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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 761 / 2014

11/03/2014 - 18:18:00

Usinas são acusadas de dar calote e humilhar pequenos produtores de cana

Capricho e Paisa, indústrias do Grupo Toledo são denunciadas por pequenos produtores. Asplana confirma débito

Carlos Victor Costa Repórter

O Jornal Extra recebeu nesta semana uma ligação telefônica que traduz a situação sofredora e caótica que os pequenos produtores de cana de Alagoas vêm sofrendo há mais de seis meses. Pedindo para não serem identificados por medo de represália por parte dos usineiros, os fornecedores de pequeno porte denunciaram a humilhação sofrida na Usina Capricho e o não pagamento da Usina Paisa. Indústrias essas do Grupo Toledo. 

Os pequenos produtores de cana também denunciaram a omissão da Associação dos Plantadores de Cana do Estado de Alagoas (Asplana), entidade responsável por apoiar os fornecedores alagoanos. Diante disso a reportagem procurou o presidente da associação, Lourenço Lopes, que negou o fato e disse que a acusação foi feita sem fundamento.

“Essa questão de omissão da Asplana não existe, é imoral essa denúncia. Faço parte de uma entidade pautada em defender os pequenos e grandes produtores do Estado. Tanto que conseguimos melhorias do laboratório que fornece fumo entre outras coisas”. Lourenço lembrou também que a Asplana foi quem lutou pelos pagamentos atrasados das Usinas de Alagoas em Brasília. “Conseguimos o aumento da subvenção, nunca deixamos de apoiar os fornecedores de cana, nossa função é essa”. 

CULPA  DA PRESIDENTE

 Na denúncia feita ao jornal Extra, os pequenos produtores alegaram também que maioria deles não conseguem nem comida para dentro de casa devido aos inúmeros atrasos dos pagamentos. Para o presidente da Asplana, a responsabilidade não seria apenas dos usineiros, mas também da presidente do país, Dilma Rousseff.

“A culpa é da Dilma, que segura todo o Nordeste para conseguir voto através desses programas do Governo, como bolsa família, entre outros. O foco do Governo Federal é esse. Ela segurou o preço da gasolina e do álcool, tudo isso para evitar a inflação, mas o que  acabou aumentando ainda mais a crise sucroalcooleira na região. A culpa não é nossa, pois se hoje o fornecedor respira com R$ 12 por tonelada, foi uma conquista nossa e das outras associações do Nordeste que batalharam por isso”. 


DÉBITO DAS USINAS 

Questionado se a associação estava ciente das denúncias referentes as usinas Capricho e Paisa, do Grupo Toledo, Lourenço confirmou, mas explicou que as reclamações feitas por parte dos pequenos produtores foram realizadas apenas verbalmente. “Fomos procurados aqui por alguns fornecedores indignados com o que vem passando em relação aos atrasos salariais dessas usinas, mas que por medo não quiseram fazer a denúncia escrita, e assim não se resolve nada, pois não podemos brigar sozinhos, não podemos nos responsabilizar por uma denúncia verbal”. 

O presidente da Asplana confirmou a dívida das usinas com os fornecedores, e disse estar em conversas com os usineiros para que esse problema seja resolvido. “A Asplana não ver razão dos industriais estarem atrasando com os fornecedores e estamos tentando resolver esse caos que parece não ter fim”. 

LÍDER EM DÍVIDAS

O Grupo João Lyra que teve falência decretada no último dia 19 pelo Tribunal de Justiça de Alagoas ainda lidera o número de Usinas que devem aos fornecedores de cana do Estado.  Segundo o Tribunal de Justiça o grupo devia, há dois anos, pouco mais de R$ 1,2 bilhão (cinco vezes o patrimônio declarado de seu presidente) e teve falência das usinas e empresas associadas decretada, a pedido de credores, em setembro de 2012.

Usinas como Capricho e Paisa estão entre as mais devedoras em Alagoas. A estimativa é que o empresário deva, hoje, com as correções, juros e multas, em torno de R$ 2 bilhões. A maioria das dívidas é com grandes fornecedores, que cobram o pagamento judicialmente.

USINA MODELO

 Segundo informações de alguns fornecedores, as usinas devedoras deveriam se espelhar na Usina Serra Grande localizada no município de São José da Laje, onde para eles, a industria é  uma das que honram o pagamento junto aos produtores de cana em Alagoas. 

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