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Edição nº 763 / 2014

26/03/2014 - 10:25:00

Triste carnaval

Alari Romariz Torres aposentada da ALE

Moramos num condomínio de classe média em Paripueira, bem pertinho de Maceió. De duzentos e poucos terrenos já existem dezenas de casas construídas, mas moradores são poucos, não ultrapassam vinte e cinco.

Os amigos que residem no Atlântico Norte são pessoas maravilhosas, uns ajudam os outros em caso de necessidade e todo último sábado de cada mês nos reunimos no Clube para trocar ideias e conhecer novos moradores.

Existem pessoas que têm casa de praia no condomínio, pouco aparecem por lá e alugam as casas para criaturas daqui ou de fora do Estado. Outros vão muito a Paripueira e não cedem seus imóveis a estranhos. 

Em época de festa a cidade duplica ou triplica a população e no nosso condomínio não é diferente. A rua da Carapebas, onde moro, é estreita e tem poucas casas.

Atrás da minha existe outra de um amigo que durante o ano é alugada pela internet. Já tive vários problemas por causa do barulho, mas nos últimos tempos estava melhor.Eis  que chegou o carnaval e vieram alguns rapazes, filhos dos donos, para passarem os feriados na dita casa.     

Amigos, foi uma loucura: entrou na rua uma caminhonete puxando um enorme som, tocando bem alto. Assim que chegou, assustei-me e fui ver o que era.

O rapaz avisou que ia sair, mas não saiu.E aí começou a tortura: das nove da manhã até altas horas da noite, um som alto e estridente no meio da rua, às vezes de mau gosto, não deixava ninguém conversar na varanda de nossa casa e nem dormir. Reclamei três vezes, eles baixaram o som um pouco, mas depois elevaram mais ainda. Chamei a polícia, mas nada adiantou.

Só consegui ficar tranquila na quarta fei- ra de cinzas.A casa da esquina, trinta metros ao lado da minha, foi alugada também e os inquilinos chegaram a fim de brincar o carnaval com som bem alto e músicas indecorosas.

Entrava noite, saía o dia e o barulho não parava. Tenho a impressão de que certas pessoas não se lembram de que o direito delas termina quando começa o do vizinho. Ao meu lado existe um sítio de um amigo que deu verdadeira lição de civilidade.

Fez uma festa de carnaval com cerca de sessenta pessoas e não incomodou ninguém. Um conjunto tocando melodias alegres, o som numa altura normal e nós de casa, escutávamos de nossa varanda, boa música, sem gritos ou palavrões, durante uma tarde inteira.

Na praça do condomínio, segundo um amigo, foi uma parafernália: uma só casa trouxe quatro sons, instalou num terreno baldio e incomodou a rua inteira.Não sei com as pessoas que lá estiveram conseguiram conviver com tanto barulho.

O pior é que vimos crianças de colo escutando um som mais alto do que o ouvido humano pode suportar.Na cidade, às dez da noite, a polícia mandava as pessoas desligarem o som nas ruas e segundo moradores de lá, reinou certa paz.Conforme a lei do Meio Ambiente, durante o dia existe um certo limite para a altura do som e após dez da noite deve haver silêncio total.

Entretanto, vivemos num país onde as leis não são respeitadas e num Estado muito pior. As pessoas vêm passar o carnaval numa cidade pequena e não têm o menor respeito com a população. Bagunçam, gritam, sujam e vão embora, deixando a má impressão.Em compensação, na mesma casa atrás da minha, na quinta-feira após o carnaval, chegou uma van cheia de adultos e crianças. Ficaram até o domingo, brincaram, cantaram e não incomodaram ninguém. Agiram como pessoas civilizadas, curtindo um som normal.

Comecei a pensar o que fazer no carnaval seguinte: Sair de minha casa? Alugá-la a pessoas barulhentas para incomodar os outros vizinhos? Negar a mim mesma o direito de receber em minha residência amigos e parentes por conta de pessoas irreverentes?Não meus amigos, pedi, reclamei, chamei a polícia, liguei para meus conhecidos da diretoria do condomínio e nada deu certo. Com certeza em 2015 eu e os moradores do Atlântico Norte teremos os mesmos problemas.

Tive então uma ideia luminosa: vou alugar um carro de som bem alto, tocando música gospel, andando pelas ruas do condomínio e parando em frente às casas que desrespeitam as leis do Meio Ambiente, elevando o som até onde o botão alcançar. Aí, Deus resolverá o problema.Não sei se foi irreverência ou falta de respeito o que aconteceu no condomínio Atlântico Norte, em Paripueira, AL. Não gostaria de dizer que foi falta de educação; quero crer que foi um desrespeito às leis do Meio Ambiente, ou simplesmente poluição sonora.     Que Deus nos ajude!!!

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