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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 763 / 2014

26/03/2014 - 10:44:00

Novos ‘Lampiões’ usam tecnologia para explodir bancos no Nordeste

Bandos se especializam e polícia fica para trás, como aconteceu no passado na caçada ao mais famoso cangaceiro do Nordeste

Odilon Rios especial para o EXTRA

A quantidade e a violência dos assaltos a bancos em Alagoas assustam cada vez os policiais militares do interior do Estado. Um problema comum a todo o Nordeste

. A Secretaria de Defesa Social e os sindicatos dos Bancários e Vigilantes dizem que os bandos agem como Lampião, o cangaceiro mais famoso do Nordeste, morto por volantes alagoanas em 1938, em Sergipe: ataca cidades onde há pouca polícia, fecham as saídas, roubam armas e dinheiro. 

Tal como Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, as quadrilhas de assaltantes a bancos usam métodos que assustam: na cidade de Porto de Pedras- litoral norte de Alagoas- o bando roubou a agência e invadiu o Grupamento da Polícia Militar, onde estava, sozinho, o cabo da Policia Militar Ivaldo Oliveira Silva.

Ele foi arrastado, torturado e executado na praça da cidade. O crime foi em 9 de dezembro. Eles fugiram- um deles foi morto pela polícia em uma troca de tiros.Ano passado, uma quadrilha invadiu uma agência no bairro do Farol, na capital, em frente ao quartel do Exército: também sozinho, o vigilante foi torturado.

Sobreviveu.- Está vivo mas traumatizado. Faz tratamento psiquiátrico, diz o presidente do Sindicato dos Vigilantes, José Cícero Ferreira.Números não oficiais do Sindicato dos Bancários mostram que, em ano eleitoral, os assaltos a bancos crescem. A estimativa é que o crescimento fica entre 30% e 45%:- Não sabemos onde este dinheiro é usado. Vai financiar a campanha eleitoral? A gente não sabe, disse o presidente do Sindicato dos Bancários, Jairo França.

De acordo com o sindicato, foram 44 assaltos a agências bancárias. Foram 22 assaltos nos três primeiros meses de 2014, metade comparado a todo o ano passado.- Não acredito que os assaltos estejam ligados às eleições, disse o secretário de Defesa Social, Eduardo Tavares. Ex-procurador-geral de Justiça, Tavares é também presidente do Conselho dos Secretários de Segurança do Nordeste (Consune).

Em maio, traz a Alagoas todos os secretários de segurança da região para pedir a união de todos no combate ao crime, com foco nos roubos a bancos.- Minha experiência ensina que roubos a carros, bancos e tráfico de drogas estão ligados. O que estamos apurando é se este dinheiro roubado dos bancos vai para as fronteiras do Brasil para a compra de droga e volta para o Nordeste, para ser vendida, explica.

Todos vão discutir como é o “caminho” do assalto a banco:- Vamos fiscalizar todas as pedreiras. A dinamite delas abastece estas quadrilhas? E o caminho do dinheiro? Para onde vai? Vamos fazer um acordo de cooperação com Sergipe e Pernambuco, no caso de Alagoas, para fiscalizarmos as nossas fronteiras. E ainda aumentar o efetivo das cidades de dois policiais para quatro. Olhando para esta perspectiva do passado, estamos sim diante de bandos como os de Lampião, disse.

Em Alagoas, o sistema de comunicação de rádios da policia ainda não é interligado. Se houve um assalto a banco no agreste- região onde a quantidade é maior- policiais de outras regiões não poderão ser acionados para fechar as fronteiras. - Estamos realizando investimentos, mas os bancos precisam ajudar. Eles são cobertos por seguro após o assalto. E as seguradoras, porque não reclamam?, pergunta. No Nordeste, foram registrados este ano 155 ataques a bancos. A Bahia lidera, com 46 casos. 

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