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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 759 / 2014

18/02/2014 - 18:35:00

Pronto atendimento

Alari Romariz Torres aposentada da ALE

Moramos numa pequena cidade litorânea, bem perto de Maceió. Aí, temos  vantagens e desvantagens de morar a 25 km da Capital.     Em nosso refúgio nada falta: carne, peixe, verduras, tudo que se pode comprar nos supermercados de uma cidade grande, mas se precisarmos de supérfluos (queijos melhores, presuntos requintados, bons vinhos e algo mais), temos que ir à metrópole.   

 Nossa segurança vive ameaçada. Lá existem Polícia Civil e Polícia Militar, mas os soldados e funcionários civis são poucos. Um delegado que não reside na cidade e vai lá quando quer (há sempre informações dos funcionários a respeito do dia em que o chefe virá), o telefone nem sempre atende.     

Assaltaram nossa casa em novembro, comunicamos às duas polícias e cada vez que meu marido procura informações nada se sabe e quem recebeu nossa queixa não se encontra no momento.     

Os assaltos se sucedem, a droga corre tranquila pela cidade, casas servem de abrigo aos assaltantes, alguns meninos e mulheres viraram ladrões e a população vive amedrontada. Época de festa é uma loucura!     

As escolas funcionam precariamente, não há professores suficientes, o ano letivo se arrasta até o ano seguinte e os pobres coitados dos alunos terminam o ensino médio completamente inocentes.   

 Existem poucos colégios particulares, mesmo assim, até o 4º ano primário. Se os pais puderem e quiserem precisam levar os filhos para Maceió. Pode ser que assim eles consigam passar no vestibular ou arranjar um trabalho.     

As meninas de 13, 14 anos, em sua maioria, passeiam pela cidade, já com um filho nos braços. Aí vão ser empregadas domésticas e as avós criam os filhos. Param de estudar e vão levar a vida que as mães levavam, sem esperança de um futuro melhor. Se conseguirem casar com um rapaz da cidade ainda poderão ser felizes ou não.     

Os meninos que não conseguem estudar serão caseiros, empregados domésticos ou se encaminham para o crime. Há muitos jovens que viraram assaltantes, outros estão presos, alguns vão para o Sudeste à procura de emprego e muitas vezes voltam desempregados.     

O comércio local é pequeno, mas tenta atender a população de aproximadamente seis mil habitantes, que em época de festa triplica. O interessante é que um tempo atrás, o número de eleitores era maior do que o de pessoas residentes. Isto porque quem possui casa de praia, ou muita  gente amiga de políticos, morador de Maceió, vota em nossa cidade.     

Em matéria de religião a Igreja Católica predomina, mas existem vários grupos evangélicos. Os jovens ainda se salvam quando seguem o caminho religioso. Ainda é um viés que ajuda a juventude a não se desgarrar da família.   

 E a saúde? Aí reside o problema. Só há um Posto de Saúde que deveria ter pelo menos um médico de dia e de noite. Mas nem sempre acontece isto. De vez em quando procuramos o médico e ele “está chegando”, diz a atendente.     

No ano passado cheguei lá, às 6.30 da manhã e a médica negou o atendimento porque sairia às 7.00 horas. E não atendeu!     Outro dia, lá cheguei às 19.30  e não havia médico. Vinha de Maceió e “estava chegando”. Normalmente o médico mora em Maceió.   

 Sábado passado, uma amiga minha contaminou-se no supermercado com algo muito perigoso. O dedo da mão ficou vermellho, ardendo muito e ela foi ao Posto Médico. Primeiro perguntaram se ela tinha cartão do SUS e depois foi atendida pela Drª Regis. Sem nenhuma gentileza explicou a minha amiga que ali era um Posto de Ponto Atendimento. E repetia: “Sabe o que é Pronto Atendimento? Facada, infarto, derrame, etc...

Não olhou mais para minha amiga, que foi à farmácia e pediu uma pomada. Se ela perder o dedo, Drª Regis, a senhora dará outro?     Pois é amigos, esta pequena cidade com tantas deficiências, pertinho de Maceió, onde as farmácias fecham à noite com medo de assaltos, chama-se PARIPUEIRA.   

 Visite-nos, por favor!!!

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