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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 762 / 2014

19/03/2014 - 09:53:00

Justiceiro: um pistoleiro travestido de “magistrado”

Geovan Benjoino (*) [email protected]

Por mais que alguns “iluminados” tentem defendê-lo, o justiceiro é mesmo um pistoleiro às avessas, um criminoso travestido de magistrado, um homicida social, um psicopata. Justiceiro e pistoleiro são faces da mesma moeda e frutos da mesma árvore bichada.Qual a diferença entre quem mata em nome de uma suposta justiça e quem mata por pistolagem?

Quem mata por dinheiro e quem mata para fazer uma “limpeza social”? Quem é mais nocivo: quem ceifa a vida de um desafeto de terceiro ou quem extingue a vida de dezenas de seres humanos que são considerados forada lei? Quem exerce justiça privada a seu bel prazer pode ser considerado justiceiro? Ser justo é agir de acordo com seus interesses assassinos?O justiceiro é uma ameaça permanente à sociedade, por mais que alguém insista em afirmar que ele é um guardião. Nunca, jamais.

Quem mata um, dois, três, quatro, cinco... dezenas ou mais de seres humanos pode ser tudo, menos guardião da sociedade.Quem adora carnificina pode proteger alguém? Canibal pode guardar ovelhas? Quem é perverso, frio, calculista e sanguinário é capaz de proporcionar segurança à coletividade?O justiceiro inicia sua vida assassina matando infratores e posteriormente qualquer cidadão. Acostumado a matar, o justiceiro jamais vacilará em ceifar vidas.

Matar para ele é uma prática rotineira prazerosa. É mais um em sua matemática diabólica. Não importa mais se é bandido ou pai de família; se é sanguevermelho ou azul.  Basta ser contrariado banalmente em seus pensamentos doentios. Um semblantenão simpatizado, uma palavra áspera proferida no calor de uma discussão trivial é o suficiente parao justiceiro decretar sentença de morte aumentando seu robusto rosário de homicídios. 

“Máquina” de matar gente, o justiceiro sente-se tão poderoso que se considera senhor absoluto da vida de nós pobres mortais, que a qualquer momento poderemos ser trucidados pela “espada flamejante” de sua“justiça”. O tribunal do júri do justiceiro não é colegiado, mas monocrático. Só ele - o justiceiro – tem esse poder, essa prerrogativa de condenar os mortais decaídos de forma absoluta e implacável.O justiceiro é assim. Ele sente-se extraordinariamente relevante.

Para ele sua “função social” – a de matar – é fundamental para o saneamento moral da humanidade. Em seu íntimo bestial, o justiceiro imagina uma apoteose a sua pessoa e, num solilóquio fica desvairando envaidecido: “O que seria do mundo se eu não existisse? A bandidagem tomaria conta”.Orgulhoso, vaidoso, prepotente e presunçoso, o justiceiro tenta mais não consegue esconder que não tem alma, não tem coração, não sente piedade, remorso nem sentimento de culpa e muito menos solidariedade. É um doente da alma que pensa estar no mundo cumprindo “bela missão”.

Na verdade, ele é uma ave de rapina, um abutre que suga e esfacela as entranhas de famílias provocando-lhes um imensurável “buraco” de dor e sofrimento.Equivocado, o Justiceiro assim como o pistoleiro, érefém de sua própria maldade, de seu mundo vazio, nebuloso e enigmático.Um dia certamenteserá picado pelo próprio veneno que destila contra o próximo.

Jesus Cristo disse que com o mesmo peso e a mesma medida que pesarmos e medirmos os outros seremos pesados e medidos da mesma forma. Ninguém colherá batata se plantar cicuta. 

(*) Jornalista, escritor e formando em Direito

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