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19 de Setembro de 2018

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Edição nº 759 / 2014

18/02/2014 - 18:40:00

Oposição acéfala

Por GeovanBenjoino(*) [email protected]

Oposição de Palmeira dos Índios permanece órfã, omissa, claudicante, enclausurada numa masmorra, refém de seus próprios interesses

Talvez eu esteja sendo redundante, mas a ênfase é fundamental em determinado momento e em certas circunstâncias.Refletiré gratificante e sempre nos deixa alguma lição.No dia 23 de abril de 2010 o ex-prefeito de Palmeira dos Índios, Albérico Cordeiro faleceu acidentado quando se dirigia à Coruripe em campanha à Assembleia Legislativa de Alagoas.

A partir daquele momento a história política de Palmeira dos Índios – terceiro colégio eleitoral de Alagoas – mudava de rumo e estabelecia um marco divisor, isto é, fixava dois momentos: um antes de Cordeiro e outro depois deixando a oposição órfã, acéfala (sem cabeça, sem líder), claudicante e um imensurável vazio até hoje não preenchido.Ninguém é insubstituível, é verdade. Porém, não vejo no momento nem consigo enxergar – mesmo usando uma “lupa” – quem preencha essa “cratera”.

Falta sabedoria, habilidade política, perspicácia, sensibilidade, prestígio, coragem e ousadia. A crise de liderança palmeirense continua e parece – lamentavelmente –que vai continuar por muito tempo.

Podem acusar Cordeiro de ter sido centralizador, rude, irônico, debochador e até de sarcástico, nunca, jamais de incompetente. Sim, Cordeiro era competente. Essa qualidade – considerada “crime” - consumia as entranhas de seus desafetos, que nãoo perdoavam. Por isso, ele pagou um preço altíssimo.

Nunca um político em Palmeira dos Índios foi tão perseguido, tão retaliado e tão caluniado igual a Cordeiro.Tentaram-lhe cassar o mandato, calar sua voz, isolar-lhe politicamente.Todavia, Cordeiro reagiu e superou a tudo e a todos.Forasteiro, preto e de origem pobre, Cordeiro sabia “temperar o cardápio” que o povo prazerosamente o degustava.

Enquanto o ex-prefeito “forasteiro” era objetivo em suas ações, a oposição palmeirense continua omissa, arrogante, escorregadia, fragmentada e refém de seus próprios interesses, que parecem se eternizar numa contradição sem fim. “Pobre” oposição; ainda não conseguiu se libertar das amarras egocêntricas e do véu que impede enxergar o presente, que por sua vez poderia lhe oferecer um futuro promissor.A oposição Xukuru-Kariri insiste contrariar o princípio da Física que afirma ser impossível dois corpos ocuparem o mesmo espaço ao mesmo tempo. Diversos “caciques” querem ser prefeito ao mesmo tempo.

Como, se existe apenas uma vaga?! Será que vão inventar outro princípio físico? Não acredito.O orgulho incha esses “próceres” oposicionistas. Santo Agostinho dizia que “Orgulho não é grandeza, mas inchaço. E o que está inchado parece grande, mas não é sadio”. O maior de todos os homens; Jesus Cristo – enfatizou com todas as letras: “Quem se humilha será exaltado e quem se exalta será humilhado”.

Ninguém, democraticamente, conquista o poder encastelado entre quatro paredes nem “preso” a interesses individualistas enclausurado numa masmorra anímica. É preciso que saia às ruas, converse com o povo, aperte suas mãos, sinta seu cheiro, seu calor, escute seus reclamos, suas angústias, suas dores e suas decepções. .

É necessário ainda que ouça as opiniões divergentes, respeite o pensamento alheio e reconheça os próprios erros e limitações. É preciso também que convide os companheiros, os parceiros, a sociedade e – juntos, sentados no mesmo nível –discutam os acontecimentos procurando um caminho para solucioná-los.Cordeiro foi vencido pela morte, como todo mortal.

No entanto, ele deixou importantes lições de vida. Cabe a oposição aprendê-las.Cego não é quem não enxerga; mas quem não quer enxergar.
(*) GeovanBenjoino é Jornalista, escritor e formando em Direito

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