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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 763 / 2014

26/03/2014 - 09:33:00

Jorge Oliveira

Brasil, hospício a céu aberto

Brasília - A Dilma, que chegou a presidente depois de apresentar um laptop ao Lula, que ficou fascinado com a engenhoca, quatro anos depois continua perdida dentro do Palácio do Planalto. Nos últimos meses, a presidente tem dado demonstrações de distúrbios neurológicos com discursos fragmentados, frases desconexas e opiniões infantilizadas para uma chefe de estado (“a mulher abre o negócio, tem seus filhos, cria os filhos, e se sustenta, tudo isso abrindo o negócio” – a última pérola da presidente no Dia Internacional da Mulher).  

As atitudes de descontrole com seus auxiliares, tratando-os com arrogância e truculência são também sintomas que preocupam seus assessores mais diretos na presidência.Politicamente a Dilma tem se mostrado um desastre. Sua ações, típicas de colegiais, só tem prejudicado o governo e o país, que caminha sem rumo para um futuro incerto. Não à toa, o “Volta, Lula” continua nas paradas de sucesso no Congresso Nacional, que agora se ressente de um interlocutor qualificado que faça o papel de bombeiro para apaziguar os ânimos acirrados entre o PMDB e o governo que descamba para um desastre político com sérios riscos na reeleição.

Despreparada para o cargo, a Dilma tem se cercado de antigos auxiliares do ex-presidente Lula com validade vencida. Veja o exemplo do ministro da Fazenda, Guido Mantega, o mágico da economia. Desacreditado no mercado internacional por suas previsões mentirosas e números facciosos sobre a economia brasileira, vive agora o dilema da desconfiança dos empresários brasileiros. A reunião com o PIB nacional desta última quarta-feira só mostrou que o setor privado nao acredita mais nas propostas fantasiosas de Mantega.

Os dezoito empresários saíram do encontro com o ministro frustrados. Marcos Jank, representante da BR-Foods, que juntou a Perdigão e a Sadia, resumiu a impaciência do grupo: “Havia mais expectativas”. Se na economia, a Dilma perdeu o rumo, na política então o desastre é total. Ao tentar isolar o PMDB das discussões no Palácio do Planalto, levou um chega pra lá do líder do partido na Câmara que está desconcertada até agora.

Eduardo Cunha mostrou força e liderou os 250 deputados rebeldes para infernizar o juízo do governo, convocando vários ministros e dirigentes de empresas estatais para depor em comissões na Câmara dos Deputados. Pesam sobre alguns desses ministros acusações de corrupção em suas pastas, como no Ministério do Trabalho onde a Polícia Federal já algemou boa partedos principais auxiliares do ministro Manuel Dias. Outra dor de cabeça para o Planalto foi o convitea presidente da Petrobrás, Graça Foster, para explicar o suborno de milhões de dólares feito por uma empresa holandesa à funcionários da estatal.

O vice-presidente Michel Temer, encurralado pelos dissidentes peemedebistas, já mandou um recado ameaçador para o Planalto: “Se o partido decidir pelo rompimento durante a convenção, eu respeitarei, pois a minha carreira política sempre esteve atrelada aos interesses partidários”. Para bom entendedor, meia palavra basta.

Fantoches

Como toda essa melança não bastasse, a Dilma ainda abriu a boca para dizer que a sua relação com o PMDB tem um ambiente circense, quando afirma que o PMDB tem lhe dado muito alegria, desqualificando o partido que tem uma bancada de 80 parlamentares e 2 milhões e 300 mil filiados no Brasil. A presidente subestima o poder político do seu principal parceiro, tratando-o como fantoche e não como uma agremiação que estabiliza o seu governo institucionalmente. As declarações da Dilma só serviram para aumentar as chamas da fogueira na Câmara Federal, onde os rebeldes ameaçam atear fogo ao circo insatisfeitos com as emendas parlamentares que o Planalto manobra para forçá-los a se manter na base do governo, manipulando-os como vassalos. Não seria exagero dizer que o PT transformou o Brasil em um hospício a céu aberto com personagens que fariam a festa da psiquiatra Nise da Silveira.


Deputados à venda

Está à venda na Câmara um bloco de oposição com mais de 200 deputados. No primeiro lance, Dilma, a inquilina do Palácio do Planalto, logo ao lado, já arrematou por 400 milhões três partidos: PDT, PP e o PROS que faziam parte do grupo rebelde do Eduardo Cunha, líder do PMDB. Outro lance da presidente ainda não alcançou o PR que balançou mas não se decidiu pelo afastamento do grupo, segundo seu líder Bernardo Santana (MG). É assim, à base do leilão, que se formam e se dissolvem os blocos de oposição ao governo no Congresso Nacional. O líder não precisa ser carismático, talentoso politicamente nem necessariamente ter bons propósitos para aglutinar em torno de si um monte de deputados. Para isso, é indispensável apenas ser bom em negócios, cumprir a pauta fisiológica dos seus liderados e lutar para liberar as emendas.


Chantagem

É assim, com a liberação de emendas, que o governo tenta esvaziar o blocão que continua dando dor de cabeça ao Planalto derrubando os projetos e ameaçando a reeleição da Dilma. O leilão continua. Esta semana serão dados outros lances. A presidente designou para acompanhar a conversa os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais) que vão ouvir as reivindicações do Eduardo Cunha nos salões do Palácio do Jaburu, oferecidos pelo vice-presidente Michel Temer, para a reabertura do leilão.

Leilão

Para desativar o blocão, espera-se que o governo ofereça agora mais do que os 400 milhões de reais já empenhados. Afinal de contas,  esses recursos sensibilizaram apenas os deputados do PDT, PP e PROS, agora defensores incondicionais dos projetos do governo. Dessa vez, o leiloeiro deve jogar mais pesado. Eduardo Cunha ainda mantém sob o seu controle mercadorias valiosas como o PMDB, PSDB, DEM, SDD, PSB, PR, PTB e PSC. É com esse cacife político que o deputado reabre os trabalhos esta semana para negociar a posição do grupo em relação ao Marco Civil  da Internet, que ele insiste em não votar porque considera o projeto petista fraco e malajambrado. 


Cala-boca

O governo, entretanto, vai oferecer no leilão, para esvaziar o blocão, a liberação de mais emendas indispensáveis aos parlamentares em ano eleitoral. O cala-boca funciona assim: o dinheiro é liberado para municípios ou estados para garantir as obras (estradas, postos de saúde, habitação etc. etc.) indicadas nas emendas pelos parlamentares. Como este ano, por força da lei eleitoral , é proibido licitações seis meses antes do pleito, os recursos só serão aplicados no próximo ano, mas o deputado já garante o seu quinhão da empreiteira amiga para a campanha. Não à toa, em épocas de eleições, os deputados se juntam em bloco para espremer o governo que normalmente cede às pressões.
IsolamentoEssa briguinha acaba rápido. A medida que o governo vai pulverizando o blocão com liberação das emendas individuais, a oposição vira cinzas. Aos poucos, os partidos devem ir se afastando do Eduardo Cunha que corre o risco de isolamento até dentro do próprio PMDB. Não seria surpresa, portanto, se depois desse leilão no Palácio do Jaburu, Eduardo Cunha mudar também o tom de voz para não ficar falando sozinho.Essa coisa de não ir a posse dos novos ministros é apenas fogo de monturo do blocão do líder do PMDB.


Safadeza

A prefeitura da Barra de São Miguel está distribuindo os IPTUs com até 200% de aumento. Para os que reclamam, têm o preço reduzido e ajustado. Para os que pagam sem chiar, estão sendo vergonhosamente enganados por um prefeito que até agora não disse pra que veio. O se colar, colou cheira a safadeza e mau caratismo!!!

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