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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 763 / 2014

26/03/2014 - 10:03:00

Em tempo de Murici...

Cláudio Vieira Advogado e escritor membro da Academia Maceioense de Letras

Coronel Tamarindo, do exército brasileiro, assumira o comando da terceira expedição contra Canudos, após a morte do seu comandante pelos jagunços do Antônio Conselheiro, beato baiano. As forças republicanas – relata Jaime Klintowitz, em seu “A história do Brasil em 50 frases”, Leya – eram formadas por 1.200 homens fortemente armados, que dispunham ainda de quatro canhões. Do lato do beato, fanáticos sertanejos inferiores em número e mal armados de paus, pedras, facões e espingardas lutavam, como relatado depois por um dos sobreviventes, por suas casas e porque não tinha para onde ir.

No calor do combate, o Tamarinho sentindo o denodo da turba que defendia a cidadela mística em cada rua, em cada viela, em cada casa, e pressentindo a derrota iminente, teria bradado aos quatro ventos: “Em tempo de murici, cada um cuide de si!”A frase, hoje considerada clássica – informa Klintowitz – “define o momento de cair fora de uma situação difícil”. Se a frase do Cel.

Tamarindo tornou-se profética do sucedido com a expedição e suas tropas, tal prenúncio é bem atual à nossa confusa política alagoana. Há mais de um ano postou-se na imprensa e nas redes sociais foto simbólica da sorridente união das oposições à atual governança do Estado.

Já à primeira vista, a união mostrava-se improvável: vaidades plúrimas, interesses pessoais arraigados, mágoas, rancores e invejas, mútuas traições passadas etc., e, a besuntar tudo isso, outro propósito não tinha tal união fotográfica senão a tomada do governo das mãos atuais. O povo? Ora, o povo! O Estado? Não o instrumento para se proporcionar o bem estar do povo; apenas mero meio de exercício de poder pessoal.

Nada mais que isso.Evidente, então, desde aquele primeiro momento, que a foto da união, vazia de proposições sérias, esvaneceria com o passar do tempo, e isto não demoraria muito, E não demorou mesmo! Daquele encontro original, apenas quatro personagens continuam, mesmo aos trancos e barrancos, mantendo as aparências. Aliás, nem tanto assim, pois quando abrem a boca sobre qualquer assunto percebe-se nas entrelinhas que, no fundo, são todos soldados do Cel. Tamarindo: em tempo de murici, cada um cuida mesmo é de si.       

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