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Edição nº 762 / 2014

19/03/2014 - 09:54:00

PEDRO OLIVEIRA

Vivemos em um país sem vergonha

Enquanto uma multidão de enganados ainda comemorava uma farsa na qual aparecia um Judiciário resgatando a dignidade institucional de apodrecidos poderes com o julgamento dos envolvidos no Mensalão, o país esperava que ali fosse o início de um novo tempo para a moralização pública e um freio naqueles que se locupletam do erário e roubam descaradamente os cofres públicos.

A votação que livrou oito mensaleiros do crime de formação de quadrilha e chocou a maioria dos brasileiros terá impacto direto em suas penas, inclusive no regime dos ex-dirigentes do PT Delúbio Soares, José Genoino e José Dirceu, já que agora eles só responderão por corrupção ativa.Genoino e Delúbio, este último inicialmente condenado em regime fechado, poderão partir para regime aberto até o final do ano.

Dirceu, que recebeu a maior pena, poderá passar para o regime aberto em março de 2015, embora fatores como leitura de livros, frequência em cursos e liberação para trabalhar possam antecipar essa data ainda para 2014.Hoje Genoino cumpre prisão domiciliar provisória, depois de ter alegado problemas de saúde. O STF ainda vai deliberar sobre o caso de forma permanente.

Já Delúbio, que cumpre regime semiaberto, havia sido liberado para dar expediente na Central Única dos Trabalhadores (CUT), onde passava o dia e podia até sair para almoçar, mas teve o benefício suspenso pela Justiça após denúncias de “regalias” e privilégios concedidos a ele na penitenciária.

Os publicitários Marcos Valério, Ramon Hollerbach e Cristiano Paz e os ex-banqueiros Kátia Rabello e José Roberto Salgado também foram beneficiados pela decisão do tribunal de absolvê-los do crime de formação de quadrilha, mas eles continuam em regime fechado porque suas penas foram mais altas.Antes de encerrar a sessão que absolveu os condenados no processo do mensalão por formação de quadrilha, Joaquim Barbosa lamentou a decisão pelo plenário do Supremo Tribunal Federal.

“Esta é uma tarde triste para este Supremo Tribunal Federal, porque, com argumentos pífios, foi reformada, jogada por terra, extirpada do mundo jurídico uma decisão plenária sólida, extremamente bem fundamentada, que foi aquela tomada por este plenário no segundo semestre de 2012”, disse.Segundo o presidente do Tribunal, a atuação dos condenados em uma quadrilha ficou comprovada, porque a “estrutura delituosa estava em funcionamento” durante o período em que os crimes correram.

A estrutura, segundo ele, era operada pelas empresas do publicitário Marcos Valério e pelos condenados ligados ao PT, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. “Como não dizer que toda essa trama não constitui quadrilha? Se não fosse a delação feita por um dos corrompidos - ex-deputado Roberto Jefferson - muitos outros delitos continuariam a ser praticados”.Com que cara os ministros do STF enfrentarão a decepção dos brasileiros diante de tamanha aberração? Mas como se trata de Brasil nada acontecerá, pois vivemos em um país sem vergonha.

Os corredores da arrecadação

Desde segunda feira os condutores de veículos que ousarem trafegar pela faixa azul privativa de ônibus, taxi e transportes complementares, serão impiedosamente multados e terão perdas de pontos na carteira de motorista. Pronto! Está definitivamente institucionalizada uma das maiores  aberrações  no  trânsito de Maceió.A SMTT dirigida por amadores que nada sabem de trânsito conseguiu, sob o beneplácito do prefeito da capital, implantar um dos “mais eficientes” canais de arrecadação de fundos para engordar os cofres da administração. Não é sem razão que mesmo nos corredores da própria prefeitura o fato é citado, mais como gerador de multas e muito menos como fator de solução para o irresponsável e criminoso trânsito de Maceió. Em tempo: soube que houve comemoração na Prefeitura ao contabilizar a primeira semana de “arrecadação”.

O mapa do senador

Na última eleição para o senado em minha coluna fiz um comentário duvidando das chances do então deputado Benedito de Lira ao concorrer a uma cadeira para o Senado. No mesmo dia da publicação no Jornal Extra recebi um  gentil convite do parlamentar para um café o qual marcamos para a manhã seguinte. Conversamos por mais de duas horas num papo recheado recordações políticas, analises do momento que vivíamos e histórias interessantes do nosso cotidiano eleitoral. No meio da conversa ele me expôs um mapa muito bem elaborado, com informações e análises muito bem feitas e saiu “percorrendo o estado, município por município, região por região”. Sua conversa era seguira, suas informações poderiam ser provadas, seus dados checados. Sai da conversa com uma convicção: Benedito de Lira não apenas tinha condições de disputar a eleição, ele seria eleito senador. E foi o que aconteceu. No embate em que ele se anuncia candidato a governador jamais eu ousaria repetir meu comentário, por conhecer sua amplitude eleitoral, sua capacidade de fazer votos e principalmente por conhecer o seu “mapa”. 

Mesmo peso e medida

O Ministério Público agiu em defesa do interesse público ao contestar a Prefeitura de Roteiro por ter patrocinado um evento particular aportando recursos da Administração, o que se constitui crime de responsabilidade. O fato além de ser ilegal é também imoral. Me estranha apenas que a Prefeitura de Maceió tenha gasto milhares de reais do dinheiro do povo para patrocinar também blocos carnavalescos e instituições particulares (só um desses blocos levou 50 mil reais) e não vi ninguém do MP que se indignasse com um fato cometido na mesma proporção criminosa que o prefeito da pequena cidade alagoana. Se for crime deve ser para todo mundo: o ladrão de galinha ou o que assaltou o banco.

Contratações suspeitas de Aldo Rebelo

Com quase todos os itens da Copa-2014 atrasados, o Ministério do Esporte contratou uma consultoria para planejar, monitorar e supervisionar o evento. Pagará R$ 5,7 milhões para a Price Waterhouse Coopers. Curioso é que o contrato começou em novembro de 2013 e acabará em maio de 2015, ou seja, os serviços serão prestados na maior parte do tempo com o Mundial encerrado.Essa é a terceira consultoria contratada pelo ministério para apoio na organização da competição. Uma delas, o Consórcio 2014, gerou acusações de irregularidades por parte do TCU (Tribunal de Contas da União) e foi encerrada no meio de 2013. A FGV (Fundação Getúlio Vargas) chegou a monitorar o andamento de obras dos estádios.Ficou claro que nenhuma dessas contratações foi suficiente para cumprir cronogramas de projetos e obras do Mundial. Há atrasos severos em estádios (ainda não concluídos), mobilidade urbana (a maior parte das obras sequer vai ficar pronta), aeroportos (haverá reformas improvisadas), entre outros itensO que tem de denúncia contra o “comunista” e deputado paulista/alagoano envolvendo desvios de recursos vai dar o que falar até a Copa chegar.


As verdades de Almeida

O ex-prefeito Cicero Almeida tem lá os  pecados cometidos em sua conturbada administração, mas também não pode ser apontado para pagar sozinho por tudo o que foi feito . Hoje em dia é muito difícil ser gestor público e a coisa se complica mais ainda ao deixar o cargo e ter o adversário em seu lugar desfazendo o que foi feito e lhe jogando a culpa pela “herança maldita”, além da perseguição implacável dos órgãos de Controle Externo. O prefeito Rui Palmeira já sente na pele o reflexo da “maldição do gestor”. Com uma equipe fraca, (com honrosas e raras exceções) sem grandes realizações e sem conseguir cumprir a maioria das promessas de campanha, tem sua administração avaliada negativamente pela população e nada pode fazer. É quando a má política atrapalha uma gestão que deveria ser responsável e empreendedora.

Com uma agenda cheia

Procurei falar esta semana com o ex-secretário do Planejamento Luiz Otávio Gomes e não o encontrei. Mandei uma mensagem e dele recebi o retorno: “Estou na Coreia do Sul”. Evidentemente fazendo o que ele mais gosta: trabalhando. Só que agora cuidando dos interesses de sua empresa de consultoria de conceito internacional ( LOG) que com certeza vai expandir seus passos e negócios com o retorno do comandante ao leme de condução. A partir de agora vai cuidar de seus negócios, mas ninguém imagine que não estará sempre preocupado com os interesses de  Alagoas. 

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