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Edição nº 764 / 2014

01/04/2014 - 18:25:00

É tudo muito rápido

JORGE MORAIS jornalista

No Brasil, as coisas acontecem muito rapidamente. Em conversas recentes com alguns amigos sobre a realização da Copa do Mundo no país, concluímos que, em 1970, o Brasil tinha 90 milhões de habitantes. Vocês devem estar lembrados da música que fez sucesso na copa daquele ano, que na letra dizia: “Noventa milhões em ação, prá frente Brasil, salve a seleção”.Pois bem. Quarenta e quatro anos depois, 2014, o país já conta com 200 milhões de habitantes.

Esse crescimento representou dois milhões e meio de habitantes por ano. Não acredito que em algum outro país nesse mundo todo, tenha tido um crescimento como esse nosso, principalmente porque não temos um planejamento elaborado para que esse avanço aconteça sem problemas urbanísticos, sem favelas, o povo com atendimento na área de saúde, com escolas para todos, e por ai vai.

Possivelmente, países africanos e alguns asiáticos, com os mesmos problemas como o Brasil, tenham dado um salto tão parecido como o nosso. Até, porque, eles têm os mesmos problemas de superpopulação provocados pela pobreza e a falta de tudo.

Um país que cresce desordenado, sem controle de natalidade, sem assistência, sem organização, sem orientação, não pode ser um país livre das mazelas e do sofrimento do seu povo.O Brasil é assim. O brasileiro nem se fala. Entusiasmado com tudo e, na maioria das vezes, sem pensar, concorda com tudo, topa tudo, exige tudo, e nem sempre sabe se vai conseguir atender a tudo e todas as expectativas.

Vocês devem estar lembrados da imagem das autoridades brasileiras comemorando o anúncio do Brasil para sediar a Copa do Mundo.Naquele momento, as nossas autoridades não pensaram se o país tinha problemas financeiros, se tinha estrutura para um evento tão importante e gigantesco, se o povo, o povo mesmo, ia ficar satisfeito em ter uma Copa do Mundo e não ter escolas suficientes, médicos nos postos de saúde, hospitais sem problemas na hora do atendimento, ônibus e metrô circulando com os passageiros sentados e não brigando por espaço, um trânsito de fácil circulação, segurança para todos, etc. etc., e etc. 

Depois daquela euforia toda, o resultado está aí: obras inacabadas e superfaturadas; denúncias de desvios de verbas e finalidades; os governos não fazem a parte deles; as cidades não estão sendo preparadas adequadamente para receber os turistas; e a população questiona e se organiza em manifestações ordeiras e, na maioria das vezes, violentas da parte dos infiltrados e por questões políticas.

O velho ditado diz: “o apressado come cru”. É exatamente o que está ocorrendo no Brasil. À vontade em promover uma competição como a copa, aceitar as condições expostas, resultam nisso o que a gente está vendo. Não me preocupa mais se as obras dos estádios de futebol do Corinthians – local de abertura da competição –, de Curitiba, de Manaus, estão atrasadas; se os aeroportos brasileiros estarão adequadamente preparados para receber os turistas internos e estrangeiros; se as estradas estão boas e as cidades preparadas para o evento.

O que me preocupa mesmo, é ouvir dos governantes que “se a África do Sul teve condições de organizar uma Copa do Mundo, porque o Brasil não poderia fazer a mesma coisa”.  

Copa do Mundo é coisa para americano e europeu organizarem. Daqui a alguns anos, vem à copa de Dubai, situado no Golfo Pérsico, o segundo maior dos sete estados que formam os Emirados Árabes Unidos, onde os carros mais comuns são: Rolls-Royce, Bentley, Mercedes-Benz, Porsche, Ferrari, entre outros.Portanto, meu amigo, lá o petróleo sustenta a economia do país, os pobres estrangeiros cuidam das construções e do progresso, sendo bem pagos por isso. A pobreza de lá, é quase a classe B daqui. Por isso, no Brasil, decidir sem pensar, dá nisso.

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