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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 762 / 2014

19/03/2014 - 08:59:00

Jorge Oliveira

Uma guerra desleal

Maceió -  A presidente Dilma tem feito os alagoanos de trouxas. Não é a primeira vez que vem aqui e saca o cheque da bolsa – sem fundos, claro – para oferecer ajuda ao estado. Aliás, em uma das viagens que fez às obras paralisadas da transposição do Rio São Francisco, ela ofereceu ao Nordeste 8 bilhões de reais para infraestrura.

Pura fantasia para enganar o palanque lotado de políticos abestados que acreditaram na promessa. Em Alagoas, na última visita, não se fez de rogada. Anunciou a liberação de 400 milhões para obras no estado. Evidente que ninguém acreditou mais nessa bazófia da presidente de mente fragmentada, que se esforça para juntar duas palavras que deem sentido a uma frase. 

Enquanto ela vai atabalhoadamente oferecendo dinheiro e fazendo discursos sem pé nem cabeça por aí, o crack – que prometeu combater como prioridade do seu governo – vira epidemia no Brasil. Em Alagoas, não é diferente.

As drogas deixam um rastro de sangue por onde passam. Não é exagero afirmar que o estado vive uma guerra urbana permanente.  É líder em mortes violentas. Compete com nações em conflitos como Iraque e a Síria, por exemplo. Em poucos países do mundo em guerra mata-se tanta gente como em Alagoas, que ainda lidera todos os índices sociais de miséria. 

Mas esta é uma guerra desleal, covarde. O inimigo escolhido para morrer está indefeso e, portanto, será sempre o perdedor. O alvo são os jovens e adolescentes, uma geração perdida. Nos dois últimos anos, 2.696 foram assassinados em Alagoas, uma tragédia que desaba sobre  as famílias dos jovens desassistidos que vivem do comércio do crack, a margem da lei, enquanto a sociedade assiste passivamente o aumento dessa estatística macabra.

O resultado desse silêncio conveniente é o que se previa: o alagoano hoje é refém do medo. Ele teme desfrutar da beleza da sua terra com medo de ser a próxima vítima.Nos últimos dez anos, 174 mil pessoas morreram na guerra do Iraque desde a invasão do país pelas forças internacionais lideradas pelos Estados Unidos. Desse total, 112 mil eram civis.

A se manter a barbárie alagoana, nos próximos dez anos, 30 mil jovens estariam mortos e seus cadáveres destroçados e abandonados nas ruelas da periferia de Maceió e do interior, o que representaria quase 30% das mortes de civis no Iraque entre homens, mulheres e crianças.

Nesse caso não se trata de uma guerra entre países, mas de verdadeira carnificina assistida pelos olhos indiferentes do estado e de parte da população que se acostumou a ver cadáveres empilhados nas ruas e a sujar os pés no sangue desses jovens, tragados pelo tráfico que domina o estado.A OAB-AL mostra-se  preocupada com o índice alarmante da criminalidade.

É dela o levantamento da morte desses jovens. Os assaltos, estupros e os crimes por encomendas acontecem a qualquer hora do dia ou da noite. Isso contribui para o estado carregar a pesada cruz da liderança da violência contra mulheres, homossexuais e moradores de rua.

As famílias não saem às ruas a noite e nos restaurantes são assaltadas com frequência. A Polícia Civil vive em estado permanente de greve e é baixíssimo o número de homicídios elucidados por falta de capacidade técnica para investigar os casos que se amontoam nas delegacias.As causas para o avanço da violência são muitas.

 Algumas, porem,  são bem conhecidas: o desemprego; a falta de fiscalização nas fronteiras por onde entram as drogas e os bandidos;  o despreparo dos policiais e a falta de investimento nas policias civil e militar; a concentração de renda (a maior do Nordeste), que cria  disparidades entre as classes sociais; sucateamento da educação; elevado índice de pobreza; e a irresponsabilidade dos últimos governos que incharam a máquina pública.  

Meliantes do PDT

Se o líder do PPS, deputado Rubens Bueno, não fosse um politico experiente poderia passar por ingênuo ao anunciar que vai pedir à Comissão de Ética da Presidência o afastamento do Ministro do Trabalho, Manoel Dias, suspeito em mais um escândalo: empregar militantes do seu partido, o PDT, como fantasmas em uma entidade que recebia dinheiro do seu ministério. É publico e notório que o MT é uma repartição tão desmoralizada, que, a exemplo dos presídios de segurança máxima, até os celulares deveriam ser proibidos. As acusações contra esse ministério foram feitas por quem conheceu por dentro a movimentação da quadrilha: o ex-ministro Brizola Neto, que saiu de lá de dentro escandalizado com a delinquência oficial.


Rombo

Dessa vez, a Polícia Federal investiga novas falcatruas dentro do MT, depois do afastamento de Carlos Lupi envolvido em desvio de quase 200 milhões de reais quando esteva à frente do ministério.Aliás, o único entre vários acusados a ser penalizado pela Comissão de Ética que recomendou a sua demissão. Agora, a denuncia apareceu no jornal Estado de S. Paulo que revelou as investigações da PF para desmantelar a quadrilha dos empregos “fantasmas” sob o patrocínio do Maneco, como é mais conhecido o ministro.


À Francesa

O fato da Polícia Federal solicitar uma investigação contra o ministro, na opinião do deputado paranaense Rubens Bueno, já seria o suficiente para Manoel Dias sair à francesa lá de dentro, antes que o camburão da PF estacione na porta e esvazie o ministério. Em um país sério, muitos já estariam na cadeia há tempo, mas os meliantes continuam em liberdade porque atuam com a complacência da Dilma que precisa dos minutinhos do PDT na sua reeleição, tempo muito caro ao bolso do contribuinte.

Fantasmas

A Polícia Federal apurou indícios de supostas irregularidades na conduta de Manoel Dias e pediu à JustiçaFederal de Santa Catarina que remeta os autos ao Supremo Tribunal Federal para abertura de inquérito. Segundo a PF apurou, ex-integrantes do PDT em Santa Catarina, em depoimento, confirmaram ter recebido pagamentos da ADRVale – entidade que era abastecida por recursos de convênios com o Trabalho -, sem prestar serviços. O suposto esquema foi denunciado pelo ex-presidente da juventude pedetista em Santa Catarina, John Sievers Dias. Segundo ele, a ordem para receber da entidade sem trabalhar partiu de Dias, na época presidente do PDT catarinense.


Até a mulher

Os escândalos no Ministério do Trabalho não são novidade para ninguém. Até mesmo a mulher do ministro já foi citada em rolos lá dentro, fato que levou o ministro a falar grosso contra a Dilma ameaçando botar lenha na fogueira caso fosse surpreendido com a demissão. O fato é que a presidente abafou as denuncias e manteve a quadrilha, apontada por Brizola Neto, porque precisa do PDT na base aliada. 


Oposição?

O deputado Rubens Bueno faz bem em representar o ministro à Comissão de Ética. O estranho, porém, é que o PSB e o PSDB mantenham-se calados diante de tanto escracho no governo petista.O país não pode esperar que o bloco dos dissidentes, com  mais de 200 deputados, exerça esse papel de cobrança. Esse grupo, na verdade, não passa de um bando de fisiológicos chantageando o governo por mais emendas parlamentares, aquele dinheiro que sai do orçamento já com o carimbo das empreiteiras. Dessa cobrança, eles entendem muito bem.

Educação

Muitos proprietários de carros chiaram no primeiro dia do corredor exclusivo para ônibus na Fernandes Lima porque ficou engarrafado no trânsito. Em compensação, o trabalhador chegou mais rápido no emprego e em casa. A operação de carregar a massa em um trânsito mais livre funcionou, portanto, aqueles que querem chegar mais cedo ao trabalho, por favor, usem agora os ônibus. Espera-se que os coletivos atendam as necessidades dos usuários oferecendo conforto, inclusive ar-condicionado. Parabéns a prefeitura de Maceió.

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