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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 764 / 2014

01/04/2014 - 08:27:00

Jorge Oliveira

Cala a boca, Dilma!

Brasília - Lula mandou a Dilma calar a boca. Não quer mais ouvi-la falando bobagens sobre o seu governo. Em um mês, a presidente irritou seu antecessor que esbravejou com impropérios contra as tolices que, segundo ele, ecoam lá do Palácio do Planalto. A primeira delas ocorreu quando Dilma recebeu o governador do Rio, Sergio Cabral, para se solidarizar com a eleição do Pezão. Disse aos bons ouvidos de Cabral que a “candidatura de Lindbergh era uma invenção do Lula”.

A declaração foi um tiro nos peitos do ex-presidente que se considera um gênio da política, portanto, imune às críticas e à repreensão de quem ele considera amadora para assuntos políticos.

Agora, Dilma extrapolou, na opinião de auxiliares de Lula. Pressionada pelas revelações de uma matéria no Estado de S. Paulo sobre a refinaria de Pasadena, no Texas, a presidente jogou no colo do Lula a responsabilidade pela compra do ferro velho belga que lesou os cofres da Petrobrás em mais de 1 bilhão de dólares. E ela sabe o que diz porque assinou embaixo a negociata como então presidente do Conselho da empresa e Ministra-Chefe da Casa Civil.

Ao mandar calar a boca, Lula demonstra sua irritação com a Dilma que nos últimos dias mostra um sério descompasso entre o que pensa e o que diz, sintomas de desequilíbrio que tende a se agravar até as eleições.E diante de tanto disse-me-disse, mais uma vez o IBOPE aparece para por panos quente na crise. Anuncia uma pesquisa em que aponta a presidente como favorita com 40% da preferencia dos eleitores com seus dois declarados concorrentes, Aécio e Eduardo Campos, lá embaixo, o que levaria à vitória dela já no primeiro turno.

É sempre assim, você já observou?, quando estoura uma crise, o IBOPE saca da gaveta uma pesquisa para acomodar a agitação política e evitar a dispersão dos partidos aliados do governo no Congresso Nacional.

Dessa vez, o IBOPE não divulgou a rejeição da presidente – a maior entre os três candidatos. Mostra que 93% dizem conhecer a Dilma contra 35% e 27% que não conhecem respectivamente Eduardo Campos e Aécio. Outro número, porém, desmancha a pesquisa otimista do IBOPE.

Ele está na coluna do Merval Pereira do Globo. Lá está escrito que “64% do eleitorado quer que o próximo presidente “mude totalmente” ou “muita coisa” na próxima gestão. Entre eles, apenas 27% consideram que a própria Dilma poderá fazer as mudanças necessárias”.

Raposa

E sabe onde estava o senhor Nestor Cerveró, o ex-diretor Internacional que negociou pela Petrobrás? Na diretoria financeira da Petrobrás Distribuidora. A raposa no galinheiro foi demitida tão logo o escândalo apareceu na mídia, destroçando a imagem do PT e consequentemente da sua representante, a presidente Dilma. 

Chantagem

Esses são os dados reais que os institutos amigos omitem pra criar clima de otimismo entre os petistas e chantagear a base aliada. O resto é bobagem, conversa pra boi dormir. Como já disse aqui, numa pré-campanha, os índices de preferência de cada candidato são desprezíveis até os programas eleitorais na TV.  A rejeição, esta sim, é mais relevante quando se estuda as chances do candidato. E por aí a Dilma está indo de ladeira abaixo, se consolidando como a candidata em que o leitor “não votaria de jeito nenhum”, coisa difícil de se derrubar numa campanha.


Esconde, já

A regra número 1 do marketing político ensina que quando é crescente a rejeição do candidato, a melhor coisa a fazer é “escondê-lo”, ou seja, trabalha-se conceitualmente com as suas propostas e “engaveta-se” o político na tentativa de melhorar a sua imagem. Se a Dilma continuar insistindo em viajar para inaugurar obras de vereador, com as vaias se espalhando por todos os cantos, é real a chance de ela não se reeleger.

 
Refinaria

O escândalo do mensalão é pinto em relação a tramoia da compra da refinaria do Texas pela Petrobrás, que carrega nas costas um prejuízo de mais de 1 bilhão de dólares. Até então, o ex-presidente da estatal Sergio Gabrielli, hoje secretário de governo na Bahia, era apontado como o principal responsável pelo engenhoso negócio da empresa com a belga Astro Oil. Agora se sabe, por confissão, que a Dilma assinou  embaixo o negócio, que ela agora revela ter sido “falho”. Isso mesmo, a presidente declara que deu aval, à frente do Conselho da Petrobrás, a um negócio “falho” que lesou a empresa em 1 bilhão de dólares! Numa tradução livre: trata-se de uma fraudulenta negociata que encheu os bolsos de alguns privilegiados diretores da estatal e apaniguados com milhões de dólares.

Aguenta

A maracutaia com o aval da Dilma escandalizou o país. E tira definitivamente das costas dela o rótulo de gerentona pregado pelos marqueteiros da campanha e por Lula, que ainda foi mais longe ao chamá-la de “Mãe do PAC”, responsabilizando-a pelas obras de infraestrutura do país. Diante de tanto descalabro a pergunta é: e então, ninguém vai preso?  Não, o Brasil aguenta! Aguenta a violência nos bairros periféricos, a corrupção generalizada nos órgãos púbicos, a epidemia do crack, a chantagem dos parlamentares por liberação de emendas, os escândalos do mensalão, o suborno a funcionários da Petrobrás, a distribuição de cargos sem critérios de qualidades, as despesas presidenciais no exterior em hotéis de luxo e restaurantes sofisticados e a incapacidade administrativa de uma presidente de mente fragmentada.


Passividade

O brasileiro assiste diariamente o noticiário da corrupção no país tão passivo que parece cúmplice dos trambiques. Se se sente indignado não parece porque continua aplaudindo tudo que o governo do PT diz que faz ou fez. Por exemplo, o partido alardeia que tirou o país da miséria e do atraso social, quando um estudo do Instituto Trata Brasil coloca o país apenas na ll2a. posição entre as 200 nações que avançaram no saneamento básico nos últimos 12 anos.FalastrõesVeja o absurdo que joga por terra os falastrões do PT sobre o avanço social do Brasil: o ritmo de expansão do saneamento no país vem caindo. Na década passada, o crescimento foi de 4,6% . Na década atual, caiu para 4,1%. Isso significa que milhões de brasileiros ainda bebem água contaminada por fezes, morrem de diarreia e vivem em esgoto a céu aberto, enquanto a propaganda do governo mostra milhares de biombos do “Minha Casa, Minha vida” iguais a gaiolas de pombos entregues já com paredes rachadas, sem postos de saúde, escolas e saneamento básico.


A farsa

A publicidade falsa, mentirosa e artificial é feita sob os olhares complacentesdos órgãos de fiscalização eleitoral que ignoram as mensagens subliminares da reeleição da presidente na entrega de tratores em cidades do interior (em uma semana, Dilma percorreu 14 mil quilômetros de avião pelo Brasil). Se a presidente já não administrava o país, agora mesmo é que ela abandonou o barco para se manter no poder a partir de 2015. 


Descredito

Com essa nova revelação de que a presidente avalizou a compra da refinaria texana, mesmo sabendo das falhas contratuais que só beneficiavam a empresa belga, sabe-se agora porque o ex-presidente Lula se esforçou tanto para tê-la na sua sucessão: cumplicidade palaciana com a sua mais confiável auxiliar. 


Mentiras

O mais vergonhoso de tudo isso é a explicação do Palácio do Planalto para tentar minimizar o impacto do escândalo.Na nota, a Presidência da República diz que o documento apresentado pela área internacional da Petrobrás omitiu duas clausulas do contrato originalmente assinado pelas duas empresas. Mas a compra prosseguiu. “O contrato era técnica e juridicamente falho”, segundo a nota. Mesmo assim foi aprovado por unanimidade pela diretoria da Petrobrás e chancelado pela então presidente do Conselho da empresa, Dilma Rousseff.

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