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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 764 / 2014

02/04/2014 - 10:03:00

Luiz Pedro será julgado por mandar executar servente de pedreiro

STJ nega recurso e ex-deputado irá para júri popular

João Mousinho [email protected]

O dia 12 de agosto de 2004 jamais chegará ao fim para seu Sebastião Pereira dos Santos, pai do servente de pedreiro Carlos Roberto Rocha Santos, Beto, que na madrugada desse dia foi sequestrado por quatro elementos e executado a mando do ex-deputado Cabo Luiz Pedro.  

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou seguimento ao recurso especial de Luiz Pedro, onde ele é acusado de crime de homicídio, sequestro e formação de quadrilha. Com a decisão da Corte Superior, o ex-deputado irá sentar no banco dos réus, onde o conselho de sentença vai definir seu futuro. Mais uma vez seu Sebastião relatou a reportagem do Jornal Extra, como fez há 10 anos, o modus operandi que ele denomina de “bando armado Luiz Pedro”. “Meu filho sempre foi um sujeito pacato e não suportava o autoritarismo de melicianos de Luiz Pedro na região que ele morava.

Após algumas situações onde ele foi constrangido e revidou com palavras, o seu destino perante a quadrilha de Luiz Pedro já estava traçado”. Segundo seu Sebastião, às 1h30 da madrugada Naelson Osmar Vasconcelos Melo, Adezio Rodrigues, Laercio Barros e Leoni Lima.

chegaram à residência de Beto, onde foram atendidos por sua esposa Alessandra Cristina da Silva Costa, que esclareceu que ele estava dormindo e não poderia atender ninguém naquele momento. Se identificando como policiais, os quatro homens insistiram que Beto se apresentasse. A esposa grávida não teve como conter o ímpeto dos “homens de Luiz Pedro”, que acordaram Beto com agressões e o levaram sem maiores explicações para um veículo não identificado. 

A esposa de Beto contou o fato para seu Sebastião, que na época estava de plantão no trabalho e questionou se ela teria recebido alguma notificação que justificasse o ocorrido, mas a mesma disse que nada foi apresentado e ele foi levado de forma brusca, sem qualquer despedida ou explicação.

Até hoje Beto não retornou para casa. “Daquele dia em diante a minha vida se tornou um martírio e uma luta contra a impunidade que se arrasta há 10 anos. Eu fui à única pessoa que tive a coragem de denunciar as atrocidades praticadas por Luiz Pedro, um homem temido pela sua forma violenta e rude de agir nas regiões que comanda a mão de ferro”, contou o pai de Beto.

Seu Sebastião afirmou que na época foi realizado um levantamento minucioso pelo delegado Arnaldo Soares de Carvalho, onde não foi detectada nenhuma entrada de Beto em qualquer delegacia do Estado e do Brasil. “A ficha limpa do meu filho demonstra a execução covarde e perversa que foi feita contra ele”.


Problemas pessoais  

Após a execução de Beto a mando do Cabo Luiz Pedro, como aponta ação penal, seu Sebastião começou a enfrentar inúmeros problemas pessoais, como o de ameaças e até a perda de sua companheira. “No dia 17 de março completou três anos que minha esposa faleceu vítima de depressão.”Ainda sobre a perda da esposa, Sebastião expôs que o ocorrido se deu pela não superação da execução do seu filho. “Ela nunca aceitou que o assassino de Beto continuasse livre.

Isso foi um aperreio de vida para ela até seus últimos dias”, revelou. Sebastião contou que deixou de ficar na porta de casa conversando com vizinhos, sair para fazer seus passeios, jogar “minha bolinha”, ir ao estádio Rei Pelé, pois sofreu inúmeras ameaças. “Minha rotina de vida foi quebrada.

Eu passei a viver uma realidade totalmente diferente junto com meus familiares”. O pai de Beto passou a ser mais uma vítima do crime organizado após o crime cometido contra seu filho; já que passou a sofrer intimidações. “Passei muitos anos no programa de proteção a testemunhas do governo federal e nesse período pude fazer mais e mais denuncias contra Luiz Pedro, sempre com embasamento legal.”
Nunca enterrei meu filho A Universidade Federal de Alagoas em 2013 realizou um evento no qual fez à plantação de árvores fazendo alusão às vítimas da criminalidade no Estado.

“Eu enterrei uma árvore e nunca o meu filho”, disse a reportagem do jornal Extra às lágrimas seu Sebastião. Pai de três filhos, Carlos Roberto Rocha Santos teve corpo localizado pela polícia e encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) no mesmo dia do crime, mas foi enterrado como indigente no Cemitério Divina Pastora, no bairro do Rio Novo.

Segundo Sebastião Pereira, o filho não teve o sepultamento devido, apesar da solicitação legal da família, pela falta de localização dos restos mortais do rapaz.O aposentado acrescentou que espera que a justiça seja feita. Celeridade eu não posso mais cobrar, pois já são 10 anos. “Os quatro elementos que carregaram meu filho para seu destino final foram condenados e ficaram pouco mais de três anos atrás das grades.

Espero agora que esse bandido: Luiz Pedro, também seja punido”, enfatizou.Seu Sebastião sentenciou: “Se algo acontecer contra mim ou algum membro da minha família Luiz Pedro pode ser responsabilizado. Tanto eu, como meus parentes somos pessoas de bem e que jamais tivermos inimigos ou qualquer desavença com ninguém.” 

Crime foi notícia no Fantástico 

No último domingo, 23/03, o programa Fantástico da Rede Globo enfatizou em uma de suas matérias a violência no Brasil. Um dos temas abordados no programa dominical foi que Maceió é a cidade mais violenta do País e se tratando de mundo o ranking passa para quinta colocação.

A reportagem do Fantástico citou a violência praticada por políticos do Estado e entre os envolvidos estava o Cabo Luiz Pedro; um dos alvos das denúncias. O caso em questão foi à execução de Beto, onde seu Sebastião descreveu toda sua indignação em rede nacional. 

O advogado José Fragoso disse em inúmeras entrevistas a mídia local e confirmou ao Fantástico que seu cliente, o ex-Cabo da Polícia Militar de Alagoas, Luiz Pedro da Silva, é inocente. “Algumas atitudes antiéticas demonstra a personalidade de muitas pessoas. A justiça vai tirar de circulação esse meliante”, comentou Sebastião sobre a fala do advogado de defesa.


Plano para não ser preso 

Luiz Pedro deve ser candidato, novamente, a deputado estadual para tentar se livrar da cadeia. O ex-deputado aposta na imunidade parlamentar para não ser conduzido a prisão; caso condenado. A morosidade do julgamento do ex-cabo da PM pode ser o trunfo para que o crime permaneça na impunidade.


Bastidores da notícia 

O jornal Extra de Alagoas ainda em 2004, através do repórter de polícia Ródio Nogueira, hoje falecido, foi o primeiro veículo de comunicação do Brasil a dar voz a Sebastião para falar sobre as graves denúncias contra uma figura política de Alagoas, o Cabo Luiz Pedro. O pai de Beto, como ficou conhecido nacionalmente, disse a reportagem do semanário que deu a notícia em primeira mão sobre a ida de Luiz Pedro aos bancos dos réus por entender que o veículo sempre agiu de forma ética e respeitando os princípios do bom jornalismo.

Seu Sebastião pediu que esse “recado”, fosse deixado de forma oficial para ficar gravado na história do jornalismo investigativo de Alagoas: “O seu Ródio foi um irmão, um pai, um amigo. Ele foi um homem destemido que enfrentou o crime organizado e os interesses mais perversos em nome da verdade.” 

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