o silêncio conivente sobre as trapaças dos petistas que transformaram a diretoria no covil de numa quadrilha organizada para roubar dinheiro e distribuir em campanhas políticas. Se não fosse a frase de efeito, a entrevista da Graciosa poderia ir muito bem para a cesta do lixo.Em nenhum momento, ela, que conhece muito bem os emaranhados da empresa, responsabilizou Sergio Gabrielli, ex-presidente, ou outro diretor pelos danos financeiros causados à Petrobrás.

Anarquia

Na entrevista, Graciosa preferiu burocratizar os esclarecimentos da podridão para escamotear a verdade de que a Petrobrás nessa última década foi ocupada por sindicalistas incompetentes e desqualificados; que os diretores eram, e ainda são, nomeados por interesses políticos; que, no auge da anarquia, até o Severino, ex-presidente da Câmara, exigiu a “diretoria que furava poços” para apoiar o governo petista; que caíram pela metade as ações da Petrobrás nesse período; que o Hugo Chávez nunca assinou oficialmente uma folha de papel se comprometendo a participar da construção da refinaria Abreu e Lima, outro quartel-general da corrupção; e que, finalmente, há doze anos, instalou-se na Petrobrás uma quadrilha especializada em fazer negócios escusos para manter o PT no poder.

Cara feia

Graciosa, na entrevista, fez cara feia para se dizer indignada com tanta patifaria na empresa que dirige. Tudo jogo de cena. É de se perguntar: o que ela fez nesses dois anos para moralizar a Petrobrás, um dos maiores patrimônios do povo brasileiro? Nada. Trocou apenas alguns manjados diretores que passaram depois a ter vida luxuosa à frente de empresas de consultoria a serviço da Petrobrás. Foi o caso de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento, preso por lavagem de dinheiro, que manteve um pé lá dentro como lobista e consultor de empresas interessadas em negociar propinas com a estatal.


Amigas

Graciosa também agraciou outro diretor, premiando-o com uma  diretoria do sistema Petrobrás. Aceitou a nomeação de Nestor Cerveró como diretor financeiro da BR Distribuidora, mesmo sabendo que ele sonegou documentos da negociação entre a Petrobrás e os belgas, donos da refinaria texana. O curioso é que só agora, anos depois, é que Graciosa e Dilma, sua amiga, descobrem o responsável pela bandalheira: Cerveró. Mentira. O ex-diretor estava a serviço do governo petista há muito tempo e a refinaria foi negociada quando a Dilma era presidente do Conselho da Petrobrás, portanto, Cerveró é apenas o bode na sala, o que menos tem culpa no cartório.


Bandalheira

A comissão de senadores e deputados que levou a representação ao Procurador-Geral da República para investigar a Dilma acertou na mosca. Não basta apenas crucificar o Cerveró, é preciso encontrar o responsável ou responsáveis pela bandalheira. Pelo menos três deles, ao que se sabe, tem nomes e endereços conhecidos: Dilma Roussef, Luis Inácio Lula da Silva e Sérgio Gabrielli. A Polícia Federal não precisa gastar tanto dinheiro com diligências. É só intimá-los a depor. 

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