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14 de Novembro de 2018

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Edição nº 760 / 2014

05/03/2014 - 10:56:00

Uns ganham outros perdem

José Arnaldo Lisboa Martins [email protected]

Minha vida profissional foi quase toda exercida com base no tema “trânsito. Fui  Assessor de Planejamento do DETRAN/AL, Presidente do Conselho Estadual de Trânsito -CETRAN, Diretor da Divisão de Trânsito do DER/AL, durante 22 anos, Assessor Especial de Transportes da SMTT e Autor do Livro “Quem paga a batida?”, edição há muito tempo esgotada e vendida aos Senhores Diretores Gerais dos DETRANs de muitos Estados. Por mais que me achem “gabola”, “boçal” ou coisas com adjetivos semelhantes, não posso me omitir, diante da verdade do que já fui.

Afinal de contas, sou o autor de  várias placas de trânsito, como “Estacionamento Proibido”, “Parada Proibida” que antes era a letra “P” de “no park here” e que hoje é um “E” de Estacionamento, tanto Proibido como Permitido, com as suas tarjas diagonais. Além de outras, também, são da minha autoria e que constam no Código Brasileiro de Transito, a placa de “contra mão” que antes era uma “oval vermelha achatada” e que hoje é uma seta direcional, com a diagonal proibitiva do “proibido ir em frente”.

 Durante anos, eu tenho escrito artigos sobre trânsito, em vários órgãos da imprensa local, pois, este tema sempre foi o meu favorito. Nos últimos anos, foram tentadas várias improvisações no nosso trânsito, umas lógicas e outras malucas, como foram alguns “contornos” de quadra desnecessários, pois, nós tínhamos “faixas de desaceleração” que evitavam o grande consumo de combustível e menor tempo das viaturas em circulação pelas ruas. Nos últimos anos, aconteceram várias promessas para a implantação das faixas seletivas para ônibus.

Finalmente, o Prefeito Rui Palmeira, resolveu desafiar os incrédulos e resolveu tentar um sistema que seria mais propício para coletivos. Resolveu sacrificar uma das faixas de rolamentos, dando ela para os ônibus, para “aumentar os engarrafamentos em 33,33 %” na Av. Fernandes Lima e na Av. Góis Monteiro. Foi uma modificação muita corajosa e que terão consequências prejudiciais para Maceió, sem soluções futuras para viadutos.

Estão dizendo que ficou muito bom para os ônibus, o que é uma verdade, mas, vamos ver alguns futuros problemas. Vamos imaginar que Maceió, por dia, transportasse um milhão de pessoas, em “100 ônibus lotados”, durante as 10 horas, nos dois expedientes e horas para o almoço. Com a faixa exclusiva, claro que as velocidades dos ônibus serão maiores e, consequentemente, as pessoas serão transportadas mais rapidamente. Assim, os ônibus, em lugar de “transportar só 50 pessoas”, ficarão mais confortavelmente acomodadas, com as velocidades maiores e os menores apertos.

O que vai acontecer ?  Ora, os empresários preferem que os “índices de passageiros transportados por quilômetros” sejam grandes, para que ganhem muito dinheiro, numa só viagem. Para que não tenham prejuízos, com poucos passageiros numa viagem, vão ter que diminuir os números de ônibus, ficando como estava antes, com viagens superlotadas. Afinal de contas, há um jogo de “lugares ofertados e lugares ocupados”, para que as empresas ganhem dinheiro. Os empresários terão razão para diminuir as suas frotas, para não ficarem com os lugares ociosos, com “ônibus batendo”.

Com isso, pode ser que o “feitiço se volte contra o feiticeiro” e que haja uma ilusória melhoria do sistema. O Dr. Rui Palmeira está fazendo um bom trabalho para Maceió, mas, poderá se arrepender de algumas modificações, quando o trânsito estiver caótico e com muitas multas, devido às conversões para as entradas à direita, criando, assim,  conflitos entre carros e ônibus, pois, estes deverão ter preferências. Desculpe, Dr. Rui, porém, trânsito é assim mesmo, quando melhorando um para piorar os demais. Parabéns, pelas “outras melhorias” que o Senhor já vem fazendo por Maceió. Parabéns, mesmo, 

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